Manaus, 13 de Novembro de 2018
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Aquecimento sazonal na indústria

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
03 Jul 2017, 19h57

Crédito:Divulgação
A balança comercial amazonense registrou aumento de 38% nas importações no período de janeiro a maio deste ano, em relação a igual período do ano anterior. Insumos para fabricação de TV, rádio, telefones celulares, dentre outros, compõem a lista dos itens mais demandados pelo PIM (Polo Industrial de Manaus) nos primeiros cinco meses do ano, segundo o Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Na avaliação dos empresários da indústria, o crescimento nas compras estrangeiras é decorrente do aumento no volume de pedidos dos produtos eletroeletrônicos, efeito sazonal que, segundo eles, ocorre, anualmente, no início do segundo semestre para atender ao período de final de ano.

Conforme o Mdic, o Amazonas importou, nos primeiros cinco meses do ano, componentes que integram aparelhos de rádio, televisão, equipamentos utilizados para a telefonia e telegrafia, microprocessadores e circuitos integrados. Os seis principais países que venderam itens ao Estado foram: China, Coreia do Sul, EUA (Estados Unidos), Vietnã, Taiwan (Formosa) e Japão.

Segundo o gerente executivo do CIN-AM (Centro Internacional de Negócios)-Departamento da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), José Marcelo Lima, anualmente, as fabricantes do setor de eletroeletrônicos têm um incremento produtivo no segundo semestre devido ao recebimento de pedidos para as vendas de final de ano. Ele explica que para atender à demanda, as indústrias precisam dispor de insumos para a fabricação. Os insumos utilizados pela indústria local, boa parte, são provenientes de outros países.

"Neste período as empresas começam a produzir para atender ao final de ano, as festas de natal e ano novo. O processo produtivo demanda insumos, que são importados. Daí o aumento no índice da importação. Esse aquecimento, comum para o período, deverá refletir nos números das exportações a partir do mês de agosto, quando os produtos começam a ser escoados", prevê.

De acordo com o vice-presidente do Sinaees-AM (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas), Celso Piacentini, o incremento produtivo representa um ciclo sazonal. Ele explica que anualmente as empresas se preparam para atender aos pedidos dos clientes para as festividades de natal e ano novo. Os produtos, segundo ele, mais demandados no período são televisões, celulares e demais itens que podem entrar em listas de presentes no setor de eletroeletrônicos.

Piacentini destaca que um item que tem menor procura nos meses de novembro e dezembro é o ar-condicionado.

"O aumento produtivo é algo sazonal, o que não indica sinal de melhora. Há um aumento na produção porque temos que atender aos clientes. A mudança é conjuntural e não estrutural", ressaltou.
O empresário também disse que o aumento na demanda gera, consequentemente, a necessidade de contratação de mão de obra. Neste caso, ele afirma que ocorrem os contratos temporários.

"É comum que a partir de agosto as contratações iniciem para atender às demandas para natal e ano novo. São contratos temporários e as entregas são feitas, normalmente, até novembro. Ainda não temos previsão do quantitativo de colaboradores a serem contratados neste ano".

Exportações caem
Os números registrados pela balança comercial ainda apontam queda de 10,6% nas exportações de produtos amazonenses entre os meses de janeiro a maio deste ano, em comparação a igual período de 2016. O xarope para a elaboração de bebidas foi o item que contabilizou maior queda nas comercializações estrangeiras com redução de 26%; os aparelhos de barbear não elétricos registraram a segunda maior queda com 33,6%; por outro lado, as motocicletas tiveram crescimento de 26,5% nas exportações; as lâminas de barbear contabilizaram crescimento de 25,3%.

Na avaliação do gerente executivo do CIN-AM-Departamento da Fieam, José Marcelo Lima, a redução nas exportações resultam da crise econômica que atinge o Brasil e também países como a Venezuela, por exemplo. Ele destaca que a instabilidade política e econômica nacional agravada por escândalos no meio político gera reações negativas por parte do comércio estrangeiro com cortes nos pedidos de itens para o fornecimento internacional.

"Houve uma redução no volume de compras por parte dos principais parceiros estrangeiros. Países como Argentina, Colômbia, Peru, Bolívia e Venezuela estão reagindo negativamente ao mercado brasileiro devido aos problemas econômicos que ainda atingem o país. Em alguns países também há crise e menores condições de comercializações", disse.



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