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Imigrantes acreditam em Manaus

Por: Jefter Guerra jguerra@jcam.com.br
23 Jun 2017, 19h41

Crédito:Walter Mendes
Desde de janeiro de 2010, Manaus vem sofrendo mudanças bruscas no seu crescimento populacional. E isso se deve a chegada de imigrantes haitianos e venezuelanos que vieram para o Brasil em busca de abrigo após um terremoto, problemas político e econômico que deixou seus países em estado de calamidade.

No Haiti, por exemplo, um terremoto em 2010 deixou, aproximadamente, 200 mil mortos e muitas famílias em estado de pobreza que decidiram largar tudo para se aventurar e reconstruir suas vidas em outros países.

Na época, segundo a Pastoral do Migrante, dos oito mil haitianos que haviam passado por Manaus, cerca de mil deles ainda permanecem na cidade. E um deles, é o consultor de loja, James Wildler Cantave, 26 anos, vindo de Port-au-Prince, capital do Haiti, cidade mais atingida pelo terremoto naquele ano.

James conta que veio para o Brasil com o objetivo de conseguir um trabalho e enviar dinheiro para sua família em seu país. "Lá, as coisas estavam muito difíceis, por isso, resolvi vir e aventurar em outro país. E o primeiro Estado em que fiquei, foi o Acre. Mas, com a crise econômica, também encontrei dificuldade de conseguir emprego por lá. Nessa época, soube que em Manaus era mais fácil de conseguir trabalho e que a cidade era quente. Aí juntei as duas coisas que mais procurava, dinheiro e uma cidade quente, pois não gosto de morar em lugares frios", disse ele, rindo.

Ao chegar em Manaus, o James conseguiu logo um emprego na loja Ferragens Paraíba, e por conta da dificuldade do idioma, foi demitido. " E com poucas semanas depois da demissão, conseguiu essa vaga de vendedor, aqui na importadora, onde trabalha há quatros anos", lembra ele.

James é contratado com carteira assinada na Importara Madhula, localizada na rua Marcílio Dias, centro, onde trabalha como consultor de vendas. "Quando cheguei no Brasil, ganhava mais mil reais mas, com a crise econômica, e ao assinar a carteira tiro apenas R$ 700, além da comissão. Mesmo assim, estou feliz. Consigo pagar as minhas contas e enviar um dinheirinho pra ajudar minha família que ficou no Haiti", finalizou ele, ao ressaltar que o importante é que ele e sua família tenham saúde.

Venezuela
Um outro povo que vem enfrentando bastante dificuldades em seu país, são os venezuelanos. Lá, um ano após a morte do ex-presidente Hugo Chávez, o atual presidente Nícolas Maduro está cada vez mais enfrentado dificuldades em conter a zona de turbulência que atravessa o país e assume que está em guerra (econômica) contra o setor privado, ou seja, a oposição. E com isso, as grandes empresas e o patronato são acusados de inflacionar os preços dos produtos por falta de patriotismo econômico, ocasionando assim, a falta de produtos básicos nas prateleiras dos supermercados, desemprego e a fome em muitas famílias daquele país.

E por conta de toda essa crise, cerca de 400 indígenas da etnia warao estão na capital do Amazonas. Entre eles, o venezuelano da cidade de Monaga, Nelson Rosas, 27 anos.

Rosas supõe que, desde o início da crise, mais de mil venezuelanos, entre homens, mulheres e crianças, estão na cidade no momento. O venezuelano, que está na cidade com a mulher e três filhos, disse que ainda encontra dificuldade de conseguir um emprego fixo por conta do idioma. "Porém, trabalho no informal, vendendo água e, às vezes, faço bicos para pagar o aluguel do hotel, que custa R$ 10 por pessoa. E ainda comprar alimento e água para o sustento da minha família", disse ele. Rosas disse que, mesmo sem trabalhar ainda, o que mais gostou de Manaus, foi a facilidade de conseguir comida para seus filhos. "Trabalhando na informalidade, consigo um dinheirinho todo dia. E isso é muito bom. Mas, no dia que a crise do meu país passar, pretendo voltar, pois lá estão todos os amigos e parentes. Sinto falta deles", lamentou ele.

Dificuldades
Para o gerente da loja Apa Móveis da Guilhermes Moreira , Alan Frankin Sierpinski, as dificuldades de se empregar um imigrante recai na dificuldade do entendimento da língua, e também falta de qualificação.
"Mas quase eles não nos procuram para pedir emprego. Porém, o que observo muito, são eles trabalhando na informalidade. Aí pelas ruas. Espero que um dia consigam se adaptar a nossa língua e tenham uma oportunidade maior no mercado de trabalho local", espera o gerente.

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