Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Crise gera cliente mais seletivo

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
16 Jun 2017, 19h53

Crédito:Walter Mendes
A crise econômica gerou o maior índice do desemprego e consequentemente, um novo perfil do consumidor. Mais criterioso, o cliente passou a analisar mais os valores e a qualidade do item disponibilizado nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais. Os segmentos de supermercados varejista e atacadista e do comércio sentiram com maior intensidade a mudança e adequação do comprador. Para conseguirem manter as atividades foi necessário manter o preço de venda dos itens, sem maiores reajustes. Por outro lado, as fabricantes do PIM (Polo Industrial de Manaus), em todos os subsetores, continuaram em operação, mas em menor ritmo conforme a demanda solicitada.

O vice-presidente da Amase (Associação Amazonense de Supermercados), Alexuel Rodrigues, explica que em decorrência do fator crise econômica, além do aumento no preço de custo dos produtos, os empresários também registraram uma readequação nas escolhas do consumidor. O cliente passou a optar pelo item oferecido pelo valor mais baixo, mas ao mesmo tempo priorizando a qualidade. "Observamos que houve uma troca na hora de escolher um item. O cliente procura produtos mais baratos mas que também ofereça qualidade. Essa análise criteriosa acontece, principalmente, nos itens essenciais que compõem a cesta básica".

Segundo Rodrigues, os supermercadistas amargam queda nas comercializações desde 2014 e para conseguirem manter as atividades e chegarem à expansão, em alguns casos, foi necessário manter o preço de venda dos itens, sem maiores reajustes.

"O preço de custo dos itens aumentou, mas o valor de venda, não. As margens diminuíram. Como resultado, tivemos demissões expressivas ao longo dos últimos 3 anos", informou o representante. "Tivemos corte de 15% da mão de obra no último ano. Hoje, o setor conta com cerca de 50 mil trabalhadores, considerando médias e grandes empresas", completou.

Apesar das adequações no perfil do comprador o setor de supermercados tem conseguido manter crescimento no volume comercializado. No período de janeiro a maio deste ano o segmento registrou crescimento de 5% nas vendas, em comparação a igual período de 2016. Outro fator positivo, foi a expansão, na capital, de pelo menos quatro novos estabelecimentos entre varejistas e atacadistas. "Nossa expectativa é de manter as vendas e superar o faturamento de 2016", disse.

De acordo com o presidente da assembleia geral e do conselho superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, o comércio varejista também sentiu a mudança ao receber um consumidor mais receoso em efetuar as compras e mais disposto a buscar preços mais baixos. Ele afirma que o cliente que antes priorizava determinado item de uma marca conhecida, agora opta por adquirir um produto similar, de uma marca não tão conhecida, mas que tenha um valor mais acessível.
"Percebemos que houve uma redução na frequência de pessoas em bares, restaurantes, academias, lojas, entre outros estabelecimentos comerciais. Quem comprava determinado produto costumeiramente, agora precisa se adequar a outra realidade. Isso acontece porque houve redução no poder de compra do consumidor", destacou. "Quem antes visitava um restaurante duas vezes ao mês, agora vai apenas uma vez ou decidiu cortar esse gasto. Outra alternativa foi alterar o alimento consumido por um item do menu que custa mais barato. Em todos os setores houve redução nas vendas", completou.

Bicharra informou que as vendas no comércio para o Dia das Mães foram consideradas boas, enquanto as vendas para o Dia dos Namorados foram fracas, porém, positivas. Ambas as comparações são relacionadas a iguais períodos de 2016. "Isso mostra uma retomada na credibilidade das pessoas. Elas começaram a acreditar mais na economia nacional", disse.

O diretor executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, explica que a indústria não sentiu tanto impacto em relação às mudanças na escolha do consumidor final no ato das compras dos equipamentos fabricados pelo PIM. Ele explica que 95% dos itens fabricados no Polo Industrial são destinados ao mercado interno e os demais são exportados. Consequentemente, se a economia nacional está estável, o parque fabril amazonense também terá bons resultados. No caso de retração econômica, como a que atingiu e ainda atinge o país, o resultado é a menor produção industrial.
"Se o Brasil vai mal, a ZFM (Zona Franca de Manaus) também decai porque o consumidor dos nossos produtos é o cidadão brasileiro. Como houve retração de uma forma geral é natural que também soframos as consequências. Os produtos que fabricamos não são de primeira necessidade, estão quase que na linha de supérfluos, então, é natural que haja recuo no consumo", avaliou.

Entre os principais subsetores afetados, Mota cita o polo de duas rodas e o eletroeletrônico. "O polo duas rodas sente os impactos da economia há pelos menos 3 anos e ainda é agravado pela questão das dificuldades de acesso aos financiamentos.

No caso do polo eletroeletrônico é só uma questão de tempo para retomar a demanda. As pessoas não têm necessidades urgentes de trocar aparelhos como TV ou celular. Mas, acredito que quando a economia voltar a dar sinais de crescimento, o consumo também será retomado", pontuou.


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