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Suspensão da FIAM era aguardada

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
09 Jun 2017, 13h59

A notícia do cancelamento da 9ª FIAM (Feira Internacional da Amazônia) pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) não pegou de surpresa entidades de classe e empresários amazonenses. Eles defendem que a medida é realista, coerente e sensata para o atual cenário brasileiro. Segundo a autarquia, a principal motivação para o cancelamento desta edição foram as restrições orçamentárias sofridas pelo governo federal que impactaram decisivamente na captação e destinação de recursos para a realização do evento. A FIAM seria realizada no período de 22 a 25 de novembro, em Manaus.

Na avaliação do empresário e vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, a continuidade da realização da Feira Internacional da Amazônia já era algo que devia ser repensado pela Suframa. Segundo ele, o evento não vinha atraindo o mercado de fora. "A feira acontecia para nós mesmos e não vinha apresentando bons resultados nas últimas edições. Não houve instalações de empresas e nem investimentos significativos em função dela, pelo menos eu desconheço", afirmou. Para ele, o cancelamento não deve influenciar no sistema econômico regional.
De acordo com Azevedo, a medida de cancelar foi acertada, levando em consideração o cenário econômico e político brasileiro. "No meu ponto de vista tanto como da indústria quanto do empresariado, vejo que a medida foi sensata para contenção de gastos, porque a autarquia não tem dinheiro, as empresas estão com dificuldades e há muita insegurança jurídica", justificou. "Continuamos em um momento de incerteza para o ambiente de negócios", completou o representante.

Na edição da coluna Follow Up desta quinta-feira (8) do Jornal do Commércio, o Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), afirmou que não faria sentido acalentar a ideia da feira contando apenas com o aporte das empresas, pressionadas por um desembolso que já é feito para este e outros fins à União Federal. A entidade também questionou como ostentar um clima de euforia e recuperação econômica quando muitas empresas fecharam as portas como resultado da crise.

Segundo o Cieam, a feira exibiria, no limite a contradição de contingenciar recursos para aliviar o "deficit público" ou engordar o "superavit primário". Ainda conforme a entidade, em dez anos os recursos recolhidos pelas empresas, estimados em R$ 4 bilhões seriam suficientes para um megaevento demonstrativo de revoluções em tecnologia da informação e comunicação bem como numa poderosa indústria de ponta, com destaque para a nanobiotecnologia, a indústria de base mineral e um adensamento de inovação ao parque industrial existente. "Cancelar a Feira é um ato de coragem da equipe técnica da Suframa, cujos gestores tem dado exemplo de resistência, obstinação e compromisso com o Norte Amazônico, deste país à deriva".

Sem recursos
A Suframa informou que a principal motivação para o cancelamento da nona edição da Feira Internacional da Amazônia foram as restrições orçamentárias sofridas pelo governo federal que impactaram decisivamente na captação e destinação de recursos para a realização do evento. Segundo a autarquia, ciente de suas limitações orçamentárias, esforçou-se, especialmente ao longo dos últimos meses, para captar parcerias e patrocínios externos a fim de viabilizar a realização da feira.

"No entanto, considerando-se principalmente o momento de dificuldade e instabilidade econômicas e políticas que se verifica em todo o país, a busca por recursos adicionais não logrou o êxito almejado. Por essas razões, e em respeito à sociedade e ao empresariado regional, a Suframa não encontrou outra alternativa a não ser adotar tal posicionamento, buscando, sempre, agir com coerência e prudência diante das circunstâncias elencadas", afirmou.

FIAM 2015
Há dois anos aconteceu a última edição da Feira Internacional da Amazônia, realizada entre os dias 18 e 21 de novembro e contou com o tema "FIAM 2015. Invista no Futuro. Agora". Na ocasião, a Rodada Internacional de Negócios contabilizou US$ 17 milhões (R$ 64,6 milhões) entre contratos imediatos e negociações para curto e médio prazo. A estimativa foi de 64,54 mil pessoas passaram pela feira. Segundo a Suframa, a 8ª edição foi sucesso, atingindo as expectativas da organização quanto à participação de público, geração de negócios, disseminação de conhecimentos e promoção de produtos e serviços da Amazônia.

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