Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Crise é pior para os pequenos

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
07 Jun 2017, 13h53

A recessão econômica atingiu todos os tipos de negócios e empresas brasileiras, no entanto as indústrias de menor porte são as que mais sofrem com os efeitos. Prova disso, é que nos últimos anos pequenas empresas fornecedoras de componentes instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) vem enfrentando dificuldades e sem perspectivas de melhora, segundo a Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas). De acordo com a entidade, mais de 40 galpões, principalmente de componentes já fecharam as portas no Distrito Industrial. A queda na venda do bem final das grandes fábricas é apontada como principal fator para o resultado negativo.

"Quem compra os materiais de empresas fornecedoras de componentes são as grandes fábricas e não as lojas. Se o bem final não vende, por exemplo, TV, bicicleta, ar-condicionado entre outros produtos, isso vai nos afetar em cheio porque é uma cadeia econômica", afirmou o presidente da Aficam, Cristovão Marques. Segundo ele, só em televisores a crise reduziu de 12 milhões de unidades vendidas por ano no polo para apenas 9 milhões. Na avaliação de Marques, os possíveis caminhos para recuperar a atividade da indústria, principalmente nas menores é facilitar o acesso ao crédito, além da desburocratização e melhoria do ambiente de negócios. "Isso ajudaria e evitaria que muitas empresas de menor porte fossem embora, para se ter uma ideia, só no PIM mais de 40 galpões, principalmente de componentes fecharam as portas", disse.

Para o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, as pequenas empresas sofreram do pátio industrial por conta da retração nas montadoras. "Com estoques acumulados tanto nas próprias montadoras quanto nas empresas de revenda, consequentemente refletiu nas indústrias menores que vem tentando superar esse cenário difícil para a economia de modo geral", destacou Azevedo. "Na verdade, empresas de grande, médio e pequeno porte foram atingidas com a falta do mercado consumidor, porque sem demanda de compra sobra oferta", acrescentou.

Decisão política
Cristovão Marques acredita que enquanto não houver uma decisão no governo federal referente aos escândalos políticos, se cria um cenário de insegurança na economia brasileira e o país fica estagnado. "No Amazonas tem fatores mais específicos que favorecem para que as indústrias de componentes sejam tão afetadas, como a criação de mais taxas e impostos, além da mudança recente na superintendência da Suframa. Isso tudo só favorece a quebra de empresas de menor porte e aumento do desemprego", frisou o representante da Aficam.

Já Nelson Azevedo, contou que houve uma leve melhora no primeiro trimestre do ano comparado a 2016, mas reforçou que a crise política contribuiu para que o setor industrial voltasse a amargar retração desde abril. "Continuamos em um momento crítico para a economia brasileira que é entrelaçada com a política, temos que aguardar como o cenário vai se comportar nos próximos meses", finalizou o presidente da Fieam.

Sondagem Industrial
Segundo o levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), as indústrias de pequeno porte têm obtido indicadores piores que as de grande porte desde o início de 2015, quando o país entrou em recessão. A entidade aponta, como principais dificuldades, para recuperar a atividade da indústria o crédito difícil, as taxas de juros elevadas e exigência de garantias pelos bancos.

A CNI afirmou ainda que a falta de crédito impede o acesso ao capital de giro, causa atraso no pagamento de fornecedores, perda de oportunidades de negócio, atraso no pagamento de tributos e necessidade de renegociação de prazos para pagamento de credores. Conforme dados da entidade, em 2016 apenas 20% das pequenas empresas conseguiram contratar uma nova linha de crédito, 40% renovaram uma linha antiga e 40% das pequenas empresas não conseguiram contratar nem renovar crédito no ano passado.

Atrás das grandes indústrias
De acordo com a pesquisa da CNI, com a crise a indústria passou a registrar indicadores abaixo de 50 pontos, sendo que as pequenas empresas ficaram em último lugar. Em dois anos, indicadores de produção e número de empregados das indústrias de pequeno e grande porte ficaram em 40 pontos e 46, respectivamente. Em relação à expectativa de demanda, as pequenas empresas ficaram com 46 pontos contra 49 pontos das indústrias maiores. Já o indicador de situação financeira (avaliação do empresário sobre as finanças da companhia) tem variado em torno de 34 pontos para as pequenas indústrias, contra 43 para as grandes companhias. No acesso ao crédito, a pontuação tem oscilado em torno de 27,5 pontos para as menores empresas e 33,5 para as maiores.

Os números foram obtidos retirando-se a mediana (valor central em torno do qual um indicador oscila) da Sondagem Industrial, que é medida de 0 a 100 pontos e tem uma linha de corte de 50 pontos, indicando estabilidade. Outro indicador da pesquisa é referente à utilização da capacidade instalada, que aponta para as empresas de menor porte corresponde a 58% de utilização do maquinário, contra 70% para as de maior porte.

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