Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Consumidor ainda mantém receio

Por: Cíntia Valadares
06 Jun 2017, 20h01

Foi anunciado na última quinta-feira (1°), o resultado de uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), informando um aumento de 1,0% no PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre deste ano, com relação ao último trimestre de 2016, um aumento que não era mais notado desde 2014. Contudo, embora o resultado do PIB e PIB per capita (o Produto Interno Bruto dividido pela quantidade de habitantes do país) seja favorável ao país, a população ainda não conseguiu perceber e ter a sensação de que a economia está voltando aos eixos.

Dados de outra pesquisa realizada pela consultoria LCA apontam que o PIB per capita cresceu 0,9% no primeiro trimestre, depois de manter queda de 11% desde o segundo trimestre de 2014, período em que a recessão teve início.

A pesquisa feita por meio das Contas Nacionais Trimestrais mostrou que embora tenha se registrado esse aumento, o ambiente ainda é de recessão. Segundo dados desta pesquisa, o PIB da indústria cresceu 0,9% em relação aos três últimos meses de 2016. Se comparado ao primeiro trimestre do ano passado, o PIB da indústria mostra queda de 1,1%. Já na área de serviços o PIB registrou 0,0% no primeiro trimestre de 2017, se comparado aos três primeiros meses do ano passado, o PIB de serviços caiu 1,7%.
O PIB mostrou de fato um crescimento efetivo no setor agropecuário. Houve um crescimento de 13,4% neste primeiro trimestre, o que comparado ao primeiro trimestre de 2016, mostra que o PIB da agropecuária teve alta de 15,2%.

Sob o olhar do especialista
De acordo com o economista, Francisco Mourão Júnior, com a mudança no governo e as medidas adotadas pela equipe econômica, a economia vinha mostrando sinais de crescimento. "O governo diminuiu o juros da taxa Selic, liberou o FGTS inativo, tudo isso para movimentar a economia, contudo, veio a nova crise política e essa instabilidade mexeu novamente com o setor econômico, e a tendência é de mais instabilidade com o julgamento da chapa Dilma-Temer", comentou Mourão Júnior.

Mesmo assim, a economia passou por um leve crescimento, mostrado através dos números, informou o economista. "Mas nem sempre os números refletem a realidade, o que deixa a população receosa é que com a instabilidade política, não há investimentos por parte dos empresários, quem tem dinheiro não investe para aumentar a produção, com isso, não há crescimento no mercado, o desemprego continua em alta, além disso, o dólar está em situação volátil, dias em alta, outros em baixa e tudo isso mexe com os brasileiros", disse o economista.

Segundo Mourão não temos como saber uma data correta para a melhora da situação econômica do país. "É preciso que os resultados do PIB subam um pouco a cada trimestre para que a população possa começar ter a sensação de melhora", pontuou.

Os reflexos da crise
Os comerciantes estão sentindo os reflexos desta instabilidade, mesmo com a diminuição da inflação e da aparente melhora na situação econômica, empresários têm medo de investir. É o caso de Herbert Araújo, 35, proprietário de um quiosque de sorveteria; há um ano à frente do negócio, o empreendedor viu no ramo de sorvetes uma oportunidade de faturar um extra e sair da crise. Contudo, ele passou seis meses fechando no negativo.

"Era desesperador, comecei a diminuir as compras de produtos, de quatro funcionários, fiquei com dois apenas, precisei mandar os outros dois funcionários embora para me segurar, e olha que foi difícil", comentou Herbert, que acrescentou que deixou de fazer a reforma que precisava para ver se a economia voltava aos eixos e assim conseguia se manter durante o período de recessão.

Mas o comerciante começou a notar sinais de melhora no negócio sete meses depois de assumir o quiosque. Segundo o comerciante os resultados ainda não são os melhores, contudo, mesmo com um faturamento pequeno a empresa vem se mantendo. "Atualmente estou tendo um lucro de cerca de R$ 2 mil por mês, não é muita coisa, mas já paga as contas da empresa, os funcionários e consegui até contratar mais uma funcionária, mas percebo que muita gente ainda foca na compra do que é realmente essencial, deixando de comprar um sorvetinho, um refrigerante, vejo que as pessoas estão mais fechadas para comprar o que julgam ser supérfluo", finalizou Herbert. Existe também o lado do consumidor que não vê melhora no situação financeira do país. Para a professora Ellen Lima, está cada dia mais difícil fazer compras, segundo ela, há dois anos ela conseguia aproveitar as ofertas, comprar mais mantimentos para casa, o que atualmente está sendo complicado. "As promoções nem são tão boas assim, não sei se sou eu que não tenho dinheiro mesmo, ou se foram as mercadorias que ficaram mais caras, o fato é que tenho economizado mais nas minhas compras até porque a gente nunca sabe o dia de amanhã. E outra, essa história de aumento no PIB, parece conversa pra inglês vê, porque não senti essa melhora", declarou a professora, que comentou ainda que deixou de fazer uma viagem planejada há um ano, por medo da crise. De acordo com estimativas da LCA consultoria, mesmo que se concretizem as projeções mais otimistas, com desfecho rápido para a crise política, o crescimento dos próximos cinco anos não será suficiente para elevar o PIB per capita aos níveis em que estava em 2014, antes da recessão.

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