Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Queda de 33% no volume de rescisões

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
06 Jun 2017, 13h54

No período de janeiro a maio deste ano o Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas) registrou 6.421 rescisões contratuais. O número representa uma redução de 33% no volume de desligamentos em relação a igual período do ano anterior quando 9.608 trabalhadores foram dispensados das fábricas do PIM (Polo Industrial de Manaus). Os subsetores que apresentaram maior índice de demissões foram o de duas rodas e o de eletroeletrônicos.

Conforme o levantamento do Sindmetal, nos cinco primeiros meses do ano as empresas que apresentaram maiores índices de desligamentos foram a Moto Honda da Amazônia (678), a fabricante de termostatos, Robertshaw (474) e a Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda (455).

Segundo o secretário-geral do Sindmetal, Afrânio Barão, as empresas ainda sentem os impactos da crise econômica nacional, fator que gera a menor demanda por produtos e consequentemente, menor produção e o desligamento de funcionários. Ele acredita que o volume de rescisões reduza ainda mais no segundo semestre por conta da fabricação para atendimento às datas comemorativas.

"As empresas aguardam o desfecho da situação política nacional e isso atrapalha novos investimentos, produção e resulta em demissões. Observamos que a programação de um número expressivo previsto para desligamento é dividido em várias remessas enviadas ao sindicato. Na verdade, a empresa não quer assustar ao anunciar uma demissão em massa e faz as rescisões contratuais em partes", explica.
Barão acredita que os números podem diminuir a partir deste mês quando, segundo ele, as fábricas recebem pedidos para atender às datas comemorativas e período de final de ano. "Acreditamos que no segundo semestre a situação melhore e aconteçam contratações. O problema que detectamos é que algumas empresas admitem funcionários para atender à demanda e após o prazo do contrato estipulado o colaborador é demitido", disse.

De acordo com o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, a instabilidade política que atinge o país afeta diretamente a economia nacional, com forte reflexo no consumo no Amazonas. Ele explica que os escândalos políticos desestruturam qualquer projeção de investimentos a novos negócios no Estado, reduzindo a possibilidade de geração de novos empregos. A sensação de insegurança também afeta aos empresários, representantes de fábricas instaladas no PIM.

"O ambiente de negócios é prejudicado por falta de credibilidade na política e economia do país. Os investidores se retraem e quem já opera no polo fica receoso de fazer novos investimentos. Falta credibilidade no país. A consequência de tudo isso é o aumento no índice de desemprego porque se não há demanda, não há produção", comentou. "Ainda temos mais o agravante da política estadual com um governador interino, uma nova eleição e a substituição de superintendentes na Suframa que são fatores que também atingem a empresa", completou.

Azevedo relata que o subsetor de duas rodas ainda luta pela estabilização produtiva, assim como o segmento de eletroeletrônicos. "O polo de duas rodas ainda não conseguiu se estabilizar. Mas, no contexto geral vemos que os números de demissões reduziram consideravelmente. Uma alternativa utilizada pelas fabricantes de todos os segmentos é a aposta em novos modelos de produtos, atualizações em designers que não demandam maiores investimentos. É uma forma de atrair o consumidor".

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, afirma que o período é desfavorável às contratações e que o balanço de oferta de trabalho é negativo, segundo ele, sem perspectivas de melhores resultados.

"Ninguém na indústria está contratando, por isso o número ainda é elevado nas demissões com menor geração de empregos. Não há perspectivas de melhoras para o segundo semestre".

Números do Caged
O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), levantamento do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), apontou que em abril ocorreu a terceira queda consecutiva no índice de postos de trabalho no PIM (Polo Industrial de Manaus), impulsionando o saldo total de perda de mão obra no Estado. No mês de abril a indústria contabilizou saldo negativo de 303 postos de trabalho, na redução entre admitidos e desligados. A variação negativa foi de 0,30% em relação ao mês anterior. Conforme o Caged, nos últimos 12 meses o saldo entre admissões e desligamentos da indústria amazonense totalizou menos 1.026 vagas, com variação negativa de 1,01%.

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