Manaus, 25 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

Áreas verdes de Manaus sofrem processo de ocupação irregular

Por: Jefter Guerra jguerra@jcam.com.br
02 Jun 2017, 19h25

Um levantamento extraoficial indica a existência de, pelo menos, 517 áreas verdes em loteamentos aprovados pela Prefeitura de Manaus, porém, mais da metade já sofreram processo de ocupação irregular e perda da vegetação.

Atualmente, as áreas protegidas dentro da cidade são 19 divisadas em categorias entre: 7 Rppn (Reserva Particular do Patrimônio Natural), 2 Corredores Ecológicos (Mindu e Cachoeira Alta), 10 Unidades de Conservação Municipal, entre elas: os Parques do Mindu e Nascente do Mindu; a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé; 6 APAS (Áreas de Proteção Ambiental); e o Refúgio da Vida Silvestre Castanheira.

Esses espaços territoriais especialmente protegidos ocupam 4,75% da área do município de Manaus, com um papel fundamental na proteção da natureza, da fauna e da flora.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Prefeitura de Manaus, Antônio Nelson de Oliveira Júnior, o Implurb, que é o órgão responsável pela aprovação e modificação das áreas verdes em projetos de loteamento, está realizando um novo mapeamento das áreas públicas desses conjuntos habitacionais que indicarão o quantitativo atual.

Nelson explica ainda, que para as ações de proteção e recuperação ambiental dessas áreas, a Semmas desenvolveu estratégias para fazer intervenções com equipamentos públicos comunitários. "Foram inicialmente mapeadas 13 áreas verdes que se encontram preservadas. E por meio de compensações ambientais, deu-se início ao processo de implantação de equipamentos como pistas de caminhada, academias ao ar livre, playground, quadras de esporte, iluminação de LED, criando os chamados parques da juventude em áreas verdes", disse ele, ao ressaltar que a implantação dos equipamentos é acompanhada de ações educativas junto às comunidades, passam a ter um papel fundamental na proteção das áreas, como nos Loteamentos Campo Dourado, na Cidade Nova; Nascentes das Águas Claras, no Novo Aleixo; Castelo Branco 2, no Parque Dez (a ser inaugurado).

Segundo o secretário, as áreas verdes de Manaus (como Corredor Ecológico Urbano, RPPN, APAs, RDS e RVS), através da Semmas, mantêm parcerias com os governos do Estado e Federal no âmbito de programas e ações específicas. "Mas a gestão e a aplicação de recursos nas áreas protegidas municipais é da Prefeitura de Manaus, por meio de compensações ambientais oriundas de processos de licenciamento realizados pela Semmas e o FMDMA (Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente)", finaliza ele.

Como diagnosticar áreas protegidas
E para se diagnosticar uma área de proteção, o diretor de áreas protegidas da Semmas, Márcio Bentes, explica que é preciso que exista nessa área, espécies em extinção, como o Sauim de Coleira, árvores e plantas. "E também área que a comunidade solicite que o poder público a proteja, por conta das espécies florestais, como árvores e animais".

E após esse diagnóstico, o diretor reforça que a Semmas realiza estudos técnicos ambientais para levantar informações de indicação da área. "Após essa etapa, criamos o Decreto, que informa onde começa e termina aquela área. Em que categoria ela melhor se encaixa, pois existe a Legislação Estadual e Federal. Se as pessoas podem ou não fazer uso dela. E por último, passamos para o processo de gestão. O Parque do Mindu, por exemplo, existe um espaço reservado para as pessoas e outra, é uma reserva de proteção onde ninguém pode entrar" disse ele.

Sobre investimento para a manutenção e proteção dessas áreas protegidas, Bentes disse que a Semmas recebe duas fontes de recursos: uma da Compensação Ambiental, em que os parques e áreas recebem financiamento das empresas que realizam suas atividades em sua área. "E do Fundo Municipal do Meio Ambiente, uma arrecadação para a manutenção desses espaços", diz ele.

Conheça algumas áreas protegidas pela Semmas

Parque do Mindu
O objetivo do Parque é promover e desenvolver atividades ambientais e culturais com a finalidade de propiciar momentos de integração comunitária, permitindo despertar os moradores do entorno e os visitantes para questões socioambientais e culturais no que diz respeito à valorização do mesmo, além de possibilitar a realização de pesquisas científicas, preservando os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica.

Parque das Nascentes do Mindu
Trata-se de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral e foi criado para proteger e preservar três das principais nascentes que dão origem ao Igarapé do Mindu, as quais apresentam água cristalina, própria ao consumo humano.

O Parque possui 16 hectares em área, com uma flora de 70% de espécies nativas e fauna composta por pequenos roedores e mamíferos, como sauins-de-coleira, macacos-de-cheiro e também aves, como tucanos, saracuras, corujas, gaviões.

Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras
O RVS Sauim Castanheiras ocupa área de 95 ha. Foi criado em 1982, como Reserva Ecológica, com objetivo de proteger as populações do Sauim-de-Manaus (Saguinus bicolor) e de Castanhas-do-Brasil (Bertholletia excelsa).

RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Tupé
Uma RDS é uma área natural, que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração de recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às questões ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica.

A RDS do Tupé foi criada abrigando seis comunidades: Livramento, Julião, Colônia Central, Tatu, São João do Lago do Tupé e Agrovila. Ela integra o Mosaico de Unidades de Conservação do Baixo Rio Negro e Corredor Central da Amazônia.

APA (Área de Proteção Ambiental)
O município de Manaus possui seis APAs distribuídas nas zonas Oeste, Norte e Centro-Sul da cidade. Nelas são encontrados desde pequenos vertebrados (anfíbios e répteis) até mamíferos de médio porte como: cutia e preguiça-bentinho.

A APA é uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especiais para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas. São APAs: APA Tarumã-Ponta Negra; APA Parque Linear do Gigante; A APA Parque Linear do Gigante, APA UFAM; APA Adolpho Ducke; APA Parque Ponta Negra; e APA Parque Linear do Bindá.

RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural)
No município também existe a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) : Uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. E sete RPPN's foram criadas, protegendo uma área equivalente a 240,89 hectares: Reserva Honda, Reserva dos Buritis, Reserva Norikatsu Myamoto, Reserva Águas do Gigante, Reserva Bons Amigos, Reserva Nazaré das Lages e a Reserva Sócrates Bomfim.

Corredores Ecológicos Municipais
E os dois Corredores Ecológicos Municipais: o Corredor Ecológico do Mindu e o Corredor Ecológico Cachoeiras do Tarumã, que nasceram pela necessidade de se conectar fragmentos florestais urbanos (Áreas Verdes dos Conjuntos Residenciais, Áreas de Preservação Permanente, Unidades de Conservação) possibilitando o fluxo gênico e o movimento da biota entre estas áreas.

Comentários (1)

  • WP04/06/2017

    Com toda a SELVA DE PEDRA que tem na cidade de São Paulo, acredito que tem mais VERDES do que na cidade de MANAUS.

Deixe seu Comentário