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Fechamento de empresas cresce 26,17%

Por: Jefter Guerra jguerra@jcam.com.br
30 Mai 2017, 19h15

A crise econômica no país refletiu no maior índice de empresas no Amazonas que fecharam suas portas em 2017. De janeiro a abril, a Junta Comercial do Amazonas (Jucea) apontou fechamento de 2.434 empresas que encerraram suas atividades no Estado. Sendo 187 empresas LTDA e 24 Eireli (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada).

No mesmo período de 2016, a junta apontou a extinção de 1.929 empresas. Sendo que foram extintas mais de 567 empresas LTDA e 16 Eireli.

Em resumo, houve mais empresas extintas em 2017, do que no ano de 2016, em uma diferença de 505 empresas a mais que fecharam suas portas, o que representa uma alta de 26,17%.

Abertas
E no que tange as empresas constituídas (abertas), de janeiro a abril de 2017, a estatística da Junta aponta 1.714 foram abertas, sendo 417 LTDA e 7 Cooperativas.

E no mesmo período de 2016, foram 1.587 empresas constituídas, sendo 465 LTDA e 5 Corporativas. Os números mostram uma alta de 8% nas constituições sobre o mesmo período do ano anterior.

Anos anteriores
Em 2015, a estatística da Jucea apontou na época, nestes mesmos quatro meses, a abertura de 1.927 empresas, em um total de 553 de empresas LTDA.

E as extintas neste mesmo período do ano, foram de 923 empresas. Sendo que 88 empresas LTDA e 2 Corporativas.

Crise
De acordo com o presidente da Jucea, Carlos Souza, esse crescimento na estatística, principalmente no elevado número de empresas fechadas em 2017, deu-se por conta da crise econômica e política em que o País se encontra.

"Hoje, não devemos mais trabalhar a crise como uma peculiaridade política ou econômica, mas sim é pandêmica, generalizada em todo o Brasil. Todos os estados e municípios estão sofrendo com a consequência dessa crise. Porque é uma crise financeira, moral e de instabilidade jurídica do país. Por tanto, não tem nenhum segmento que venha sofrendo essas consequências. E lógico, com a falta de investimento, porque o Capital Estrangeiro que investe no Brasil, com a potencialidade que nós temos, hoje está se recuando. Está esperando uma resposta até da crise financeira e política do país amenizar. Porque o grande investidor não sabe se amanhã o Temer continuará presidente ou não", salientou ele.
O setor mais atingido, segundo Souza, são as pequenas empresas. "Porque também é o volume maior das Constituídas e proporcionalmente extintas também. E ainda estão querendo se estabilizar. Mas elas quebram, infelizmente mais rápido", salienta ele.

"E como consequência das crise, a inflação e o desemprego também colaboraram para aumento no número de empresas fechadas e diminuição de empreendimentos abertos em nosso Estado", analisa ele.
Souza, afirma que, apesar da crise, ouve um acréscimo de empresas abertas este ano. "Se formos nessa proporção, acredito que até o final do ano, esse número será mais elevado. Assim espero", finalizou ele.

Economista
Para o economista e professor Mauro Thury, a abertura de empresas pode ser reflexo da crise econômica nacional. "Às vezes é uma resposta para a crise, a situação adversa. Acho positivo, sim. É uma coisa positiva dentro de um quadro adverso principalmente para o mercado de trabalho. Mas, de repente, algumas dessas empresas vingam. Isso é importante para gente", disse ele.

Thury deu ainda algumas dicas para os novos empresários. Ele acredita que é preciso investir em conhecimento e avaliar o mercado consumidor.

"Primeiro não ter só vontade. Ter vontade e estudar bem o mercado onde vai atuar. Também é preciso buscar alternativas inovadoras no sentido se serem de baixo custo para o público consumidor, dado o contexto atual. Um exemplo prático que podemos ver é a mudança de foco de algumas empresas de doceria para o bolo caseiro. É uma resposta que se deu para crise. Talvez esse seja o foco para o momento atual", acredita ele.

Extintas
Com a crise, segundo o site Exame.com, 9 empresas fecharam toda a sua produção (todas as fábricas) no Brasil em 2016.

Nesse período, a indústria perdeu 1,13 milhão de postos de trabalho apenas no último trimestre de 2016. E com a crise econômica e queda de demanda no mercado interno, diversas empresas se viram obrigadas a ajustar ou paralisar suas produções.

Em casos mais sérios, algumas companhias, como a Malwee e a Basilar, de massas, concentraram as produções, que estavam em duas unidades, em apenas um local, decidindo fechar suas outras fábricas.
Já a Souza Cruz e a Ambev encerraram algumas produções por causa do aumento de impostos. Só no estado de São Paulo, mais de 4.400 fábricas já fecharam suas portas no último ano. Além disso, mais de 3.500 fabricantes encerraram suas operações no estado.

Em todo o país, a indústria perdeu 1,13 milhão de postos de trabalho apenas no último trimestre - muitos dos demitidos não receberam salários ou rescisões.

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