Manaus, 17 de Novembro de 2018
Siga o JCAM:

O universo geek de oportunidades

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
25 Mai 2017, 19h24

Como já virou tradição, a gigante do e-commerce mundial  Amazon, divulgou uma relação das 10 cidades mais geeks do Brasil em 2017. A lista anual é publicada por conta do Dia do Orgulho Nerd, comemorado na última quinta-feira (25). Mesmo fora do ranking, Manaus tem um inegável peso no mercado consumidor e desenvolvedor principalmente ligado a produção de material tecnológico, sobretudo games e apps, sendo considerada um polo de startups tecnológicas e afins.

Manaus sempre foi identificada como um polo consumidor de games (a Zona Franca favoreceu esse mercado) e nos últimos anos, passou a ser um polo desenvolvedor, seja de grandes players ou de 'indies'. Pensando nisso, Fabrício Simões co-fundador da Play Games, empresa que desde 2012 traz a Manaus jogos, consoles e acessórios, dos lançamentos aos clássicos, promove o PGF (Play Games Festival) que em 2016 pretendia unir comércio e indústria.

Segundo Simões, o PGF era uma ideia antiga, surgida após visitar feiras de games em outros Estados. "Percebi que faltava levar ao evento os desenvolvedores. A indústria tem de estar presente, assim como o comércio", disse na época. Ainda de acordo com o empresário, os eventos realizados eram sempre voltados ao consumidor final. "Faltava unir quem faz a quem compra. Com o crescimento do desenvolvimento de games em Manaus, as profissões do futuro podem ser encontradas agora, em faculdades ou startups", fecha Simões.

Esse super poder nerd (ou geek, numa definição mais atual e menos pejorativa), há tempos é um dos setores que mais emprega e rende bons negócios. Trabalhar em atividades tipicamente nerds, já é algo muito mais comum do que se pensa, fazendo do cyber provérbio "o nerd de hoje é o chefe de amanhã" (retirado de uma campanha anti-bullyng que viralizou no mundo todo) algo real. E é assim, de forma viral que essa cultura tornou-se assunto de várias publicações, passando a ser encarada com mais respeito ao ser identificada como um nicho que movimenta milhões (de dólares e pessoas) ao redor do mundo, com eventos tão bem estruturados quanto as maiores feiras setoriais (Campus Party Brasil é um exemplo), produtos licenciados e séries sobre o tema. Consumidor de produtos como games, consoles, produtos licenciados e filmes, o técnico de infraestrutura da Fucapi, Fabiano Lima, lamenta não ter mais dinheiro para a diversão. "Vou ao cinema só em estreias que muito me interessam, e são muitas, principalmente com a ida dos quadrinhos de ação para as telonas. No campo dos games, assim como nos filmes, os lançamentos me deixam ansioso, mas só compro games quando sobra dinheiro. Não dá pra comprometer o orçamento", disse.

Produtos licenciados
Em 2016, segundo a Abral (Associação Brasileira de Licenciamento), os chamados itens licenciados -com ícones de marcas registradas -geraram quase R$ 18 bilhões em vendas, incluindo produtos para todas as faixas etárias.

No segmento para adultos, os rendimentos para esta faixa já somam 30% do total de licenciamentos, explica Marici Ferreira, presidente da Abral. "Nos EUA, essa proporção é de 50%. Há uma tendência crescente, que está vindo para o Brasil, de pensar também nos adultos", disse.

Gigante brasileira das redes de lojas de departamentos, a Riachuelo é uma das que apostaram no universo nostálgico e geek. Em 2016, a loja chegou a montar um estande na feira Comic Con Experience -evento anual dedicado à cultura pop, com atores de séries e vendas de produtos geeks -e deve repetir a dose este ano. A primeira experimentação com os produtos licenciados voltados para adultos foi com Star Wars, conta a gerente de Licenciados da Riachuelo, Júlia Medeiros "A coleção Star Wars esgotou em 72 horas, entendemos que havia necessidade no público adulto de produtos de qualidade e preço acessível. É uma compra emocional", afirma Júlia.

O ranking da Amazon
O ranking da Amazon é montado a partir dos seus dados de vendas de livros em cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, considerando a base per capita. Para ser incluída na relação a cidade é 'auditorada' quanto as vendas de livros, graphic novels e histórias em quadrinhos mais associados à cultura nerd em formatos impresso ou digital, assim como empréstimos de títulos do programa de assinatura Kindle Unlimited, feitos entre os meses de abril de 2016 e 2017. 

Este ano as duas primeiras colocações do ranking ficaram com Florianópolis e Niterói, repetindo a dobradinha do ano passado.

A capital catarinense está no ranking por um dado muito atraente para o universo geek: a cidade é líder nas vendas das obras do autor britânico Neil Gaiman.

Na lista completa da Amazon, o universo geek brasileiro é representado por: Rio Claro (SP); Caruaru (PE); Florianópolis (SC); Santa Maria (RS); Niterói (RJ); Porto Alegre (RS); São Caetano do Sul (SP); Santos (SP); Guarapuava (PR); Teresópolis (RJ); Londrina (PR); Campinas (SP); Curitiba (PR); Belo Horizonte (MG); São Paulo (SP); Sorocaba (SP); São Carlos (SP); Rio de Janeiro (RJ); Campina Grande (PB) e Vitória (ES).

Comentários (0)

Deixe seu Comentário