Manaus, 19 de Novembro de 2018
Siga o JCAM:

Inadimplência limita crédito

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
10 Abr 2017, 14h06

Diante de um cenário econômico recessivo que aumentou a taxa de desemprego, muitos brasileiros acabaram entrando na lista 'vermelha' de crédito. Segundo o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), em 12 meses, o número passou de 58,0 milhões para 58,9 milhões com restrição de crédito, ou seja, um saldo de 900 mil consumidores entraram nas listas de inadimplência. Isso representa que 39,25% dos brasileiros estão com o nome sujo. E assim como em outros Estados brasileiros, o Amazonas também amargou crescimento nesse indicador. Só na capital amazonense, o número de pessoas que entraram na lista dos maus pagadores passou de 370 mil para 425 mil inadimplentes, uma variação de 14,86%. Os dados são da CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) e foram contabilizados de janeiro a dezembro do ano passado em comparação ao ano de 2015.

Segundo o economista, Francisco Mourão Júnior, vários fatores influenciaram o aumento de amazonenses que entraram para a lista de maus pagadores. "A incerteza do atual cenário econômico é o principal fator do ciclo que provoca a inadimplência. Mas a nossa região sofreu duramente com o desaquecimento do PIM (Polo industrial de Manaus) que influenciou na alta do desemprego, além disso tem a questão cultural de não planejar os gastos, comprando por impulso e gerando dívidas, ou seja, o próprio consumidor cria armadilhas para cair no endividamento", avaliou o especialista.

De acordo com a CDLM, até 2014 o patamar da inadimplência em relação ao ano anterior era de 3.1% a 3.2%, mas passou para 4.0% a 4.2% nesse mesmo tipo de confronto. Conforme os dados, 50% dos devedores têm dívidas até R$ 2 mil, 25% tem dívidas no valor de até R$ 5 mil, 15% até R$ 10 mil e 10% têm dívidas abertas acima de R$ 10 mil. "Quem tem contas menores tem tentado quitá-las, porque o inadimplente sabe que tem um problema caso precise comprar algo de emergência e esteja sem crédito", afirmou o presidente da entidade, Ralph Assayag. Segundo ele, em uma campanha durante o ano passado, cerca de 47 mil pessoas conseguiram resolver sua situação.

Na avaliação de Mourão Júnior, em muitos casos as contas com cifras maiores começaram com valores pequenos e ressaltou que o cartão de crédito é uma das modalidades com as taxas mais elevadas do mercado. "As pessoas acabam optando por pagar o rotativo e isso virava uma bola de neve devido os juros serem altos. Por isso a nova regra do cartão de crédito é boa, porque quando o consumidor entrar no crédito rotativo, depois de 30 dias o banco terá de oferecer um parcelamento ou o pagamento a vista do saldo devedor", explicou.

Desde o início deste mês, o cartão de crédito passou a ter novas regras para reduzir a inadimplência e evitar o superendividamento.

Dicas
De acordo com o especialista, para quem quiser deixar as contas em dia é preciso fazer um planejamento e agir com cautela. Segundo Mourão Júnior, a chave para não voltar a temida lista de devedores é simples e o consumidor pode usar até a tecnologia como aliada. "Caso tenha muitos cartões de crédito, o primeiro passo é cancelar a maioria e ficar só com os necessários. Em seguida, evitar o cheque especial, não comprar por impulso e envolver toda a família nesse processo. Além disso, hoje já existem muitos aplicativos de smartfones que auxiliam as pessoas no controle dos gastos", orientou.

O foco é geralmente eliminar as dívidas menores, mas em relação as maiores, o especialista destacou que o consumidor deve tentar negociar para conseguir abatimento do saldo devedor. "O poder de pagar à vista é muito válido porque corta juros e multas reduzindo o valor, sendo uma boa opção", afirmou.

Mourão Júnior comentou ainda que, aproximadamente 90% das pessoas devem aproveitar o saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de contas inativas para sair do vermelho. "A prioridade deve ser limpar o nome e como muitos vão liberar o crédito para fazer novas dívidas, nesse processo é preciso utilizá-lo com prudência para não perder novamente o controle financeiro", alertou Mourão.

Segundo o Serasa Consumidor, para negociar as dívidas é importante o consumidor não ter receio de olhar para as contas que saíram do controle. "Veja quais são seus rendimentos e o quanto você pode pagar. Se você já tem uma poupança, essa é uma boa hora para usá-la", informou. Outra dica é não contar com empréstimos, venda de bens, herança ou outros ganhos e claro, pedir descontos ou, se precisar, mais parcelas.

Saiba mais
Em fevereiro deste ano, o número de pessoas físicas inadimplentes teve alta de 0,41% no país, na comparação com o mesmo período de 2016. Quase metade da população brasileira entre 30 e 39 anos (49,85%) está negativada, totalizando 17,0 milhões de pessoas nessa faixa etária. Já os consumidores entre 40 a 49 anos e 25 a 39 anos, cerca de 12,9 milhões (46,86%) e 8,0 milhões (46,81%) estão inadimplentes, respectivamente. O levantamento é mais recente do SPC Brasil e a CNDL.

Segundo os dados, também houve variação de -3,53% no volume de dívidas em nome de pessoas físicas na comparação com o mesmo mês de 2016. Em 12 meses, os segmentos de bancos (0,59%) e água e luz (7,27%) apresentaram aumento no número de dívidas. Por outro lado, o setor de comunicação teve a maior queda, com 18,61% na comparação com fevereiro de 2016. O levantamento também aponta que os bancos concentram a maior parte das dívidas no país (48,86% do total), com o comércio (19,99%) e o setor de comunicação em seguida (12,89%).

Em relação a região, o Norte concentrou a maior número relativo de inadimplentes com 5,27 milhões de negativados ou 45,25% da população. No mesmo tipo de confronto, o sul é região com menor número sendo 37,06%, ou 8,25 milhões de residentes adultos nesta situação.

Comentários (0)

Deixe seu Comentário