Manaus, 16 de Novembro de 2018
Siga o JCAM:

Hora da alimentação saudável

Por: Tânair Maria tmaria@jcam.com.br
03 Abr 2017, 14h05

A nutrição tem um papel fundamental para manter a saúde e reverter o quadro causado por alimentação com baixo ou nenhum valor nutricional. Especialistas garantem que uma dieta equilibrada ou até mesmo uma reeducação alimentar além de ajudar a eliminar os quilinhos a mais na balança, é importante no controle do estresse e preservação da memória, bem como, na prevenção e tratamento de diversas doenças, sobretudo as doenças crônicas não transmissíveis. Confira, ao longo desta reportagem, cinco dicas sobre como adotar hábitos alimentares mais saudáveis para o dia a dia, entre elas, beber água é importante para a saúde geral e bem-estar.

De acordo com a gerente Científico da Divisão Nutricional da Abbott no Brasil, nutricionista Patrícia Ruffo, agora é hora de pensar na alimentação já que no Brasil o Dia Nacional da Saúde e Nutrição é comemorado em 31 de março. "A data é importante para fazermos uma reflexão sobre a alimentação do brasileiro", orienta.

Baseada em dados do Vigitel 2015 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgado pelo Ministério da Saúde, revelam que doces e sobremesas são consumidos quase todos os dias por 20,1% da população e que 19% dos brasileiros bebem refrigerantes ou sucos artificiais praticamente todos os dias. "É justamente este tipo de alimentação, com baixo ou nenhum valor nutricional, que contribui para que as pessoas não consigam levar uma vida plena", alerta Patrícia.

Segundo a pesquisa "O que é para o brasileiro viver ao máximo?", idealizada pela Abbott e feita com 5 mil homens e mulheres de todas as regiões do país, aspectos como alimentação desregulada afeta 38% e sobrepeso incide em 43%, foram citados como impeditivos para se viver plenamente, uma condição que já atinge 53,9% da população brasileira. "Neste sentido, a nutrição tem um papel fundamental para reverter este quadro", garante Patrícia.

A nutrição, através de uma dieta equilibrada, além de ajudar a eliminar os quilinhos a mais na balança, é fundamental para o controle do estresse e preservação da memória. "Uma nutrição orientada por profissional ajuda em muitas outras coisas, até a prevenção e tratamento de diversas doenças, sobretudo as doenças crônicas não transmissíveis como, por exemplo, o diabetes", informou a nutricionista.

Prática milenar do jejum
Abstinência parcial ou total de alimentos por determinado período de tempo vem sendo, atualmente, objeto de algumas pesquisas científicas. Lembrando que beber água é permitido durante qualquer opção de jejum. Algumas dessas pesquisas já apontam que o jejum intermitente, ou seja, o jejum com interrupções, pode promover emagrecimento, além de outras vantagens.

O que os pesquisadores estão tentando descobrir é por que o jejum pode ser vantajoso para o organismo e que tipo de benefícios ele traz. Se por um lado o tema ainda gera controvérsias entre os especialistas, por outro, todos são unânimes ao dizer que qualquer estratégia relacionada ao jejum deve passar por rigorosa indicação e acompanhamento com profissional especializado.

De acordo com a médica nutróloga da Associação Brasileira de Nutrologia, Isolda Prado, os estudos com jejum intermitente demonstraram melhora cognitiva. "Que envolve fatores diversos, como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio etc, ou prevenção do declínio cognitivo, por estimular o surgimento de mitocôndrias nos neurônios", explica.

Isolda destaca que na pesquisa, outros dados positivos incluem a melhora do perfil metabólico. "Com melhora dos níveis de glicose sanguínea de jejum e diminuição do tecido gorduroso, com preservação da massa magra, no processo de emagrecimento", relata. O jejum intermitente prevê que o indivíduo permaneça no mínimo 12 horas em jejum, diariamente.

A nutróloga afirma que os estudos com resultados mais positivos impõem um tempo de jejum de 14 a 16 horas diárias, com três refeições na sequência: desjejum ou almoço, almoço ou lanche da tarde e jantar. "Lembrando que é necessário incluir nestas refeições as normas da boa alimentação, seguindo um guia alimentar e uma boa hidratação. Não é porque fez o jejum noturno que vai exagerar nas refeições permitidas, senão a proposta perde todo o valor", alerta a médica.

A PhD em Medicina (Clínica Médica e Ciências Médicas) Izolda Prado, atualmente é professora de Medicina da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), editora-chefe da Revista de Ciências da Saúde da Amazônia e coordenadora da equipe da Técnica de Terapia Nutricional da Fundação Hospital Adriano Jorge.

A nutricionista e Gerente Científico da Divisão Nutricional da Abbott no Brasil, Patrícia Ruffo, preparou cinco dicas sobre como adotar hábitos alimentares mais saudáveis e como cuidar da saúde, confira agora:

1. Procure realizar suas refeições em casa, quando possível.
Comer em casa geralmente aumenta as chances de se ter uma dieta saudável, já que permite controlar os ingredientes das refeições. Uma forma de manter uma dieta saudável é ter sempre alimentos frescos e nutritivos à mão. Muitos deles podem ser congelados ou desidratados, como castanhas, frutas e cereais ricos em fibras.

2. Alimentos para o cérebro porque o que você come importa.
A alimentação tem um papel importante para a saúde cerebral e pode ajudar a prevenir a perda de memória e o declínio cognitivo. Por exemplo, a ingestão de gordura pode afetar a saúde do cérebro, já que dietas ricas em gordura saturada aumentam o risco de declínio cognitivo, enquanto aquelas ricas em gordura monoinsaturada podem promover a saúde cognitiva.

3. Controle mais o peso com alimentação do que com exercícios.
Exercícios são fundamentais para a saúde geral, mas se você acha que é um objetivo difícil demais, inicie primeiro pela alimentação. Ao comparar a dieta com exercícios, a alimentação saudável leva a uma perda de peso maior do que apenas os exercícios, bem como a uma maior perda de massa gorda. Contudo, o estudo realizado pela BioMed Central, também analisou a união da dieta com exercícios e, neste caso, os resultados foram melhores do que os dos grupos que só fizeram dieta ou só realizaram exercícios.

4. Mantenha-se hidratado.
Beber água é importante para a nossa saúde geral e bem-estar, mas novas pesquisas divulgadas no Journal of Human Nutrition and Dietetics (tradução: Jornal de Nutrição Humana e Dietética), mostram que a bebida também pode ajudar com as calorias que consumimos. Além disso, a escolha da água pode ser útil para limitar outras bebidas açucaradas.

5. Controle o estresse com dieta.
Comer por causa do estresse pode ser bom desde que seja feito da maneira certa. Nutrientes como ômega 3, vitamina E, polifenóis que é um composto encontrado em mirtilos (blueberry) e, adivinhou, o chocolate amargo, podem sim reduzir os efeitos negativos do estresse no corpo.

Segundo Patrícia, nutrientes de alimentos saudáveis podem ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo, o que combate os efeitos do estresse. "Uma dieta saudável tem um efeito cascata, pois na medida em que melhora o fluxo sanguíneo, ajuda a levar ingredientes essenciais ao cérebro e a construir uma base sólida para o corpo, reduzindo a oxidação e a inflamação. E isso pode ajudar a diminuir o ganho de peso associado ao estresse", conclui a nutricionista.

Conhecendo as diversas gorduras
3 Gordura monoinsaturada é encontrada em uma série de alimentos como abacate, amêndoas, nozes e peixes como a sardinha, atum e salmão, azeite de oliva, semente de girassol, linhaça e chia.
3 Gordura saturada é encontrada em alimentos de origem animal, como carnes vermelhas e laticínios ricos em gordura.

3 Gordura poli-insaturada é encontrada principalmente em alimentos de origem vegetal como óleos vegetais de girassol, canola, azeite de oliva e frutas secas como castanha do Brasil e amendoim crú.
3 Gordura trans é criada por meio do processamento industrial de óleos.

Comentários (0)

Deixe seu Comentário