Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Centros comerciais com salas vazias

Por: Jefter Guerra jguerra@jcam.com.br
02 Mar 2017, 14h09

Há 20 anos no mercado de aluguéis de pontos comerciais o Centro Comercial Itália vem amargando a desocupação de 16 salas por conta da crise econômica no país.

E neste rumo, vários outros Centros Comerciais de Manaus, principalmente os localizados no conjunto Vieiralves, zona Centro-Sul da cidade, também estão com suas salas desocupadas, entre elas, o Shopping Rio Madeira, e a mais precária situação deles, é a do Norte Shopping CB, que está com 19 salas vazias, com apenas uma loja em funcionamento no térreo do centro.

De acordo com o proprietário do Centro Comercial Itália, o imigrante italiano, Mário Aufiero, 80 anos, a falta de dinheiro está acabando com as compras do povo brasileiro, com isso gerando a desocupação das salas comerciais, porque os locatários não têm como pagar seus aluguéis.

"Vivo aqui no Brasil há 60 anos e nunca tinha visto uma recessão financeira tão braba como essa. Estou revoltado, porque fui o pioneiro em Manaus em abrir um Centro Comercial e hoje estou nesta situação. Naquela época ninguém acreditava que iria dar certo, mas deu.

Hoje, com esta crise, vejo muitos dos meus clientes indo embora sem poder fazer muita coisa, só esperar essa crise passar", lamentou ele.

Aufiero disse que ainda baixou o valor do aluguel, de R$ 4 mil para R$3 mil ou R$ 2 mil, dependo do tamanho da sala, porém, seus clientes não estão aguentando pagar o valor reduzido e acabam entregando o ponto. "O Centro tem 16 salas, mas 9 já estão desocupadas por falta de dinheiro. Ainda tento negociar com eles para que não entreguem o ponto, todavia eles não aceitam a proposta mínima e acabam indo embora. Acho que os políticos acabaram com o nosso país", disse ele.

Locatário
Já um dos locatários do Centro Comercial Itália, o proprietário da loja de roupas e calçados voltado para a moda masculina, Ksktch e Sergio´s, Kenjiró Higashi, disse que o jeito foi pedir uma redefinição do aluguel para o proprietário de Centro, Mário Aufiero, conseguindo apenas 20%. "Senti a crise em 2016, quando houve uma redução de clientes na loja.

E para manter a minha loja funcionando tive que trabalhar na redução de custo, controle de estoque e na redução do quadro de funcionários. Outra estratégia, foi investir na divulgação das lojas nas mídias sociais", resumiu Higashi.

Sem crise
Em contrapartida, lojas mais antigas e com clientes fiéis não sofreram muito a crise econômica que atingiu o país. Este foi o caso da loja Só Festas localizada no Centro Comercial Shopping Madeira, da comerciante Nildes Santos.

Há 11 anos com a venda de produtos para todo tipo de festas, Nildes lembra que só veio entender que a crise passou por sua loja após o fechamento dos balanços das vendas da loja em dezembro do ano passado. "Creio que não foi muito forte, apenas uma queda de 30% nas vendas. Mas como tenho clientes muito fiéis, vejo que não sentimos muito", disse ela.

E sobre o aluguel, Nildes conta que a proprietária do prédio chegou a reduzir os valores do aluguel por três meses, mas este ano de 2017 a mesma disse que não iria reduzir por que também está sentindo a crise.

"Os preços dos aluguéis aqui neste Centro variam de R$ 2.000 até 3.500". E cada loja é um preço, dependo da disposição da vitrine para a melhor visibilidade para o cliente, ou seja, as vitrines mais expostas pra rua são as que custam mais caras', revela a comerciante.

Nildes ressaltou ainda que não faz promoção porque seus preços são bem mais em conta. "Mas outras lojas daqui do centro tiveram que fazer por conta da crise. Acredito que as pessoas gostam da nossa loja, porque os preços são bem conveniente a elas", garantiu ela.

Ex-locatário
Após oito anos pagando aluguel em Centros Comerciais de Manaus, o empresário Glayson Silva, da empresa de informática All Service, disse que decidiu dá um basta nas altas despesas com aluguel e comprar uma casa para fixar o seu negócio. " Esta decisão partiu porque entendi que era mais vantajoso pagar uma casa própria. No Centro, o valor do aluguel começou de R$ 1.400 até R$ 2.500, achei que ficou muito caro pagar.

A empresa teve dois endereços, uma no Centro Comercial Mariana, em frente da Ghioto, e outra em um Centro localizada na rua do Comércio 2, ambas no Parque do Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul de Manaus.

Serviços
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Opinião ACA
De acordo com o presidente da Assembleia Geral da ACA - (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, mesmo com a crise econômica ainda em pauta, muitos empresários já estão acreditando no aquecimento de vários setores. "Acho que parou a imagem ruim que o governo vinha passando sobre a falta de dinheiro, pois os empresários estão construindo, vendendo e ampliando, e isso, acredito que influencia no setor de aluguéis de salas comerciais também", salienta ele.

Bicharra ressalta ainda que neste semestre a situação econômica no país irá estagnar. "Estou confiante neste crescimento por conta da baixa do dólar, da redução dos juros e outros pontos cruciais na economia do país que irão beneficiar a vida dos empresários e de quem deseja investir no comércio em todo o país", sinaliza ele.

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