Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Commodities potencializam exportações

Por: Tânair Maria tmaria@jcam.com.br
02 Mar 2017, 13h56

Em busca da diversificação econômica regional, o Amazonas, estuda o potencial de novas commodities para o mercado internacional. Especialistas afirmam que a mineração ganha força como commodity a partir da nova Matriz Econômica Ambiental, anunciada pelo governo do Estado, que garante a exploração das riquezas naturais de forma sustentável. Já no âmbito federal, com o intuito de alavancar as exportações a partir da ZFM (Zona Franca de Manaus) e assim equilibrar a balança comercial brasileira, o Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) criou o GT (Grupo Técnico) para discutir ações de incentivo à competitividade do modelo ZFM como plataforma de exportação.

No Amazonas, as commodities ainda são incipientes. Com foco no setor de mineração, o nióbio é o principal produto, exportando US$ 807 mil (48 t) em janeiro, um crescimento de 59,3% na comparação com US$ 507 mil (30 t) registrados no mesmo mês de 2016. Enquanto isso, uma das oportunidades do Amazonas para o desenvolvimento de novas commodities está na área ambiental, com os chamados créditos de carbono, diante do rico potencial da floresta amazônica preservada para a inclusão do Estado neste nicho de mercado.

De acordo com o ministro do Mdic, Marcos Pereira, o GT tem um papel importante na consolidação de um espaço central de governo, até então inexistente, para reflexões e discussões sobre as novas commodities a partir da área de abrangência da ZFM. "Temos grandes desafios a enfrentar, um deles é a desburocratização. O trabalho de facilitação de comércio está sendo intensificado no Mdic, porque existe uma relação direta entre eliminação de entraves e aumento da competitividade das exportações", disse.

Segundo Pereira, também serão realizadas alterações nos processos de acompanhamento e fiscalização dos projetos industriais e agropecuários da ZFM para reduzir o prazo médio para a emissão de laudos de operação e produção. "A redução de custos com documentos e procedimentos, em consequência da implantação da janela única brasileira de comércio exterior, pode chegar a US$ 22 bilhões. Além disso, estamos priorizando a simplificação dos procedimentos e a transparência, que serão implementadas ao longo deste ano", afirma.

O governador José Melo está somando esforços com o empresariado local para que o modelo ZFM possa ampliar sua participação no mercado externo, junto aos países vizinhos. "Estamos fazendo um trabalho em conjunto no sentido de que a Zona Franca de Manaus, daqui pra frente, produza tanto para o mercado interno quanto para o externo. Na crise, eu e a Federação das Indústrias e outros grupos de empresários, refletimos que não dá para ficar somente com a demanda interna, afinal estamos cercados de países que vão crescer, em média de 2% no próximo ano, como o Peru, Colômbia, Bolívia e Equador", informou.

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, além de comemorar os 50 anos da Zona Franca de Manaus, mantém o otimismo com a perspectiva das novas commodities regionais. "Nós estamos vivenciando um momento que tem tudo para dar certo. A vinda do ministro do Mdic aqui na Suframa; essa campanha pesada que nós vamos fazer mostrando, definitivamente, para todo o Brasil o que é o Polo Industrial de Manaus e suas vocações para os setores de mineração e do agronegócio", comemora.

Antonio Silva sempre foi um defensor do modelo Zona Franca de Manaus, que além de manter a floresta preservada é o motor da economia na Amazônia, gerando emprego e renda. "Nós acreditamos numa tentativa de preservar aquilo que já está consolidado, enquanto buscamos outras alternativas. Essa é a ideia para que nós possamos conseguir evoluir dentro desse nosso modelo exitoso que é o Polo Industrial Manaus", concluiu.

Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, os alimentos produzidos na região são as potenciais commodities agrárias amazonenses, desde a fruticultura, hortaliças, piscicultura até a pecuária sustentável. "No Amazonas se destacam no setor rural os segmentos da fruticultura (abacaxi, laranja, guaraná, açaí, mamão, cupuaçu, dentre outras), a mandioca que é a atividade que mais ocupa mão de obra no Estado, as hortaliças, a piscicultura que vem apresentando grande crescimento, tendo o município do Rio Preto da Eva liderando o ranking nacional do IBGE de produção de peixes", pontuou. Muni completou a lista citando as fibras vegetais extraídas da malva e juta.

Na avaliação do conselheiro efetivo do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Pedro Monteiro, a descentralização da economia amazonense é o primeiro passo para fortificar a geração de novas commodities. "Acredito que o Amazonas deve realmente rever suas matrizes econômicas, pensando um pouco fora da caixa, neste caso o Polo Industrial, que apesar de ser um modelo brilhante, e de inegável sucesso, não podemos mais ser totalmente dependentes dele como somos hoje. Caso contrário, estaremos sempre sujeitos a quedas bruscas da demanda por seus produtos", disse.

Para o economista, a Mineração ganha força como commodities, no Amazonas, a partir da nova Matriz Econômica Ambiental que garante a exploração das riquezas naturais de forma sustentável. "Acredito que devemos olhar com muita atenção a exploração sustentável de nossas riquezas naturais, em especial a Mineração. O solo amazônico é rico em potássio, terras raras, nióbio, entre tantos outros minérios que o mundo necessita e existe a possibilidade de exploração de muitos desses metais com baixo impacto ao meio ambiente, gerando empregos e desenvolvimento para o nosso Estado", analisou Monteiro.

O gerente do CIN-AM (Centro Internacional de Negócios do Amazonas), Marcelo Lima, explica que apesar do grande potencial para as novas commodities, o único produto comercializado para o exterior é o nióbio. "Nós sabemos que existe potencial para as novas commodities principalmente na área da mineração, porém ainda está numa fase muito embrionária. Não tem como especificar o que nós temos, comercialmente, para negociar. Hoje o que nós temos é só a parte do nióbio".

Segundo Lima, a soja que saí pelo porto de Itacoatiara, município da RMM (Região Metropolitana de Manaus) é produzida no Mato Grosso, região Centro-Oeste do país. Já a madeira perdeu espaço diante das exigências internacionais e certificação. "Aqui no Amazonas nós trabalhamos, por enquanto, com essa parte da mineração e a soja, que apesar de não ser produzida no Amazonas, é exportada via Itacoatiara", completou.

As commodities são fundamentais para países em desenvolvimento de modo geral, sobretudo para os mais pobres ou em crise econômica, como o Brasil. Entre as nações de renda per capita muito baixa as commodities são responsáveis, na média, por mais de 80% das exportações. No Brasil, as commodities são responsáveis por 65% das exportações.

Entre as principais commodities que o Brasil exporta estão o petróleo (commodity que possui características próprias, devido a sua importância global); açúcar; alumínio; café; carnes de boi, porco e frango; tabaco; milho; minério de ferro; soja e suco de laranja.

A vantagem das commodities é que seu preço aumenta consideravelmente quando o mercado internacional exige maiores demandas do produto. No entanto, em cenários de crise global as commodities se desvalorizam, a ponto de prejudicar os lucros das empresas que as produzem.

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