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Alta de 70% no desemprego

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
24 Fev 2017, 13h51

O Amazonas fechou 2016 com aumento de 70% na quantidade de pessoas desocupadas na comparação com o último trimestre de 2015, aponta dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados nesta quinta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ao todo, o desemprego atingiu 261 mil pessoas colocando o Estado com o quinto maior índice do Brasil. Em relação ao mesmo período de 2015, a população desempregada ou desocupada era de 153 mil amazonenses. Já comparado com o trimestre anterior, a variação foi de 8,6%, quando o resultado apontou que 240 mil pessoas estavam sem emprego.

O presidente da assembleia geral e do conselho superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, reforça que o resultado mostra que a região Norte foi uma das mais prejudicadas com a crise, principalmente o Amazonas devido as atividades do comércio e PIM (Polo Industrial de Manaus). "O nosso Estado sofre duplamente com o cenário econômico, porque quando a indústria demite o comércio sente de imediato. O índice mostra que mesmo com contratações acanhadas, houve mais demissões e as mulheres são as mais prejudicadas com isso", avalia. Conforme indicadores do PIM, entre janeiro e dezembro de 2016 foram contabilizados mais de 85 mil empregados entre efetivos, temporários e terceirizados. Em 2015, esse número era mais de 100 mil.

Segundo o IBGE, o Amazonas encerrou 2016 com 261 mil desempregados, alta de 70% em relação ao ano anterior. Em 2015, eram 153 mil sem exercer atividade remunerativa no Estado, resultado que em números reais mostra que o Amazonas teve 108 mil novos trabalhadores desempregados de um ano para outro. Já a taxa de desocupação ou desemprego foi de 14,8%, a maior já registrada no Amazonas. Se comparado ao mesmo trimestre de 2015, quando a taxa atingiu 9,1%, a variação foi de 5%.
A pesquisa registrou também que a média de pessoas desocupadas em 2016 foi de 240 mil. Já em 2015 esse número ficou em 161 mil, em 2014 foi de 128 mil e em 2012 foi de 152 mil.

"De 2016 para 2015 o aumento foi de 49,5%, a maior de um ano para outro desde o início da série", informou o IBGE. Referente a taxa de desocupação, 2016 ficou em 13,6% que se comparada com a média de 2015 (9,5%) foi maior com uma variação de 4%.

Ocupação
Segundo dados do IBGE, no Amazonas, o número de pessoas ocupadas no último trimestre de 2016 foi de 1.498 mil. A variação em relação ao trimestre anterior foi de -2,1%. Já com relação ao mesmo trimestre de 2015, a variação foi de -2,4% representando menos 36 mil postos.

O índice da população ocupada foi estimado em 1.529 mil pessoas durante 2016.

Este número foi menor que 2015 quando a média foi de 1.532 mil (-0,2%). Em relação a 2014 quando do início da crise econômica, o crescimento foi de apenas 7 mil pessoas (0,4%).

Já o nível de ocupação que representa o percentual de pessoas ocupadas em relação as pessoas em idade de trabalhar chegou a 52,8% no quarto trimestre, com uma variação de -1,2% em relação ao trimestre anterior e -1,8% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No último trimestre de 2016, o número de pessoas empregadas com carteira de trabalho assinada no Amazonas foi de 335 mil contra 367 mil no mesmo trimestre de 2015, uma redução de 32 mil pessoas.

Já o número de trabalhadores por conta própria, passou de 119 mil no terceiro trimestre de 2015 para 148 mil no mesmo trimestre de 2016, um acréscimo de 24% ou 29 mil pessoas.

O trabalhador doméstico passou de 63 mil para 64 mil no mesmo intervalo de período, representando uma queda de 1,6% equivalente a mil pessoas.

Ainda de acordo com a pesquisa, os empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada caíram 15 mil pessoas em relação ao trimestre anterior (6,3%). A ocupação passou de 244 mil pessoas no terceiro trimestre de 2015 para 229 mil no mesmo período em 2016.

Setores
Agricultura, o comércio e a indústria foram os setores que mais empregaram no último semestre de 2016 com 571 mil postos, revela a pesquisa. Em 2015 eram 301 mil pessoas ocupadas e em 2016 foram 309 mil no grupo de atividade que inclui a agricultura, um aumento de 2,7% ou 9 mil vagas. Ainda conforme dados, a indústria registrou queda de 11 mil postos, quando caiu de 179 mil postos em 2015 e marcou 168 mil no ano seguinte. O setor de comércio por sua vez, teve uma redução de 2 mil pessoas ao cair de 288 mil para 286 mil no mesmo trimestre de 2015. Já o setor que apresentou a maior queda foi da Construção, com 20 mil postos a menos. No ano anterior foram 114 mil e reduziu para 94 mil em 2016, resultando em -17,8%.

Rendimento médio
Apesar da agricultura ter se destacado como a atividade que mais empregou em 2016, foi também a que pior remunerou seus trabalhadores, atingindo R$ 499. Seguido dos trabalhadores domésticos com R$ 706. Já a administração pública teve remuneração média de R$ 2,757,00, seguida do setor de informação que atingiu R$ 1.899,00.

A perda dos postos de trabalho também influenciou na perda do poder de compra dos amazonenses. Houve redução de 14,5% na massa de rendimento real, na comparação entre o último trimestre de 2015. Ao todo, R$ 359 milhões deixaram de ser injetados na economia do Amazonas. Referente ao rendimento médio real habitual dos trabalhadores amazonenses ficou na média de R$ 1.570 com menos R$ 185,00 em relação a igual período de 2015, quando a média era de R$ 1.755.

Manaus e Região Metropolitana
Para Manaus a taxa de desocupação alcançou 18,8% no 4 trimestre de 2016, um aumento de 2,1 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Na comparação com igual trimestre do ano passado o aumento foi de 8%. Em relação a RMM (Região Metropolitana de Manaus), a taxa de desocupação no último trimestre foi de 17,9%, o que representou um aumento de 2 pontos em relação ao trimestre anterior. Na comparação com igual trimestre do ano passado o aumento foi de 7,8%.

Comentários (1)

  • Ciene Rodrigues27/02/2017

    O governo deveria há muito tempo ter investido mais no turismo e não ficar confiante apenas em polo industrial.
    Agora é correr atrás do prejuízo pra não nos tornarmo um porto de lenhas :(

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