Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Mercado disputado onde os fracos não têm vez

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
20 Fev 2017, 14h18

Houve um tempo em que as marcas locais de refrigerantes (de guaraná e sabores) tiveram distribuição nacional e experimentaram um relativo sucesso no mercado das tubaínas, os refrigerantes de fabricação regional. As marcas Baré, Tuchaua, Real e Magistral foram as mais bem sucedidas e hoje ainda encabeçam as vendas locais. Atualmente essas marcas estão associadas comercialmente a grandes fabricantes e, diferente do que pode parecer, isso não facilitou a distribuição e estas atendem apenas a mercados próximos.

Mercado acirrado
Voltar ao mercado nacional e cada vez mais globalizado é uma tarefa árdua e um motivo de entrave ao fortalecimento de campanhas do tipo, explica o publicitário Johanes Gonçalves. "As marcas locais não parecem interessadas em sair da sua zona de conforto que é o mercado local.

Expandir suas marcas em outros mercados exigirá um trabalho árduo para que possam desenvolver seus produtos.

Isso requer investimento alto, tanto na implementação do produto, divulgação e distribuição. E as marcas locais não se sentem encorajadas em fazer ou de pelo menos buscar parceiros/sócios para estes mercados", sustenta Gonçalves.

Com as marcas locais se adequando aos novos tempos e tendências, de novos formatos e embalagens, os layouts também foram afetados. "Aos poucos os elementos regionais foram sendo retirados, ficando ícones mais facilmente identificáveis.

As frutas de guaraná nas embalagens foram estilizadas ou praticamente sumiram. Mas o exótico ainda é um grande atrativo, basta saber trabalhar com esse elemento", explica o profissional.

Pequenos se mobilizam
Estar ligado a grandes fabricantes não garante distribuição nacional, mas já há uma movimentação dos pequenos, conta Gonçalves. "Em regra geral há um acerto verbal por essas grandes empresas de restringir mercados, porém a marca maranhense Jesus (que hoje é vinculada a Coca-Cola) é encontrada nos supermercados. Então, já se vê que algumas marcas controladas pelas gigantes começam a se mexer para outros mercados e isso pode remodelar o segmento e obrigar os pequenos fabricantes a se fundirem ou então associarem com outros conglomerados do mercado nacional e internacional", disse.
Uma tendência de mercado parece ser animadora para as marcas pequenas, é o nicho de consumidores gourmet e curiosos. "É um nicho vantajoso para as marcas 'underground' que buscam esse exotismo e a simplicidade de pequenas fábricas. Há uma linha de empreendedores que busca uma gourmetização das bebidas de outras regiões e em mercados como o do Centro-Sul, o guaraná tem um alto valor, o que permite que um pequeno produtor de guaraná em Maués exporte para São Paulo seu produto engarrafado e pronto pra beber", ressalta Gonçalves.

Então o mercado é mais acessível para os pequenos? O publicitário responde: "Para pequenos mercados, sim. E nossas 'grandes' marcas também têm espaço e um dia poderão ser encontradas em supermercados. Mas tem que saber desenvolver um trabalho de implementação.

Colocar um produto requer um marketing promocional intenso e bem trabalhado, saber escolher seus distribuidores e trabalhar todas as etapas de venda com seus pontos de venda (supermercados, hipermercados). É um árduo trabalho. A Coca-Cola não chegaria a nenhum lugar do planeta se o mercado fosse pensado como impossível", conclui.

Guaranás sabor infância

Baré
Uma de nossas marcas mais conhecidas, o guaraná Baré, está no mercado desde a década de 1960 e se popularizou nacionalmente a partir de 1987, ano em que a marca lançou refrigerantes no sabor cola e tutti-frutti. Um pouco adiante no tempo essas opções foram descontinuadas. Atualmente, a marca é da AmBev e sua distribuição está limitada à região amazônica. Em 2010 o Baré passou a ser envasado em latas de 350 ml e alinhou a comunicação visual em todas as embalagens.

O Baré ainda pode ser encontrado no Acre, Maranhão, Pará, Rondônia e em Brasília (DF). Suas versões cola e tutti-frutti chegaram a ser distribuídas em Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No segmento das bebidas gourmets, o Baré é muito lembrado por mixologistas e bartenders.

Real
O guaraná Real é do grupo Santa Cláudia, que opera no PIM (Polo Industrial de Manaus) desde 1964. Em sites especializados em guaranás e tubaínas, o Real, em sua versão clássica, é considerado um dos melhores refrigerantes do Brasil por ser produzido com extrato de guaraná natural, ter pouco açúcar e um fundo amargo, que lembra os 'bitters' (amargos) internacionais, sendo recomendado para adultos. O Real pode ser encontrado no oeste do Pará, em Roraima e no Acre.

Tuchaua
O Tuchaua está no mercado desde 1944 e seu nome indígena pode ser traduzido livremente para "aquele que manda", "quem tem influência", "o manda-chuva". A marca foi adquirida pela Coca-Cola e curiosamente no Estado do Pará é com esta a maior briga pelo mercado, chegando a superar a multinacional muitas vezes e empatando com a marca paraense Cerpa Cola.

Magistral
Produzido pela J. Cruz Indústria e Comércio Ltda, que se intitula a mais tradicional indústria de refrigerante de guaraná do Amazonas, o Magistral é outra tradicional marca que se modernizou, mudando de formato e de design. Outra marca de refrigerante do grupo, o Regente, também vem acompanhando os novos tempos. Os produtos Magistral podem se encontrados em vários municípios do Amazonas e também nos Estados de Roraima e sul do Pará.

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