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Modernização ainda é desafio

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
17 Fev 2017, 15h10

Deixar o extrativismo e processos ultrapassados para entrar no gigante mercado do agronegócio é um dos desafios do Amazonas. Para alcançar esse mercado e até mesmo garantir a autossuficiência, os produtores do Estado enfrentam a falta de crédito ou a dificuldade de obtê-lo, além da falta de capacitação para a implantação de novos processos. Especialistas analisam as razões que entravam o Estado de alcançar a modernização necessária, apesar do cenário favorável que se abre.

Dispor de crédito facilitado pode ser o impulso que falta ao setor primário amazonense, conta o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço. "Temos o aceno positivo de instituições bancárias, principalmente as oficiais como a Caixa, o Banco do Brasil, o Basa (Banco da Amazônia) e na esfera estadual a Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) na facilidade de acesso ao crédito. Para o Amazonas, o Basa é um dos melhores exemplos do fomento à produção agrícola e pecuária, ao renegociar dívidas e dar descontos ao produtor rural na quitação de dívidas", afirma.

Comitê estratégico
Outra ação lembrada por Lourenço foi a criação do Comitê Estratégico de Apoio aos Produtores Rurais pela Faea junto a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), por meio do CIN-AM (Centro Internacional de Negócios do Amazonas). "O comitê tem funcionado e temos reuniões mensais visando futuras inserções no mercado exterior. Para isso o fomento para a modernização é sempre necessário. Enquanto isso, aliamos o produtor rural ao PIM (Polo Industrial de Manaus) no fornecimento às cozinhas das indústrias, o que gera a busca por modernização dos processos para melhor atender", comenta.

Também citando o comitê como agregador para a tomada de iniciativas e responsável por resultados positivos do agronegócio amazonense, o analista de operações da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) -Superintendência Regional Amazonas, Thomaz Meirelles, ainda espera maior adesão dos produtores, entidades apoiadoras e instituições de crédito.

"Todos os atores do setor primário precisam fortalecer esse comitê. Em 2016, alguns resultados positivos já foram alcançados, mas só a nossa união e a presença nesse novo ambiente de debates, poderá viabilizar novas conquistas. Como um passo na direção dessa modernização, já temos marcada para hoje (14), o primeiro encontro de 2017, que terá como pauta o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia)", ressalta Meirelles.

Disparidade entre Estados
Na posse do novo superintendente regional do Basa no Amazonas, no início de fevereiro, a instituição anunciou para a região a concessão de crédito em várias linhas, em valores que ultrapassam os R$ 1,2 bilhão, com boa parte dos recursos sendo destinado ao setor primário por meio do FNO (Fundo Constitucional do Norte).

Para Meirelles, a mobilização do setor primário poderia criar um ambiente para a modernização, sendo imprescindível o debate sobre a aplicação dos recursos.

"É fato que o FNO tem dinheiro, e que a burocracia atrapalha. Mas qual a razão do Pará ter acesso bem superior ao nosso Estado se a burocracia é a mesma? Esse é o grande nó que impede o Amazonas de acelerar o crescimento fortalecendo o interior, principalmente no setor primário", disse.

Em 2016, o Amazonas recebeu do FNO R$ 22.442.692,78, um valor muito inferior ao recebido por Rondônia e Pará, (com R$ 367.104.442,26 e R$ 324.087.876,13, respectivamente). Segundo o analista, o Basa além de anunciar os recursos, deveria explicar a diferença nos valores. "O Amazonas tem um desempenho ridículo na questão de crédito rural e o banco deve responder o porquê da enorme superioridade de recursos injetados no Acre, Pará, Rondônia e Tocantins, característica também notada em anos anteriores", questiona Meirelles. Abaixo do Amazonas ficaram Roraima com R$ 10.465.002,07 e Amapá que recebeu R$ 8.082.276,99. "Preservamos 98% das florestas, mas não foi para o caboclo ficar sofrendo no interior, sem acesso ao crédito", reclama.

Jornadas de desenvolvimento
Segundo o presidente da Faea, o setor primário tem estado alinhado com a busca da nova matriz econômica e sustentável proposta pelo Estado. "O tema é sempre presente em nossas agendas e desde as Jornadas de Desenvolvimento de abril do ano passado, já percebemos algumas mudanças, para melhor, no setor primário.

Tivemos um fortalecimento de segmentos como os de fruticultura, piscicultura e pecuária sustentável, que são prioritárias no Estado", afirma. Mas Lourenço lembra que os primeiros sinais de avanço são um pouco anteriores a isso.

"O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2015, havia incluído o município de Rio Preto da Eva no ranking nacional da piscicultura e pela primeira vez estivemos acima de todos os outros polos produtores. Um sinal da modernização dos processos produtivos do setor no Amazonas", ressalta.

Conservação e energia limpa
Uma parceria entre o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), por meio da Coordenação de Políticas e Comunidades Tradicionais e o WWF, instalará em junho próximo uma fonte de energia solar para abastecer as reservas extrativistas Médio Purus e Ituxi (Resex), no Amazonas.

Com isso, uma fábrica de gelo deve ser reativada para conservar a produção de peixes e frutas.

Para o gestor do ICMBio na Resex de Médio Purus, José Maria Ferreira de Oliveira, a energia limpa nas comunidades extrativistas trará tranquilidade, segurança, fartura e economia. "Isso vai gerar autonomia e impulsionar novas atividades produtivas além de melhorar e muito a qualidade de vida de cada morador."

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