Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Indústria fecha ano em baixa

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
08 Fev 2017, 00h08

Nos últimos doze meses, a produção industrial do Amazonas registrou o segundo pior desempenho do país aponta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Segundo os dados divulgados nesta terça-feira (7), a indústria amazonense recuou 10,8% em 2016. O resultado ficou atrás apenas do Espírito Santo com queda de 18,8%. Já a média nacional foi de -6,6%. O setor também fechou o ano em dezembro com retração de 2%, na comparação com o mês anterior. Apenas na comparação com dezembro de 2015, o Amazonas cresceu e avançou 3%, com seis das dez atividades pesquisadas assinalando aumento na produção.

De acordo com o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, os índices negativos foram gerados pela crise aguda que teve pico nos últimos anos no Brasil. "Infelizmente é a realidade do nosso país e o cenário continua preocupante de modo geral. Este ano ainda será difícil porque nem todos os setores estabilizaram", disse.

Segundo o IBGE, o índice acumulado de janeiro a dezembro de 2016 apontou redução de 10,8%, terceiro ano seguido com taxa negativa. No entanto, o resultado tem menos perda acentuada do que 2015, quando registrou -17,2%. Com mesmo índice acumulado nos últimos doze meses, o setor manteve a trajetória ascendente verificada em junho de 2016 (-18,1%), julho (-17,1%) e agosto (-16,6%) e, assinalou a taxa negativa menos elevada desde março de 2015 (-10,7%). Em relação a novembro de 2016, a indústria do Estado registrou queda de produção na ordem de 2%, depois de avançar 4,1% no penúltimo mês do ano. Já a nacional assinalou crescimento de 2,3.

O vice-presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Eletroeletrônico e Similares de Manaus), Celso Piacentini, reforça que os indicadores negativos da produção industrial não são surpresa para o setor. "O resultado já era esperado e é reflexo do momento de crise que o Brasil ainda está se recuperando. O produto de consumo do PIM (Polo Industrial de Manaus) é o primeiro que sente e o último a se recuperar na economia por não ser prioridade para o consumidor", afirmou.

Por outro lado, na comparação com dezembro de 2015, a produção registrou alta de 3%, após também crescer em novembro (4%), quando interrompeu 31 meses de taxas negativas consecutivas neste tipo de confronto. Nesse período, o setor industrial registrou aumento na produção nas seis das dez atividades pesquisadas. "Não pode dizer que é tendência e para falar que vai se recuperar, tem que ter no mínimo três períodos (meses) seguidos de um perfil de alta", explicou Piacentini.

Menor produção de motocicletas afetou a cadeia local
De acordo com a pesquisa, de janeiro a dezembro de 2016 sete das dez atividades analisadas tiveram queda na produção industrial do Amazonas. Os setores de outros equipamentos de transporte (-28,4%) e de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-16,9%) exerceram as influências negativas mais relevantes sobre o total da indústria, pressionados, em grande parte, pela menor produção de motocicletas e suas peças.

Também tiveram recuo os setores de máquinas e equipamentos (-53,2%), de produtos de borracha e de material plástico (-10,2%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-11,8%), de indústrias extrativas (-5,0%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,5%), explicados, em grande medida, pela menor produção de aparelhos de ar-condicionado de paredes, de janelas ou transportáveis (inclusive os do tipo "split system").

Em contrapartida, o único impacto positivo veio do ramo de bebidas (1,4%), impulsionado, especialmente, pela maior produção de preparações em xarope para elaboração de bebidas para fins industriais.

Segmentos
Segundo o levantamento do IBGE, seis das dez atividades pesquisadas assinalaram aumento na produção se comparado a dezembro de 2015. O setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (29,9%) exerceu a contribuição positiva mais relevante sobre o total da indústria, impulsionado, em grande parte, pela maior produção de televisores.

Vale mencionar ainda os avanços vindos dos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (5,9%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (31,6%), de produtos de metal (7,8%) e de impressão e reprodução de gravações (17,9%), explicados, em grande medida, pela maior produção de gasolina automotiva.

Por outro lado, setores de outros equipamentos de transporte (-35,4%), foram o principal impacto negativo pressionado, especialmente, pelos itens motocicletas e suas peças. E ainda o recuo vindo de indústrias extrativas (-6,3%), explicado, principalmente, pela menor produção de óleos brutos de petróleo.

Expectativa
Na avalição de Nelson Azevedo, mesmo com o cenário de instabilidade econômica, alguns empresários já estão animados com as medidas anunciadas pelo governo federal. "No entanto, temos que aguardar os efeitos na economia e isso só deve acontecer no próximo ano. Até agora, alguns setores se estabilizaram como bens de informática, mas outros não tiveram a mesma sorte. Vamos torcer para, a partir do mês de março, os elementos motivadores da crise tenham se estabilizados, para então no segundo trimestre termos uma melhora e consequentemente no segundo semestre do ano alguma estabilização, mas não recuperação", projeta o empresário.




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