Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Plantas oferecem oportunidade

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
04 Fev 2017, 13h28

Para muitos os recursos naturais é considerada única fonte de cura e para outros, um auxílio nos tratamentos de problemas de saúde. A lista varia entre asmas, artrites, diabetes, mioma, endometriose, pedra no rim e vesícula, hepatite e gordura no fígado entre outras.

Referência no assunto, o Pesquisador e Botânico do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Juan David Revilla Cardenas, desenvolve há quase quatro décadas um trabalho de pesquisa e orientação do uso de plantas medicinais de valor econômico no tratamento alternativo para inúmeras doenças.

Segundo o pesquisador, a biodiversidade do Amazonas oferece muitas alternativas de plantas terapêuticas, mas apenas 10% são utilizadas e comercializadas no mercado. Entre as plantas de maior representatividade da diversidade e eficácia estão uxi amarelo e unha de gato. "A partir do conhecimento popular houve pesquisas e estudos para identificar a composição química e o princípio ativo dessas plantas. É essa junção de conhecimentos que nos permite comprovar a eficácia dos remédios naturais", afirmou Revilla.

De acordo com o pesquisador, os tratamentos mais procurados são de cistos nos ovários, miomas, nódulos nos seios e endometriose, que representam 40% dos atendimentos. Ao todo, aproximadamente 25 mil pessoas já foram orientadas por ele. Para Revilla, o que impede os remédios naturais de ganharem produção em larga escala é o interesse das instituições governamentais em investir no negócio, além da falta de união entre os laboratórios e as pesquisas desenvolvidas. Outro gargalo seria o território do Amazonas, que precisa de tempo e recursos em direção a certas localidades para realizar pesquisa de campo.
No entanto, o seu maior desafio é a implantação de um hospital de medicina alternativa mantido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a exemplo do que existe em Goiânia. "Tínhamos que ter um hospital de medicina alternativa para ajudar o povo a se beneficiar e incentivar a produção. Nós estamos perdendo tempo e o mais triste é o desmatamento que diminui o número de espécies que são perdidas sem estudos", argumentou. Desde 2004, o botânico desenvolve o projeto do Centro de Treinamento de Produtores Rurais em Negócios Sustentáveis em Manaquiri (a 60 quilômetros de Manaus), que poderá ser fornecedor de matéria-prima para os fitoterápicos dispensados no hospital.

Revilla ainda afirmou que as ervas poderiam ser uma excelente alternativa de recursos para a população do interior do Estado. "Valorizar o potencial para trabalhar com a planta e manejo a fim de comercializar. Assim entrando nos arranjos produtivos, melhora a renda e ainda preserva a floresta. Dessa maneira a nossa biodiversidade seria utilizada por todos", destacou.
Não é novidade que os tratamentos alternativos com o consumo de ervas, madeiras e preparos como xaropes e as conhecidas 'garrafadas', cada vez vem ganhando adeptos e são comercializados em feiras no Centro cidade. Mas o pesquisador alerta quanto ao cuidado no uso dessas substâncias compradas nesses locais. "O comércio da feira não tem a segurança e não recomendo comprar porque você não sabe como foi feito e nem a real validade".

Referente aos remédios que prometem a cura do câncer, AIDS e até da depressão, Revilla é contra o uso. "Nesse sentido está errado porque não tem histórico e nem justificativa técnica", concluiu o pesquisador.

Saúde natural online
Desde 2009 a empresa Amazonprodutos (@amazonprodutos) investe no mercado de remédios naturais. Com um portfólio de mais de 200 produtos, todos extraídos da maior biodiversidade do mundo, a loja virtual aposta no envio para todo o Brasil. A empresa mantém parceria com as maiores indústrias do ramo da região Amazônica, a fim de disponibilizar aos clientes produtos de qualidade e com eficácia comprovada. "Por isso só revendemos produtos de empresas que tenham registro de fabricação autorizada pelo Ministério da Saúde", afirmou o gerente de vendas Paulo Costa.

De acordo com ele, entre os produtos mais procurados estão guaraná em pó usado como energético, além das plantas medicinais como unha de gato e uxi amarelo para tratar miomas e cistos. Ainda tem o mulateiro indicado principalmente para tratamento estético e miraruira usado por quem tem diabetes. Paulo lembrou que não é recomendado o abandono do tratamento clínico.

Além de plantas medicinais, a loja vende cremes, sabonetes, shampoo, óleos, gel, chás e cerca de 90% dos produtos vão para fora do Amazonas rumo a Estados como São Paulo e Minas Gerais. "Aqui tem muita diversidade e concorrência no mercado por isso apostamos nas redes sociais para ampliar a nossa clientela. Além disso, o público de fora visa mais os nossos produtos do que os manauaras e vice-versa", disse. O gerente conta que dos 200 produtos disponibilizados pela empresa, a metade vem de outros centros brasileiros, como no caso dos encapsulados.

O gerente ainda afirmou que o mercado local de remédios naturais está em constante evolução, mas que ainda existem entraves a serem vencidos como a desburocratização para produzir um produto natural e a acessibilidade no registro.

Médicos atentos aos tratamentos alternativos
De acordo com o Presidente do Simeam (Sindicato dos Médicos do Amazonas), Mário Vianna, atualmente a maioria dos especialistas veem com bons olhos os tratamentos alternativos, desde que tenham um trabalho científico comprovando a eficácia e princípios ativos do produto. Ele comenta que o Conselho de Medicina e o SUS também aceitam o tratamento e reforça que algumas capitais do país já possuem farmácias derivadas da flora medicinal. "Mas precisa haver esse estudo prévio de medicamentos sedimentados para identificar se existe componentes tóxicos que podem fazer mal a saúde dos pacientes", analisou. Segundo o médico, mesmo com a eficiência comprovada de algumas plantas é preciso ter cautela e procurar um médico experiente.

Para Vianna um modo de ampliar o uso dos remédios naturais no ambiente médico, seria por meio de incentivo sobre o assunto nas faculdades. "Se elas adotassem na sua matriz curricular os tratamentos terapêuticos e a proposta alternativa de resultados com menores custos, certamente ajudaria a disseminar essa questão", disse. O especialista também acredita que a adesão ao uso de remédios naturais impactaria na preservação ambiental.

Na avaliação do presidente do Simeam, o Amazonas perde com o desinteresse nos produtos naturais, uma vez que são mais baratos que os industrializados. "Falta o poder público valorizar o que temos e vejo isso como puro interesse econômico. Há grandes multinacionais que usam os produtos tirados das nossas plantas, depois voltam com outros nomes a um custo elevado, ou seja, acho que existe uma pressão da indústria dos medicamentos muito grande para que isso não ocorra", afirmou Vianna.

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