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Feriados acendem alerta no varejo

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
03 Fev 2017, 15h01

O ano de 2017 está repleto de feriados prolongados e a estimativa do comércio varejista amazonense é que o setor amargue prejuízos no faturamento. Entre feriados nacionais, estaduais e municipais durante os dias úteis, Manaus deve ter 14 dias sem trabalho e se forem imprensados, as folgas durante a semana podem chegar a 22 dias neste ano. Segundo empresários, a projeção para este ano é que as vendas sejam equilibradas se comparadas a 2016 podendo haver leve melhora, mas ainda resultando em saldo negativo.

Segundo o economista da Fecomércio (Federação do Comércio do Amazonas), José Fernando da Silva, as folgas prolongadas são uma preocupação por trazer grandes prejuízos para o comércio de Manaus e do país. "Conforme dados, o Brasil terá uma perda de R$ 20 bilhões este ano e com a economia local não será diferente, porque a cada feriado prolongado o comércio não fatura, a indústria paralisa e o Estado não arrecada", afirmou o especialista.

De acordo com o economista, a estimativa é que as perdas maiores para o comércio são em feriados que caem na sexta-feira devido as pessoas aproveitarem esse intervalo para viajar e descansar. "O ideal é transferir um feriado imprensado na sexta-feira para a segunda-feira com intuito de tentar reduzir as perdas", avaliou José Fernando. Segundo análise, quando o feriado é na quarta-feira, o comércio perde 50% das vendas, se for na segunda, a retração no faturamento chega a 70% e já na sexta é pior ainda para todos os segmentos.

Durante 2017 dos 11 feriados nacionais, quatro caem em dias que podem ser emendados ao fim de semana. Como o de Corpus Christi, celebrado em 15 de junho, Dia da Independência do Brasil em 7 de setembro, 12 de outubro, quando se comemora o Dia da Padroeira do país e 2 de novembro, Dia dos Finados, todos cairão em uma quinta-feira. O mês de setembro deve garantir uma longa folga, por conta do feriado estadual do dia 5 numa terça-feira e o feriado da Independência (7) na quinta.

Outros dois feriados estaduais, também devem cair durante os dias úteis, como o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, na segunda e no dia 8 de dezembro, sexta-feira, feriado estadual e municipal, por conta da padroeira Nossa Senhora da Conceição. E ainda tem a celebração de Manaus à categoria de Província (24) de outubro, na segunda-feira.

A saída que o comércio varejista encontra para driblar essa longa parada é tentar tomar fôlego para as vendas, adotando estratégias de promoções, descontos e facilidades para atrair os consumidores.


Outro lado
Já na avaliação do presidente do Conselho Superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, os feriados prolongados impulsionam o comércio amazonense. Ainda sem projeção de faturamento, o representante espera que o consumidor aproveite os dias de folga deste ano para ir às compras, contribuindo no aumento da produtividade da economia local. Segundo Bicharra, com o dólar ainda em alta muitos amazonenses têm deixado de viajar para o exterior e optado em ir aos grandes centros de compras da cidade.

"Manaus é diferente do resto do Brasil, porque somos uma ilha com pouca opção de transporte para a saída rumo a outras capitais e países. Aqui os feriados costumam ser bons e alguns chegam a ser o melhor dia do ano, como aconteceu em 2016. Principalmente quando as pessoas recebem próximo desse intervalo oficial gerando um aumento no volume de vendas do comércio", analisou. Referente aos trabalhadores das lojas que funcionam durante os feriados, Bicharra comenta que, normalmente as empresas têm banco de horas e acabam compensando em dias de menores movimento. Na avaliação do empresário, os funcionários acabam sendo beneficiados com o faturamento nas vendas. "Se for analisar que o comércio trabalha por comissão, trabalhar nessas folgas acaba sendo benéfico também para o trabalhador", destacou.

Para o empresário até o segundo semestre de 2017, a estimativa é que ainda será considerado difícil para a economia do Amazonas. "Estamos esperando um início de ano ruim e somente a partir de junho poderemos sentir os reais efeitos das medidas que estão sendo tomadas pelo governo federal, como a queda de juros e desemprego, a volta da confiabilidade do consumidor e empresários. Além da retomada dos investimentos internacionais. Com tudo isso, a expectativa é que este ano seja equilibrado com 2016, mas feche um pouco melhor, no entanto com saldo ainda negativo", projeta Bicharra.

Queda em janeiro
As ocorrências de chuvas constantes prejudicaram as vendas na capital. Lojistas da área central, dos bairros e até mesmo dos shoppings registram quedas nas comercializações, no primeiro mês do ano. Segundo Ismael Bicharra, os fatores climáticos somados à sensação de insegurança, decorrente de assaltos e os chamados 'arrastões', resultaram na retração do consumidor, que evitou ao máximo se deslocar ao comércio. De acordo com o empresário, mesmo sem um balanço oficial relacionado à queda nas vendas no mês de janeiro, a projeção é de queda entre 7% e 10% em relação ao mesmo período do ano passado.

"Se formos analisar o faturamento em 2016, vamos ver que foi um ano muito difícil para todos os setores econômicos. Já no primeiro mês de 2017 tivemos o agravante de fugas dos presídios e arrastões que provocaram queda violenta nas vendas, porque as pessoas deixaram de ir aos centros comerciais. Além da insegurança, tivemos as fortes chuvas que somados devem provocar essa queda nas vendas", argumentou o presidente do Conselho Superior da ACA.

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