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Paraguai e insegurança minam ZFM

Por: Tânair Maria tmaria@jcam.com.br
13 Jan 2017, 15h01

Em novembro, o resultado positivo no faturamento do PIM (Polo Industrial de Manaus), 6,25% na comparação com o mês anterior, aponta o início de uma leve recuperação da economia. Mas, especialistas advertem para duas situações que podem colocar em risco a ZFM (Zona Franca de Manaus): a primeira diz respeito à segurança jurídica para garantir a retomada dos investimentos aliada à desburocratização da máquina pública referente aos PPB (Processos Produtivos Básicos). Já a segunda vem do país vizinho, Paraguai, que está atraindo empresas brasileiras com promessas de vantagens fiscais, produção de baixo custo e, principalmente, sem nenhuma burocracia. Entre mais de 130 empresas estrangeiras em operação no Paraguai, 96 são brasileiras. Uma ameaça eminente para a ZFM, o modelo brasileiro exitoso de desenvolvimento regional sustentável.

De acordo com o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional do Economia no Amazonas), Nelson Azevedo, entre a lista de prioridades para iniciar o processo de recuperação da economia local está na segurança jurídica. "Primeiro que resolva esses problemas de PPB, lamentavelmente, é um transtorno para nós aprovarmos um projeto. Que a Suframa recupere sua autonomia e tenha regularidade nas reuniões bimestrais do CAS (Conselho de Administração da Suframa) e o mesmo no âmbito do governo do Estado", salientou.

Dar celeridade nas decisões governamentais, favorecendo a implantação, ampliação, modernização e diversificação das empresas no PIM, faz parte das recomendações do economista, Nelson Azevedo. "Nós não queremos que ocorram irregularidades ou ilegalidades, mas nós queremos celeridade porque negócio é uma questão de oportunidade, hoje é bom amanhã poderá não ser", alerta.

Azevedo também alerta para os riscos vindos do Paraguai. "E nós temos mais uma questão que conspira contra a Zona Franca: hoje o Paraguai está com propaganda forte dentro do Brasil. Já são mais de 130 empresas estrangeiras no Paraguai, das quais instaladas e funcionando 96 são empresas brasileiras", salientou. Significa dizer que o governo paraguaio usa o Mercosul, que possibilita uma carga tributária reduzida. "Então, nós não podemos trazer obstáculos para atrairmos investimentos aqui na nossa Zona Franca de Manaus e fortalecer o nosso polo industrial", frisou.

O governo paraguaio busca incentivar a geração de emprego e renda, além de legalizar as empresas informais no país vizinho. Hoje, mais de 70% da população paraguaia, de 6,8 milhões de habitantes, tem menos de 30 anos e boa parte ainda atua na informalidade. A lei da maquila, existe desde 1997, garantindo aos investidores brasileiros o pagamento de somente 1% de tributo para as empresas que se instalarem no Paraguai e exportarem 100% da produção para o Brasil.

Novembro estranho
Com faturamento de R$ 7,19 bilhões (US$ 2.22 bilhões) em novembro de 2016, o PIM (Polo Industrial de Manaus) registra o melhor desempenho mensal do ano passado. Mesmo diante da crise que vem assolando a economia do país o crescimento foi de 6,25% na comparação entre novembro e outubro de 2016, contrariando de forma positiva, a tendência de queda no faturamento registrada desde 2013.
No entanto, os dados dos Indicadores de Desempenho do PIM demonstram que no acumulado de janeiro a novembro, R$ 67,9 bilhões (US$ 19.8 bi), houve queda de 7,51% na comparação com igual período de 2015. Em dólar a queda foi mais acentuada (12,15%). Os segmentos 'Eletroeletrônico' e 'Bens de Informática' somaram R$ 31,16 bilhões que corresponde a 45,9% do faturamento total.

Agora como vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, assegura que os números de novembro vão ao encontro das suas expectativas, mas preocupam a Indústria. "O resultado do mês de novembro é uma mera consequência da comparação com o mês de outubro que não foi bom, por isso aparece positivo. Já o resultado acumulado do ano coincide com a nossa previsão em dólar, moeda forte, que já vínhamos alertando, algo entre 11% e 12% de queda no faturamento, o que nos preocupa", explicou.


Expectativa otimista da Suframa para 2017

Segundo a titular da Suframa, superintendente Rebecca Garcia, as expectativas são otimistas para 2017. A superintendente tem como base o desempenho do PIM e os esforços da autarquia, no ano passado. "Esses resultados, aliados ao trabalho que o governo federal está buscando implementar em termos das reformas e dos projetos propostos, permitem projetar um 2017 mais positivo e com menos turbulências", enfatiza Rebecca Garcia.

Defendendo a Indústria, Périco criticou o atual cenário político-econômico, resultado de sucessivos erros da administração pública, nas três esferas (federal, estadual e municipal). "Menor consumo, menor demanda por novos produtos, menor atividade nas linhas de produção, risco de mais desemprego. Essa situação é fruto de muitos equívocos e desmandos nos últimos anos. Não foi um equivoco de seis meses atrás, portanto serão necessárias várias medidas acertadas para retomarmos o rumo do crescimento", disse.

Na opinião do presidente do Cieam, a economia depende de ações governamentais assertivas para voltar a crescer. "Vamos torcer para que essas medidas acertadas sejam implementadas pelo Governo e que possamos reverter essa situação, quem sabe, no ano que vem", concluiu Wilson Périco ao Jornal do Commercio.


Resultado em dólar mostra prejuízo

Seguindo a mesma linha de raciocínio, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, lamentou os números negativos no acumulado até novembro, principalmente em moeda estrangeira. "O resultado anual apresenta essa redução, 7% em reais, mas em dólar isso, infelizmente, é muito maior. A atividade industrial no país foi bastante impactada e em Manaus não é diferente", enfatizou.

Périco diz que o resultado positivo em novembro não representa a realidade das empresas instaladas no PIM. "No meu entendimento estamos comparando um momento ruim (novembro de 2016) com um momento que foi ainda pior", afirma. As eleições municipais também serviram para inibir os investimentos. "Ano passado tivemos o processo eleitoral, em outubro, e o mercado estava na expectativa sobre o novo gestor do país. Para mim, não é um sinal de recuperação não", completou.
Mão de obra

Com 86.561 postos de trabalho registrados entre efetivos, temporários e terceirizados, o mês de novembro ficou em quarto lugar com o melhor desempenho do ano. Os Indicadores de Desempenho do PIM apontam que a média mensal foi de 85.381 postos de trabalho, até novembro de 2016, dos quais, 38% são ocupados pelos setores 'Eletroeletrônico' e 'Bens de Informática'. Os indicadores são compilados pela Suframa, com base em informações mensais repassadas pelas indústrias do PIM.

De acordo com a superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Rebecca Garcia, os resultados obtidos no segundo semestre de 2016 foram positivos, mesmo diante da crise no país. "Apesar do ano desafiador que o Polo Industrial de Manaus teve, em razão da conjuntura econômica e política brasileira que influenciou de forma decisiva no seu desempenho, recuperamos postos de trabalho e tivemos meses com faturamento em ótimo nível", comemorou.

Porem, na avaliação do presidente do Cieam, o risco de aumento do desemprego vem inibindo o consumo de bens duráveis. "O nível de desemprego no país é muito elevado, essas pessoas perderam poder de compra; as que estão empregadas não tem a segurança de que continuarão empregadas no médio prazo e também evitam gastar em gêneros que não sejam de primeira necessidade", analisou Wilson Périco.

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