Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Deputado quer moção de repúdio contra consórcio de hidrelétricas

Por: Divulgação
21 Set 2016, 14h04

O deputado estadual Dermilson Chagas (PEN) pediu, nesta terça-feira (20), que a Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) faça uma moção de repúdio contra o consórcio das hidrelétricas Santo Antônio e Jirau por causarem impactos ambientais nos Estados do Amazonas e Rondônia. Segundo Chagas, a baixa navegabilidade do rio Madeira é um dos principais impactos causados pelas hidrelétricas por promover a retenção de água em Rondônia.
O fenômeno prejudica o transporte de produtos e gera prejuízo econômico para a região. "Quem sofre as consequências são os ribeirinhos e pescadores que moram na várzea e que dependem do ciclo natural do rio. Hoje, esse ciclo é regulado por um botão nas usinas. Com o período da estiagem, a situação se agrava. O transporte de derivados de petróleo, soja e milho está prejudicado o que aumenta os custos de produção do setor primário e pode gerar uma crise de abastecimento de combustível no interior", disse.
Chagas afirmou ainda que o problema piora por conta da falta de dragagem no Madeira. "Se tivesse sido feita na época correta os danos seriam menores", afirmou o deputado citando o procedimento de licitação do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). A dragagem foi estimada em R$ 81.825.643,70 e deveria ser realizada periodicamente durante 60 meses.

Impacto na indústria
O parlamentar também frisou que o PIM (Polo Industrial de Manaus), que já sofre com os impactos da crise econômica, também é afetado pela situação grave do rio Madeira. "Nós temos problemas ambientais, temos problemas no pescado com a escassez de peixes e temos problemas que afetam o PIM, já que grande parte dos insumos das empresas do distrito e os produtos que saem daqui são transportados pelo rio. Essa é a situação do Madeira após as usinas que não geram energia para o nosso Estado e nem recebemos royalties por isso. A represa do lado de lá (Rondônia) está cheia e no Amazonas há uma seca severa".
Chagas vem alertando para os impactos ambientais das hidrelétricas desde o primeiro semestre de 2015, quando realizou reuniões técnicas com pesquisadores para discutir os danos ao meio ambiente que Santo Antônio e Jirau trouxeram à região. Em maio do ano passado, durante audiência pública realizada pelo parlamentar, o então representante do Dnit, Evainton de Oliveira, declarou que o governo federal tinha a intenção de privatizar o rio para cobrir custos de dragagem provocados pelo assoreamento decorrente da construção das hidrelétricas.
Em reunião técnica em julho do mesmo ano, entidades e pesquisadores relataram problemas ambientais na região como a mudança do curso migratório dos peixes e com consequência de diminuição do pescado para o Estado; o assoreamento do leito do rio, relacionando-o com a cheia histórica de 2014.

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