Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Criatividade consciente é a alma do negócio

Por: Tanair Maria - tmaria@jcam.com.br
02 Fev 2016, 18h11

Em Manaus, negócios que começaram pequenos, com olhar empreendedor, que viram no rejeito industrial, uma forma de diminuir o impacto ambiental. Além de utilizar a logística reversa como fonte de matéria prima, também teve a capacidade de produzir emprego e renda de forma sustentável. Um exemplo vem da artesã Fabiane Azevedo, graduada em administração de empresas. Trabalhou durante 10 anos na área de logística no Distrito Industrial, sempre em contato com materiais de carga e descarga, principalmente, com paletes de madeira. "E uma das coisas que sempre me incomodava bastante, é que grande parte de toda a madeira utilizada na movimentação de cargas, era destinada às olarias. As empresas do Distrito não tem interesse nessa madeira e tem que se desfazer dela", revelou Fabiane.

Segundo a artesã, o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) concede licença para as olarias retirarem todo o material de madeira utilizado por empresas na movimentação de cargas, que será queimado durante o processo de produção de tijolos e telhas cerâmicas. "Só que todo esse material queimado gera um certo impacto para o meio ambiente. Se não podemos fazer fogueira em casa, imagina queimar material industrial", observou.

Fabiane disse que sempre se questionou sobre o destino dos paletes: "que essa madeira toda poderia ser utilizada para algo extremamente diferente e útil". Foi quando decidiu sair do Distrito, enveredou para área de educação dedicando-se aos estudos sobre logística reversa aliada à marcenaria. "Eu já era apaixonada por marcenaria, sempre fui. Eu mesma fazia meus móveis por curiosidade, em casa. E por motivos de logística mesmo, parei de lecionar e decidi me dedicar à marcenaria", relembrou.

O primeiro projeto partiu da ideia de utilizar material reciclado, mas que era destinado ao lixo e transformá-lo em algo útil, para o setor moveleiro. "A minha ideia inicial sempre foi para fabricação de móveis, trabalhar com a parte de movelaria", afirmou. No entanto, Fabiane se deparou com a primeira dificuldade desse mercado de trabalho: "Aqui em Manaus esse tipo de trabalho não é muito conhecido e eu tive uma certa dificuldade de entrar nesse mercado de trabalho", observou.

A visão empreendedora de Fabiane Azevedo aflorou diante da dificuldade como um insight, foi quando surgiu a segunda ideia, desta vez com espírito inovador em criar uma linha de produtos atrativos aos olhos dos clientes, por exemplo, os quadros modernos e outros artigos de marcenaria. "E aí foi quando eu, óbvio, precisando ganhar dinheiro eu tive a ideia: agora eu preciso de um produto que seja acessível, barato, seja diferente e que as pessoas queiram comprar. Porque as pessoas compram por impulso. Veem o produto, acham lindos, começam a se identificar e acabam comprando", disse. Foi quando surgiu a empresa Fabiane Azevedo Madeira e Design.

Venda itinerante

A escolha do local de divulgação e venda também foi um diferencial para a microempresária. Ela preferiu utilizar como vitrine dos seus produtos, a Feira de Artesanato da Avenida Eduardo Ribeiro, montada aos domingos no centro histórico de Manaus, onde a circulação de turistas é constante. "Eu estou lá todo o domingo", informou. Atualmente funciona no entorna da Galeria Espírito Santo que fica entre as ruas 24 de Maio e Joaquim Sarmento.

Com o passar do tempo, Fabiane ampliou o seu leque de produtos utilizando outros tipos de materiais recicláveis como, por exemplo, o vidro além de outros pontos de vendas no mesmo estilo itinerante. "Depois eu conheci o Movimento Criativo e a outra feira Taberna Indie, que vale destacar que também é uma feira muito legal", salientou. Desta vez, com um nicho de público diferente com um marketing direcionado para pessoas mais jovens.

Apesar de a artesã não ser design, ela cria seus quadros inspirada em ilustrações disponíveis na internet, o resultado são obras exclusivas que cativam os clientes. "Eu escolho as ilustrações que me agradam, que me chamam atenção, que me dizem alguma coisa, da internet e eu estampo os quadros", explicou. Ela acrescenta que as imagens são a finalização de seu trabalho, porque a base de todo esse trabalho está no reaproveitamento do resíduo industrial. "É pegar esse resíduo e tirar alguma coisa de útil dele", completou.

Paletes, chapas de MDS, vidros são resíduos de empresas instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) e por intermédio de um acordo, com base no documento de licença expedido pelo Ipaam, confere a empreendedora o dispositivo da logística reversa para retirar esses materiais recicláveis. "Agora eu comecei a fabricação dos móveis desse material. Desenvolvendo processos, acabamentos, porque tem um nicho de mercado esperando por produtos de qualidade e ao mesmo tempo damos uma pausa para a natureza, utilizando apenas material reciclável", concluiu.

SERVIÇO

O QUÊ?
Fabiane Azevedo Madeira e Design

ONDE?
Feira de Artesanato da av. Eduardo Ribeiro

QUANDO?
Aos domingos das 8h às 14h

INFORMAÇÕES:
WhatsApp 98133-5664 e Instagram @f.azevedo.md

Comentários (1)

  • Thatyana Simoes03/02/2016

    Adorei a reportagem, admiro quem consegue perceber oportunidade onde a maioria não enxerga. Que conseguem concretizar projetos que na maioria das vezes ficam apenas no papel.

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