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Casca de cupuaçu pode gerar novo insumo para indústria de polímeros no Amazonas

Por: Fapeam, Inpa
19 Jan 2016, 16h59

Tanair Maria
tmaria@jcam.com.br

No Amazonas, um estudo utilizando a casca do cupuaçu pode gerar novo insumo para indústria de polímeros. De acordo com o pesquisador, Rannier Mendonça, o projeto oferece uma alternativa sustentável, além baratear o custo e eliminar os riscos à saúde do operador ao utilizar o princípio termofixo. A pesquisa teve início em 2014, com a expectativa de finalizar em setembro deste ano. Nestes dois anos, o pesquisador conta com recurso na ordem de R$ 20 mil, liberado pelo programa Universal Amazonas.
Os polímeros são utilizados para a confecção de vários produtos, desde embalagens, para a indústria de alimentos, até artigos esportivos. "Queremos entender como a casca do cupuaçu reage quimicamente com a resina poliéster, retardando o endurecimento", explicou o pesquisador. A resina poliéster que a equipe de pesquisa trabalha é uma das mais utilizadas no mundo, devido ao seu custo benefício.
Segundo Mendonça, a resina poderia ser ainda mais empregada se o tempo de manuseio, antes do endurecimento, fosse prolongado. Por isso, alguns testes preliminares já foram feitos e a equipe constatou que a casca do cupuaçu tem um grande potencial para substituir esses insumos. "Já foram feitos testes empíricos, sem medições controladas. Apenas por nossa percepção, por já trabalharmos muito tempo com a resina", adiantou.
As primeiras medições devem ficar prontas em fevereiro, quando serão utilizadas as normas de cinética de cura, ou seja, a velocidade de endurecimento por DSC (Differential Scanning Calorimetry). Mendonça salienta que o poliéster é um insumo muito utilizado na indústria naval e automobilística, para a confecção de peças e cascos de embarcações. "Alguns desses produtos possuem dimensões ou geometrias que necessitam de um tempo maior de manuseio da resina (polímero no estado líquido antes do processo de endurecimento), sendo então necessário adicionar um insumo químico chamado de retardante de cura", frisou.

Resinas atuais
Mendonça explica que esses insumos, normalmente, são caros e prejudiciais à saúde, sendo considerados produtos cancerígenos. No entanto, o projeto além de oferecer uma nova alternativa para a indústria com o insumo mais barato, sem riscos ao operador e servir de fontes renováveis, também garante a geração de emprego e renda para as comunidades produtoras de cupuaçu, que desperdiçam a casca do fruto.
Era uma ideia que virou tese de doutorado para Mendonça. Assim, esse trabalho surgiu a partir de uma pesquisa de iniciação científica, onde eram confeccionados corpos-de-prova da resina poliéster misturada a cascas moídas de frutos nativos da Amazônia. Ao adicionar certo percentual do pó da casca do cupuaçu, a equipe de pesquisa observou uma alteração no tempo de endurecimento. "Existem muitos trabalhos de pesquisa com adição de material particulado em resinas poliméricas, no entanto, ainda não encontrei nenhum mostrando alterações no tempo de endurecimento da resina poliéster", relatou.

Setor Naval
O setor naval, carente de novas tecnologias que venha dar possibilidades de uso de novos compósitos para a construção de embarcações, vê essa tecnologia como uma das alternativas para o setor, uma vez que os materiais utilizados na construção naval como: madeira, alumínio aço e fibra de vidro, tem um custo alto, e isso encarece os custos de produção, segundo o presidente do Sindnaval, Mateus Araújo. "Qualquer novo produto que venha ser satisfatório o seu uso na construção naval e consequentemente venha baratear os custos de produção, será muito bem vindo, ainda mais sabendo que esse novo polímero vem de fibra vegetal, abundante na nossa região", declarou.
Ainda, segundo Araújo, sabendo-se que a utilização da casca do cupuaçu como componente de um novo compósito para indústria naval, não agride o meio ambiente, e não é nocivo à saúde, certamente o seu emprego comprovado que é sustentável, só vai trazer benefícios à construção naval. "E, consequentemente a larga produção da matéria prima, que vai ser alavancada pelo grande volume no plantio para produção industrial", completou.
O líder do Sindnaval afirma que "todo novo produto, tem seu tempo para utilização e manuseio, logo que esse composto esteja à disposição de seu emprego na construção naval, certamente que a construção ganhará tempo, qualificação profissional para o uso do produto, e uma larga escala industrial, refletindo diretamente na escala de produção, e consequentemente toda a cadeia produtiva sairá ganhando com a utilização final desse produto", conclui.

Programa Universal Amazonas
Com o objetivo de conceder aporte financeiro, o Programa Universal Amazonas, está voltado para as atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Amazonas.
A pesquisa utilizando a casca do cupuaçu está sendo realizada na Ufam (Universidade Federal do Amazonas) em parceria com o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e URFN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Também conta com apoio do governo do estado do Amazonas por meio da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), para através desse estudo, poder identificar elementos químicos presentes na casca do cupuaçu, fruto típico da região amazônica, que possuem afinidade com o grupo de polímero poliéster.

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