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Abrir capitais é alternativa para PMEs

Por: Jornal do Commercio
10 Ago 2015, 11h21

Apesar de ser processo longo, mercado de capitais pode atrair financiamentos grandiosos

Existem no Brasil 8,9 milhões de pequenas empresas, segundo o Sebrae. Menos de 1% delas, estimam especialistas ouvidos pelo DCI, pensam em abrir capital e listar suas ações na bolsa de valores. Apesar de ser um processo longo, que exige organização e envolve custos, é uma alternativa para capitalizar a empresa sem recorrer aos juros altos cobrados pelas instituições financeiras nas operações de crédito. Dessa forma, a companhia utiliza seus próprios ativos para captar recursos e financiar seus projetos de expansão.
"Ao emitir e negociar suas ações, as empresas podem usar o recurso obtido com a oferta para, por exemplo, adquirir seus concorrentes, ampliar a estrutura dos seus serviços, melhorar seus processos e expandir sua atuação, entre outras finalidades", afirma Ivan Clark, sócio da consultoria PwC.
"Nos Estados Unidos, por exemplo, é muito comum que a empresa já nasça com um pensamento de ampliar o número de sócios. Isso também faz com o que mercado como um todo fique mais competitivo, já que as empresas se tornam mais organizadas e independentes", acrescenta.
No Brasil, a BM&FBovespa mantém um programa de incentivo para facilitar a entrada de pequenas empresas no mercado de capitais: o Bovespa Mais. Entre os estímulos para a companhia estão a isenção de taxa para listagem das ações na bolsa e a redução da taxa de liquidação da oferta desses papéis. Há também isenção de imposto de renda por cinco anos para o investidor pessoa física que adquirir ações de empresas listadas no programa.
Para Clark, o Bovespa Mais está em evolução e já é uma mostra de que o mercado está atento aos negócios de pequeno porte. "[O programa] ainda está amadurecendo, mas é bastante interessante. A empresa pode abrir seu capital sem ter de lançar suas ações logo de cara. Ela tem tempo para se organizar e realizar o lançamento na hora mais apropriada", afirma.

Longo caminho
Para chegar a esse ponto, a empresa passa por algumas etapas. A primeira é alterar o termo de companhia de limitada (Ltda.) para sociedade anônima (S.A.). Para isso, o faturamento anual tem de ser superior a R$ 120 mil.
O passo seguinte é trabalhar o ambiente corporativo, principalmente a governança. "A empresa terá de ser transparente, divulgar seus balanços periodicamente, realizar auditorias para que nada saia do seu controle. Enfim, ter uma governança corporativa", diz Clark. "Companhias com ambientes familiares dificilmente conseguem difundir essa mentalidade. Elas não querem divulgar seus resultados", adverte.
A divulgação dos balanços, segundo o consultor, é condição primordial para que a empresa possa ter seu pedido de registro aprovado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Simultaneamente ao pedido, a empresa solicita a listagem na bolsa para poder negociar ações e debêntures.
Caso não seja aprovada na comissão, a companhia não obtém autorização para realizar a listagem.
Assim que obtém o aval da CVM, a empresa pode listar seus papéis, mas a escolha do momento para fazer a oferta de papéis fica a cargo dos acionistas. Geralmente, recomenda-se aguardar um momento em que o mercado financeiro esteja positivo para lançar a oferta.
Janela de oportunidade
A Senior Solution, desenvolvedora e comercializadora de softwares para o setor financeiro, aguardou o momento adequado para fazer sua oferta de ações.
Segundo o presidente da companhia, Bernardo Gomes, ter paciência para aproveitar o instante certo para realizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) foi fundamental.
"Entramos na listagem em 2012, mas só abrimos a oferta em 2013. Com o valor que levantamos foi possível realizar duas aquisições importantes para o nosso crescimento. De lá para cá, nosso lucro cresceu 222%", diz Gomes. A empresa realizou um IPO no valor de R$ 39,6 milhões e uma oferta secundária de R$ 18 milhões.
As ofertas são chamadas de secundárias quando não envolvem a emissão de novos títulos, caracterizando apenas a venda de ações já existentes - em geral, dos sócios que querem desinvestir ou reduzir sua participação no negócio. Nesse tipo de operação, os recursos vão para os vendedores e não para o caixa da empresa.
A Senior Solution aguardou a passagem de turbulências consecutivas no mercado para só depois fazer sua listagem. Para Gomes, a estratégia foi positiva.
"A primeira vez que pensamos nisso foi em 2007, mas logo houve a crise norte-americana em 2008 e engavetamos o projeto", conta. "Em 2010, voltamos a trabalhar nisso, mas novamente fomos aconselhados a engavetar por conta da crise europeia de 2011", continua.

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