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Vitello e seus 29 anos de sucesso em Manaus

Empresa familiar mostra a importância da governança corporativa como fator de continuidade

Por Evaldo Ferreira

10 Abr 2019, 16h46

Crédito: Evaldo Ferreira

Foi-se o tempo em que o pai, empreendedor, montava um negócio e enriquecia; vinham os filhos e usufruiam dessa riqueza; e quando chegavam os netos, estes acabavam com a riqueza e com a empresa. Com o sistema de governança corporativa, agora as empresas familiares são trabalhadas por profissionais a fim de que o empreendimento passe de geração para geração, sempre se adequando aos novos momentos da economia, mantendo a excelência nos serviços e produtos e, mais importante, com os familiares à frente do negócio.

Um exemplo de como esse sistema dá certo é o da família Afonso, diretores do Frigorífico Vitello, hoje com três lojas varejistas, uma atacadista e estudos sendo feitos para abrir uma nova loja.

A saga da família começou há 41 anos quando Luiz Afonso, a esposa Alayde, e três filhos menores chegaram a Manaus vindos da cidade mineira de Uberaba.
“Meu pai sempre foi um aventureiro e seu sonho era conhecer o Amazonas, seus rios e florestas. Por isso veio para cá”, contou Suzana Afonso, filha mais nova, nascida em Manaus e CEO da empresa.

“Aqui ele arriscou tudo. Trabalhou com transporte de cargas, extração de madeiras até que, quando já estava há dez anos em Manaus, resolveu direcionar seus negócios para o trabalho que fizera quando criança: açougueiro. Meu avô também foi açougueiro, em Minas”, lembrou.
 
 

Suzana Afonso é a filha mais nova e CEO da empresa
 

Pioneiros em processar carnes
Em 1990, num depósito sob a casa onde moravam, no bairro de Santo Antônio, Luiz começou a comprar quartos de carne bovina e fazer o que ele e os filhos sabiam fazer muito bem desde Minas: desossar e processar carnes. Processar é cortar a carne em partes específicas como filé, contra-filé, coxão mole, coxão duro, alcatra, maminha, picanha, lagarto, patinho, além de outras subpartes.

“Fomos os pioneiros, em Manaus, a fazer esses cortes. Antes os açougues dispunham o colchão e dali iam tirando as carnes de acordo como o cliente pedia, sem definição dessa ou daquela parte”, revelou Suzana.

“Naquele pequeno depósito, meu pai, minha mãe e meus irmãos trabalhavam o dia inteiro, e muitas vezes entravam pela noite, desossando, processando, embalando e colocando as carnes no freezer, para depois fazer as entregas aos clientes. Nossos primeiros clientes foram empresas do Polo Industrial e até hoje, daquela época, mantemos a Orient como nossa fiel compradora”, contou.

Há dez anos a família sofreu o pior baque que uma família pode sofrer, a morte de Luiz e, duas semanas depois, a morte de um dos irmãos, Fábio, que era o braço direito do pai.

“Mas, ao invés de nos abatermos, nossa mãe nos reuniu e disse que deveríamos continuar o empreendimento começado pelo meu pai. Nossa união nos fez ficar ainda mais fortes, tanto que, a partir de então, abrimos nossa segunda loja, depois a terceira, a quarta, e só temos crescido desde então”, falou.

“Somos como qualquer família. Temos problemas, discussões, discordâncias, mas desde que adotamos a governança corporativa, isso não mais tem interferido em nossos negócios. Para isso serve a governança corporativa, para que a empresa caminhe lado a lado com as situações vividas pela família”, ensinou.
 
Artesãos no corte da carne
Atualmente o Frigorífico Vitello se destaca como um dos maiores frigoríficos do Norte. Diariamente, dez toneladas de carne bovina são processadas no seu frigorífico central, na Cidade Nova, abastecendo principalmente o varejo, mas também restaurantes, hotéis e empresas do Polo Industrial. 188 funcionários atuam nas quatro lojas.

“Nosso diferencial, nesses últimos dez anos, é ter adotado o conceito de indústria. Não somos um simples frigorífico. Somos uma indústria da carne, que trabalha para ser sempre um referencial. Aqui trabalhamos com responsabilidade familiar e social. Temos funcionários que estão conosco há 29 anos, desde que abrimos a empresa”, revelou.

“Costumo dizer que não temos açougueiros ou desossadores. Temos verdadeiros artesãos, doze profissionais qualificados que atuam diariamente no frigorífico, sem falar que meus dois irmãos Luiz e Ricardo, sempre promovem cursos para ensinar os novos profissionais que chegam. Eles são especialistas em trabalhar com a carne. Fazem isso desde meninos”, afirmou.

Tão logo as carretas chegam ao Vitello e descarregam os dianteiros e traseiros, os ‘artesãos’ entram em ação. Com cortes cirúrgicos eles separam as carnes dos ossos, sem picotá-las, ou seja, sem danificar as peças. Não pode haver perda. Não pode ficar nenhum pedaço de carne no osso. Esse zelo nos serviços e na qualidade dos produtos é que faz o Vitello se destacar há 29 anos.

À frente da empresa por decisão da mãe e dos irmãos, que atuam como conselheiros, Suzana mostra o caminho para os novos empreendedores que desejam chegar ao sucesso nos seus negócios.

“Se qualifique tecnicamente. O Sebrae realiza o Empretec, metodologia na qual você vai saber se está no caminho certo, se vai ter estômago para enfrentar as adversidades do mercado, pois o caminho é árduo, difícil e trabalhoso. Faça cursos de empreendedorismo. Indico os da Targo. São excelentes. Por fim, você precisa ser apaixonado pelo que faz, então, o trabalho, para você, será um prazer e não uma obrigação”, ensinou.