Varejo

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Venda no Dia das Mães surpreende empresários do comércio

Por Marco Dassori

16 Mai 2019, 08h49

Crédito: Divulgação

Os números de vendas do Dia das Mães superaram as expectativas do comércio varejista local. A expansão foi de 3,7% em relação ao ano passado, conforme dados fornecidos pela CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus).

O resultado ficou 0,2 pontos percentuais acima da projeção inicial. A entidade aguardava alta de 3,5% para os produtos ligados à data, tradicionalmente considerada o ‘segundo Natal’ do comércio, embora venha perdendo terreno para a Black Friday.

Um indicativo da expectativa vem da expansão no número de empresas que aderiram à campanha para aquisição de produtos ligados ao Dia das Mães: de 3.500 (2018) para 5.000 (2019). Outro fator relevante foi o acréscimo das contratações, de 250 (2018) para 550 (2019) – apesar da projeção inicial ser de 600.

Os segmentos do varejo que se saíram melhor neste ano foram os de confecções e calçados. Levantamento prévio da CDL-Manaus já informava que 19,7% dos consumidores de Manaus estavam dispostos a presentear com um item do gênero. A mesma sondagem listava ainda bolsas e acessórios (16,8%), joias e relógios (8,1%) e os tradicionais eletrodomésticos (7,2%).

Celulares e alguns eletroeletrônicos também tiveram boa saída no período. Diferente do que a entidade empresarial esperava, no entanto, a maior parte dos consumidores resolveu recorrer ao crédito para presentear as mães. As vendas a prazo responderam por 80% do total.

“Os shoppings lotaram neste fim de semana. No Centro, a movimentação foi muito grande, apesar da cobrança pelo estacionamento na Zona Azul. Foi um bom desempenho, que deu ânimo ao setor, depois dos números dos últimos meses”, comemorou o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag.  

No entendimento do dirigente, o crescimento do varejo acima das projeções iniciais se deve, em boa parte, à retomada da confiança do consumidor no futuro, além de ser um sinal de que um ciclo virtuoso na economia pode estar finalmente chegando.

“As demissões diminuíram e há maior manutenção nos empregos, impactando a intenção de compra. Esperamos que isso se confirme como uma tendência. Vai depender muito do andamento da Reforma da Previdência no Congresso e a reação da economia”, ponderou.

Consumidor preparado

Embora a Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Amazonas) ainda não tenha completado seu levantamento sobre a movimentação do Dia das Mães, o assessor econômico da entidade, José Fernando Pereira da Silva, diz que os números parciais indicam que a receita nominal avançou pelo menos 3,5%.

O ticket médio das compras foi de R$ 240. Vestuário e calçados lideraram a lista de compras do consumidor, confirmando a estimativa apontada no mês anterior pelo Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas). Na sondagem, os dois itens contavam com as preferências de 15,3% e de 9% das pessoas ouvidas, respectivamente.

O representante da Fecomercio-AM, cosméticos e perfumaria, celulares, eletrodomésticos e móveis também pontuaram bem nas vendas para o Dia das Mães. De acordo com José Fernandes, todos os produtos alcançaram crescimento, mas o desempenho positivo de bens duráveis foi uma surpresa positiva. Vale notar que a listagem prévia do Ifpeam incluía até veículos (8,8%).

“Já era esperado um crescimento nesta que é a segunda data mais importante para o comércio varejista. E o consumidor se preparou para comprar o presente do Dia das Mães, em termos de controle do orçamento. Além disso, ele está mais confiante de que a economia vai melhorar nos próximos meses”, afiançou.

Menos receita

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, tem avaliação diferente e diz que, apesar do aumento da base de consumidores dispostos a gastar com presentes, a cautela ainda foi importante na hora de decidir o valor da compra.

“Minha impressão é que houve um aumento no volume de vendas, mas a receita foi menor. Teve mais gente comprando, mas a maioria preferiu as ‘lembrancinhas’. Você quase não viu ninguém comprando joias, relógios, ou produtos mais caros. O consumidor ainda está com receio da crise e segurando o dinheiro que tem, aguardando uma definição nas reformas e na economia”, encerrou.  

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