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Uma brasileira entre as torres gêmeas

A paranaense Adriana Maluendas foi a única brasileira a estar ao lado do World Trade Center em 11 de setembro de 2001

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

09 Set 2019, 19h42

Crédito: Divulgação

Há 18 anos, no dia 11 de setembro de 2001, o mundo conhecia o maior ato terrorista da história, até então, quando as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, vieram abaixo depois de atacadas por terroristas a bordo de aviões. Muitos brasileiros deveriam estar na cidade americana naquele dia, mas uma, a paranaense Adriana Maluendas, estava num hotel entre as torres e viu tudo de perto. Adriana escreveu o livro ‘Além das explosões’, lançado em 2016, onde narra a tragédia que vivenciou e os traumas e consequências que carrega até os dias de hoje. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Adriana falou sobre o que presenciou, e sentiu na pele, em Nova Iorque há 18 anos.  

“Estava me preparando para alguns testes de qualificação para minha entrada no mercado internacional de commodities (na época trabalhava no mercado de importação e exportação no Brasil), com alguns compromissos pessoais em Nova Iorque. Me hospedei no Hotel Marriott WTC, conhecido também como a terceira torre do conjunto do WTC, localizado exatamente entre as torres gêmeas”, lembrou.

No momento do atentado terrorista, Adriana estava em seu quarto, se preparando para sair.

“Quando ouvi o impacto do primeiro avião, percebi que havia algo errado. Tudo no meu quarto estremeceu, porém, só percebi que algo muito sério estava acontecendo quando decidi sair do quarto e buscar informações pessoalmente. Olhei pela janela panorâmica situada perto dos elevadores, no final do corredor e vi o caos. Me desesperei”, contou.

Nunca mais foi a mesma

Como os elevadores demorassem, Adriana buscou as escadas de emergência. Durante a descida ao lobby do hotel, o pânico já estava instalado entre os hóspedes.

“Eles corriam escada abaixo, alguns ainda de pijamas. Durante o tumulto, cai a primeira vez na escada. Ao chegar ao térreo, fui em busca da saída. O que vi nas ruas foi pânico geral, desespero, destruição, profunda tristeza e horror em cada momento, em cada olhar em cada vez que respirava, sem ter ideia do que estava acontecendo lá fora”, recordou.

O Hotel Marriott não desabou como as torres gêmeas, mas foi completamente soterrado pelos escombros que caíram das duas gigantescas torres.

“Nas horas seguintes após o desabamento das torres o cenário foi de devastação e terror. O ar pesado para respirar devido os resíduos tóxicos. A nuvem escura e densa sobre Manhattan. Era tudo tão irreal. As pessoas estavam em estado de choque, algumas seguiam correndo, outras ficaram paralisadas como estátuas congeladas. Ninguém sabia o que estava acontecendo”, disse.

Desde aquela data, a vida de Adriana nunca mais foi a mesma. Ela ficou com problemas físicos e psicológicos.  

“Aquele ataque terrorista marcou a cidade, o país, o mundo e uma era. Minha vida mudou completamente, bem como minhas prioridades. Estou mais forte em muitos sentidos, mas ainda sensível em alguns temas. Hoje valorizo muito mais o trabalho humanitário. Minha saúde física ficou com algumas limitações. Fiquei com problemas físicos e respiratórios, além de trauma emocional. Passei a sofrer de Estresse Pós Traumático”, revelou.

Em 2016, Adriana lançou ‘Além das Explosões’ narrando sua terrível experiência e, a cada aniversário do ato terrorista, realiza sessões de autógrafos em eventos relativos ao fato.

“O livro é não somente uma memória, mas parte da história e também uma mensagem de superação. Eu quero compartilhar o que passei e tentar transformar toda a experiência que sofri em uma mensagem de esperança e força positiva, e que isso possa encorajar aqueles que, como eu, enfrentaram dificuldades extremas, depressão, trauma ou perda em suas vidas, motivando e ajudando a perseverar, nunca desistir e jamais desistir da vida. Em ‘Além das explosões’, eu relato uma história real, onde descrevo o que aconteceu e como as aspirações de uma jovem do interior do Paraná foram brutalmente afetadas depois daquelas explosões”, concluiu.

Museu e Memorial

“O Museu e Memorial teve uma enorme influência na jornada em busca de mim mesma. O Museu tem um espaço em minha história e em meu coração. Sou a única brasileira a ter seus objetos doados para o espaço. A primeira vez que retornei ao local onde quase perdi minha vida foi muito intenso e com muitas emoções. Foi durante a inauguração do Museu. Naquele momento percebi que era hora de me levantar, me reerguer e abraçar a vida novamente”, destacou.

Em eventos solenes, Adriana entregou exemplares de ‘Além das explosões’ para o Consulado Geral de Nova Iorque e para a Biblioteca Pública da cidade. Quem desejar adquirir o livro, ele está disponível na Amazon e nas livrarias Saraiva.

Site: www.alemdasexplosoes.com