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Turismo amazonense na torcida pelo retorno à atividade do Hotel Tropical

Por Andréia Leite

04 Nov 2019, 14h55

Crédito: Acervo JC

Ao que tudo indica, o Tropical Hotel Manaus, logo estará em pleno funcionamento. O advogado e administrador da massa falida do empreendimento, Pedro Cardoso, conta que um leilão deve acontecer na primeira quinzena de dezembro e que consta no processo uma proposta firme de R$ 120 milhões para a aquisição do hotel. 

Conforme Cardoso, na semana passada foi dado entrada no laudo de avaliação por uma empresa especializada contratada que avaliou o hotel em R$ 190 milhões, esse laudo já está no processo de falência e essa semana já foi solicitado ao juiz uma data para o leilão. 

“Têm alguns interessados perguntando sobre o leilão e existe nos autos do processo um grupo que apresentou proposta e tem interesse em investir, inclusive, esse grupo está intermediando o negócio com alguma rede hoteleira”. Ele não confirma quem seria esse grupo de investidores, mas acredita que seriam portugueses. 

Até a próxima semana o advogado pretende divulgar o edital do leilão que será realizado por lance oral.  A lei prevê que é necessário aguardar um prazo de trinta dias.  

Antes da decretação da falência, um leilão estava designado pelo TRT11 (Tribunal Regional do Trabalho),da 11ª Região - Amazonas e Roraima, mas foi cancelado e agora vai acontecer um leilão nos autos da falência. 

Para o presidente da Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Amazonas), Roberto Bulbol, o destino do complexo traz expectativa para o setor e qualquer grupo que arrematar o hotel estará fazendo um ótimo negócio.

“Não tem nada depreciado. Estão mantendo a estrutura e instalação, e tenho certeza que isso vai trazer um grande benefício para o Amazonas. Queremos que seja qualquer investidor, desde que possamos retomar as atividades e voltar a empregar as pessoas e atrair uma grande massa de turistas”. 

O representante do setor, refuta sobre a importância de ter um complexo hoteleiro desse porte tido como um dos mais rentáveis, sendo referência a nível nacional e internacional.  Neste horizonte, Bulbol diz que a possibilidade de criar-se uma sociedade entre os futuros investidores não está descartada e descreve que a situação do empreendimento é tida como momentânea.

“Levamos muitos anos para chegar a ter essa conquista.  O Amazonas tem uma dívida de gratidão muito grande com Jack Cousteau , que nos anos 70 divulgava a Amazônia através de Seriados na Tv ,(boto cor de rosa , as belezas dos nossos rios , etc ). Depois a Varig e  Tropical Hotel Manaus , divulgam o Brasil e o Amazonas no mundo , através de suas agências que refletiam na imagem do nosso estado nas capas das passagens, e o Dr. Rita Bernardino com hotel Ariaú que divulgava em todas as feiras internacionais”, lembra.

De acordo com Bulbol, o Tropical Hotel Manaus, é o hotel cinco estrelas mais completo do Brasil. E preenche todas as matrizes de classificação na época da Embratur. A maior perda foi para o trade turístico da região. “Era o maior atrativo do destino. São 640 apartamentos fora de operação é um prejuízo incalculável para a economia e para o segmento turístico”.

Ele endossa que a expectativa em torno das negociações para o setor é a melhor possível. “Temos certeza que ele vai voltar logo e mais exuberante do que ele é”, almeja. 

Baixa

A hotelaria no Amazonas tem sofrido revés nos últimos anos com o fechamento de hotéis de grandes referências na capital, como Caesar Business, Ariaú Amazon Towers. O presidente da associação não consegue mensurar em números quanto a hotelaria no Amazonas perdeu com o encerramento das atividades dos respectivos, mas lembra que em quatro anos, a crise atingiu,  inclusive, os hotéis de pequeno porte. “Foram mais de mil e quinhentas unidades fechadas. Mas essa crise hoteleira não está limitada apenas em Manaus. O reflexo da crise atinge vários estados”. 

Entenda

O Tropical encerrou as atividades em maio, depois que cortaram a energia do complexo. As dívidas acumuladas totalizam algo em torno R$ 20 milhões. 

Em matéria veiculada no Fantástico, a administração do hotel não depositava, desde 2011,  o Fundo de Garantia nem o INSS dos novos funcionários que contratava e não pagou as rescisões de ninguém.

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