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Transporte na BR-319 deve ficar suspenso até o mês de maio

Piores trechos são dos quilômetros 360 a 560 da BR-319, onde os trajetos estão tomados por crateras

Por Marcelo Peres

25 Jan 2019, 21h23

Crédito: Divulgação

O transporte rodoviário para o município de Lábrea (a 853 quilômetros de Manaus) pelas BRs 319 e 230 só deve ser retomado a partir de maio deste ano, segundo o responsável pelo setor de tráfego da viação Aruanã, Cleverson Lima. A empresa, que faz os percursos às terças, quintas e sábados entre a capital do Amazonas e a cidade do interior, alegou falta de condições para trafegar nas rodovias devido às intensas chuvas que atingem a região. Na sexta-feira (25), a decisão da transportadora foi aceita pela Arsam (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas).

Com isso, os serviços estão paralisados temporariamente. A linha atende aos percursos Manaus-Lábrea e Lábrea-Manaus, saindo da capital às 15h e do município às 12h. O preço do bilhete custa, em média, R$ 296. Em dias normais, os ônibus demoram pelo menos 60 horas para cumprir o trecho de ida e volta, mas com a estação chuvosa severa nesta época do ano esse tempo pode levar até uma semana, informa Lima. “Normalmente, entre janeiro, fevereiro e março, se um ônibus ficar 48 horas parado na estrada por falta de condições de  tráfego, paralisamos o serviço. Mas agora, com esse inverno atípico, a previsão é que retomemos as operações a partir de maio ou até mesmo de junho”, acrescenta ele.    

Segundo o funcionário da Aruanã, os ônibus ficam atoladas nas estradas, expondo a vida de passageiros e tripulantes a animais silvestres como onças e cobras, além de criminosos que por lá trafegam para assaltar veículos. Para agravar a situação, os trechos das estradas estão em completo abandono, no meio da floresta amazônica, de mata densa, desde que as obras de recuperação da rodovia BR-319 (da Transamazônica) foram paralisadas por questões de impasses ambientais. A região é muito inóspita. “É uma verdadeira aventura e muito perigoso viajar pelos trechos das estradas”, conta Lima.    

Como as chuvas nesse período não dão trégua, a equipe do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) fica impossibilitada de fazer os reparos diários para dar condições de tráfego às estradas. Os piores trechos são dos quilômetros 360 a 560, onde os trajetos estão tomados por crateras. Os atoleiros são constantes e os veículos ficam presos nas estradas aguardando ajuda. A viação Aruanã informou à Arsam que a última viagem de um de seus ônibus durou o dobro de horas do que normalmente a empresa leva para fazer nesses trechos. “Dadas as péssimas condições das rodovias, solicitamos a suspensão das viagens, visando preservar a integridade física e a segurança de passageiros e motoristas até que as condições mínimas sejam restabelecidas”, alegou Flávio Willer Cândido, um dos sócios da Aruanã Transportes, em seu ofício ecaminhado à Arsam, plenamento aceito.  

A importância da BR-319 para dinamizar o desenvolvimento do Amazonas divide opiniões entre especialistas. O principal argumento é de que as obras de recuperação dariam suporte para o escoamento da produção do PIM (Polo Industrial de Manaus). Mas estudiosos do modelo, porém, como o economista e professor José Roberto Machado argumenta que essa defesa não passa de retórica política. “Já temos as vias aéreas e a navegação de cabotagem que fazem muito bem esse transporte”, diz. Ele alerta que uma possível liberação do projeto teria muito impacto no ambiente com a migração de populações e da expansão do agronegócio de sojas, hoje o maior interessado na viabilidade da construção. Deputados da bancada federal como Sidney Leite (PSD), um dos maiores defensores da recuperação da BR-319, promete levar a sua principal reivindicação ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

“É factível essa proposta devido à sua importância para a região. No último encontro que tive com o novo presidente, ele foi simpático à ideia”, afirmou Leite. Segundo Machado, se Bolsonaro decidir liberar as obras da rodovia será mais por pressão da bancada ruralista, que pretende expandir a sua fronteira de plantação de soja em direção ao Amazonas.

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