Polo Industrial de Manaus

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Total de investimento no PIM em 2018 abaixo do nível de 2019

Por Marco Dassori

07 Mar 2019, 09h08

Crédito: Acervo JC

O PIM (Polo Industrial de Manaus) deve encerrar 2018 com investimentos em baixa, conforme os dados mais recentes Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). A um mês de fechar o ano, o montante injetado pelas empresas incentivadas nas linhas de produção era pouco superior a US$ 8.91 bilhões, 2,52% abaixo do apurado nos 11 meses iniciais de 2017 (US$ 9.14 bilhões).

De acordo com os dados extraídos dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, documento compilado e divulgado periodicamente pela autarquia federal, apenas seis dos 23 segmentos industriais listados já sinalizavam aporte superior de capital produtivo entre um período e outro: eletroeletrônico (US$ 2.66 bilhões), bebidas (US$ 94.41 milhões), metalúrgico (US$ 457.67 milhões), papel e papelão (US$ 196.19 milhões), produtos alimentícios (US$ 40.77 milhões), mobiliário (US$ 25.24 milhões) e ótico (US$ 58.38 milhões).

O melhor desempenho foi registrado no polo ótico, que conta atualmente com uma empresa listada na Suframa: a Essilor da Amazônia. O faturamento subiu de US$ 29.51 milhões (2017) para US$ 58.38 milhões (2018), entre um acumulado e outro, gerando uma diferença de 97,83%.

Entre os 17 subsetores com faturamento em queda, o pior desempenho foi apresentado pelo polo mineral não metálico, que conta atualmente com seis indústrias levantadas pelo Perfil das Empresas com Projetos Aprovados pela Suframa, documento igualmente compilado pela autarquia federal. As vendas despencaram 30,55%, ao passar de US$ 61.12 milhões (2017) para US$ 42.45 milhões.

Na avaliação do presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas) e consultor empresarial, Francisco Mourão Júnior, uma palavra define o comportamento empresarial por trás dos números de investimento do PIM no periodo assinalado: prudência.

Mercado e prudência

“É uma questão de mercado, não dá para mensurar. As empresas estão esperando pelas reformas prometidas pelo governo e também como o mercado vai reagir nos próximos dias. A flutuação do dólar também é um fator de preocupação para o empresário. Ninguém quer ser pego de surpresa e levar mais tempo para receber o que aplicou na produção”, ponderou.

O período de retorno de capital de uma fábrica incentivada pelo modelo Zona Franca de Manaus, segundo o presidente do Corecon-AM, varia de três a cinco anos, dependendo da linha de produção, seus custos, seu mercado e seu valor aportado.

Embora destaque que muitos dos subsetores operem atualmente com capacidade ociosa elevada e, portanto, com menor necessidade de investimentos, o economista diz que os números da Suframa indicam que o empresariado da ZFM está excessivamente cauteloso em relação ao desempenho da economia do país no curto prazo.

Principalmente quando se leva em conta que os dados dizem respeito ao acumulado do mês de novembro, quando a indústria tradicionalmente aquece para atender a demanda extra das festas de fim de ano.

“O desempenho do modelo espelha o estado do mercado nacional, que ainda estava se recuperando na época. Acho preocupante que apenas seis segmentos em 23 estejam investindo mais. O pior é que os números podem ser corrigidos para baixo, já que a empresa pode, a qualquer momento, fazer um projeto de atualização diante de uma redução da demanda”, encerrou.


 

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