Opinião

COMPARTILHE

Temerários novos rumos no mercado de trabalho - Conclusão

Essa revolução trouxe a extinção de indizível número de vagas

Por Bosco Jackmonth

25 Mai 2019, 12h58

Crédito: Divulgação

Findou-se o texto anterior dizendo do manifesto interesse da indústria. É que se sabe de algarismos quadruplicados, eis que as aquisições no ano de 2015 saltaram de 60.000 unidades para 239.000, com destaque para a fabricação automobilística e eletrônica, segundo dados da Federação Internacional de Robótica, colhendo-se hoje, a propósito, que o investimento por conta de um braço de solda utilizado na produção de automóveis consumia mais de cinco anos para ser retornado, enquanto que hoje tal se dá em apenas um ano e meio. Um passo e tanto!

Resta inevitável que essa revolução ora sub oculis trouxe como consequência a extinção de indizível número de vagas que estavam confiadas às mãos de operadores convencionais. Um dos exemplos de tal, é que a Foxconn produtora de equipamentos para empresas como a Samsung e a Apple, substituiu por máquinas o número de 60.000 dos 110.000 operários de sua fábrica na China. Nesse passo a Amazon sediada nos Estados Unidos passou a usar robozinhos para manejar nos seus estoques coletando mercadorias. Nisso se diz que o Walmart também se inclinará pela mesma medida, talqualmente como aquela outra empresa, a prefalada Foxconn.

Sucede, diz também respeito a essa causa petendi que o impacto das tecnologias de informação é relevante ao extremo, mas ainda que ligado somente à fabricações. Sucede, estima-se que em 1990, o número de agentes de viagens nos Estados Unidos reduziu-se de 132.000 para pouco mais de 70.000, visto que os usuários por si mesmos fazem as reservas e quitações, a menor custo. Em meio a esse cenário, noticia-se que um consultor, um certo Fernando Aguirre, ligado à firma KPM do Brasil, assegura, por certo com veemência, que vai mas além o poder determinante dos fatos como os aqui narrados, a ponto de alcançar os serviços de administradores que deverão ser parcialmente substituídos, tanto quanto os de advocacia. Ora, tais dizeres não se fizeram escudar por elucidações adicionais, de modo que se fica sem meios de sapecar o que seria uma saborosa exegese em face do proferido, no que interessa o vaticínio na esfera jurídica de onde se colhe assegurado um tom lutuoso e incongruente. Quanto aos administradores, que digam o que tiverem ou quiserem dizer. Mas na órbita da advocacia, o senhor Aguirre das quantas pisou na bola. Que dobre a sua língua praguenta!

Remarque-se que o advogado (no sentido amplo) é aquele profissional de formação superior, voltado a pugnar pelo Direito. Como operador dessa ciência tem uma função deveras valiosa no meio social, traduzida pelo cumprimento da lei, em prol do justo e democrático, sempre devotado a ajudar aqueles que buscam os seus direitos, seja no polo ativo ou passivo. Trata-se, pois, de um profissional que se deve postar fiel na busca de soluções sadias, obrigando-se, a propósito, somente receber honorários regularmente previstos pelo seu órgão de classe, a OAB que, ademais, impõe acauteladora disciplina em torno de uma desejável postura honrada, sujeita a rigorosas penalidades, como ditado pelo Código de Ética da categoria, conquanto se saiba de desvios em condenáveis procedimentos puníveis.

Logo, a inteligência artificial de que aqui se trata, por certo limita-se a oferecer meios para buscar a maior efetividade no trabalho de jurisconsultoria e o mais abrangente, longe ficando de ser substituída por robôs, como parece rogar a rara inteligência acima nominada. Vem a calhar, nesse sentido, aqui estampado na edição de 23/04/19, o texto deste articulista que se voltara para a temática que ora se discorre, sob o título “Textos Processuais e Prazos em Tempos de Computação”, anotando-se o que trouxe a novel ferramenta, verbis: “amparar trabalho redacional nas atividades ligadas a tal, ali apontadas, destaque-se sobremodo a formulação de textos jurídicos, sejam petições, atas, sentenças e o mais, sempre ao redor dos prazos a serem cumpridos... por conta do avanço quase diário do computador alcançando indizíveis áreas do conhecimento humano, sejam automação, robôs, genética, biotecnologia.” Logo, um novo instrumento de trabalho, sim, mas sem que se deva hipoteticamente supor um androide humanoide como o Chappie, basta seja dotado de IA, do filme “Um Robô Inteligente”, nisso usando um computador a digitar algum texto jurídico e outros quefazeres advocatícios. Sabe o que mais? Isso só mostra que é um chato aquele seu ferrando, digo Fernando, ao perseguir o ganha-pão dos outros.  Merecia ouvir poucas e boas!

*Bosco Jackmonth é advogado de empresas (OAB/AM 436). Contacto: 99828544-bosco@jackmonthadvogados.com.br

Veja Também

Artigo

O ciclo da incerteza política

24 May 2019, 16h21