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Serviços têm pequeno recuo em junho no Amazonas, diz IBGE

Por Marco Dassori

13 Ago 2019, 15h03

Crédito: Acervo JC

Após quatro meses seguidos de crescimento, o setor de serviços do Amazonas levou um tombo na passagem de maio para junho e recuou 0,4% em seu volume de serviços. Ainda assim, ficou acima da média nacional (-1%), em um panorama em que apenas oito Estados brasileiros cresceram. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE, divulgada nesta sexta (9). 

O Estado se saiu melhor nos outros números. Em relação a junho de 2018, o volume de serviços subiu 4%. O semestre foi positivo em 3,5%, uma ligeira melhora em relação ao mês anterior (+3,4%). Em 12 meses, o acumulado passou dos 0,4% de maio para os 1,3% atuais, voltando a assinalar crescimento.

Mesmo com desempenho mensal negativo em relação a maio, o Amazonas ficou acima da média brasileira e na nona posição em nível nacional. A liderança ficou com Mato Grosso (+4,2%), seguido de Goiás (2,2%). Os piores desempenhos ficaram com Roraima (-6,0%) e Santa Catarina (-4,9%).

O Estado ficou na segunda posição, tanto no confronto com junho de 2018, quanto no acumulado do ano. Perdeu apenas para São Paulo (+3,7% nas duas comparações), em um cenário de média nacional baixa (+0,6%) e com apenas um terço das unidades federativas avançando. O pior resultado do semestre ficou no Acre (-9,6%) e o Rio Grande do Norte pontuou estabilidade. 

No mesmo sentido, a receita nominal de serviços do Estado teve uma pequena queda entre maio e junho (-0,3%), depois de dois meses consecutivos de incremento. Mas, ficou positiva em 10,7%, quando comparada a junho de 2018, uma alta mais acentuada que a obtida no levantamento anterior (+9,7%).

O desempenho elevou o acumulado no ano da receita nominal dos serviços do Amazonas para 7,9%, maior valor registrado desde o início de 2019. Nos últimos 12 meses a variação alcançou 4,7%. O IBGE destaca que o cálculo da receita nominal não leva em conta a inflação do período.

O resultado obtido entre maio e junho colocou o Estado em 13º lugar lista do IBGE e bem acima do restante do país (-1,1%). O primeiro e último lugar ficaram em Mato Grosso (+5,5%) e Roraima (-4,1%), respectivamente. O Amazonas, contudo, liderou o ranking do semestre. A média brasileira, neste caso, foi positiva em 4,3% e o Acre (-6,3%) ficou na última posição.

Sem sazonalidade

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, descarta a hipótese de que a retração mensal experimentada pelo setor de serviços em praticamente todo o país tenha sido fruto de sazonalidade entre maio – mês do Dia das Mães – e junho – período de festas juninas e preparativos para as férias. 

“De uma forma geral, a atividade de serviços volta a crescer quando o mesmo ocorre com os demais setores. Alguns Estados podem ter mais dificuldades para que isso ocorra. A economia tem que voltar a crescer de forma mais sustentada e em um determinado patamar para que os serviços saiam desse sobe e desce”, analisou.  

No entendimento do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, entretanto, o dado mais importante da pesquisa vem do fato de que, apesar do ligeiro recuo entre maio e junho, o setor continuou com números substancialmente positivos em relação ao ano passado e nos acumulados.

“Os números situam o Amazonas em uma situação privilegiada em relação a outros Estados. O setor vem em trajetória positiva desde fevereiro, sinalizando uma crescente também para os próximos meses. Mantidas as atuais condições, se projetássemos o atual resultado do acumulado do ano para dezembro, veríamos um número bem melhor do que o de 2018, que foi uma queda de 1%”, explanou.

Brigas e juros

Par o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, o recuo sofrido pelos serviços – com menor grau no Amazonas – decorreu de um ponto de ruptura a partir do acúmulo dos desentendimentos entre Congresso e Executivo, com reflexos nas intenções de compra e investimento.

Mas, segundo o dirigente, a situação melhorou sensivelmente a partir de julho, principalmente a partir da aprovação da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, do encaminhamento de uma Reforma Tributária mais consensual na mesma casa e sinalizações do governo federal em relação à importância de estimular a demanda.

“O governo tem feito pressão para que o Banco Central libere os recursos dos compulsórios bancários para gerar mais crédito. Também está induzindo os bancos a negociar suas dívidas mais antigas. O Copom sinaliza com uma nova redução nos juros, e os próprios bancos estão oferecendo dinheiro a custos comparativamente mais baixos, embora a taxa ainda seja elevada. São indícios de que a economia vai voltar a girar, após a recessão aguda dos últimos anos”, encerrou.    

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