Trabalho

COMPARTILHE

Serviços e construção civil tem destaque no AM, aponta o Caged

Setor de serviço e construção destacaram-se com um bom desempenho gerando 334 e 213 empregos respectivamente

Por Antonio Parente

26 Abr 2019, 15h30

Crédito: Divulgação

O Estado do Amazonas registrou um saldo positivo de 157 postos de trabalho em março, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem (24), pelo Ministério da Economia. Setor de serviço e construção destacaram-se com um bom desempenho gerando 334 e 213 empregos respectivamente. O saldo é a diferença entre as contratações (10.216) e os desligamentos (10.059).

Segundo o presidente do Sinduscon-Am (Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Amazonas), Frank do Carmo, um dos fatores que têm impulsionado as contratações é o fato do setor público - tanto municipal quanto estadual- ter iniciado a contratação de novas Obras. Além disso, o setor privado - ainda que de forma tímida- vem investindo em lançamento de novos produtos no mercado, impulsionado pela expectativa de melhora da economia. O setor tem se destacado com números positivos desde o primeiro bimestre do ano, com 225 empregos em janeiro e 267 em fevereiro

"A performance melhorou bastante comparado a 2018 .Percebe-se um equilíbrio no novo governo do Estado e na prefeitura que tem apresentado algumas novas obras. O setor imobiliário também com alguns lançamentos no mercado. Então presumi-se que esse aumento de contratações refletem a melhoria tanto do poder público quanto do privado na realização de novas obras que têm ocorrido na cidade", disse.

Na análise da economista Denise Kassama, a perspectiva de mais emprego é natural, principalmente por que a economia busca caminhos e alternativas para voltar a crescer. Ela ressaltou ainda, que apesar de positivo, os números não refletem uma variação muito significativa em termos nacionais e globais.

“Na medida em que os cenários vão sendo definidos, a dinâmica vai acontecendo.Eu acho também que estes números do primeiro trimestre refletem um voto de confiança da nação no novo governo. Mas,espero que  não sejam apenas reflexo da credibilidade depositada ao novo governo. Porque se for haverá queda nos empregos. O governo ainda não apresentou nenhuma proposta de política econômica efetiva para alavancar empregos e geração de renda. Se não houverem ações efetivas, a credibilidade cai”, disse.

Pior desempenho

Já o setor do comércio tem amargado os piores resultados desde o início do ano. Em janeiro registrou um saldo de - 1.523 vagas, em fevereiro -343 e em março -204 postos de trabalho. Segundo o presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), Aderson Frota,  as ampliações, novos investimentos e abertura de novos negócios se baseiam no fator confiança. Ele explica que, enquanto houver procrastinação e o impasse político para a aprovação da reforma da previdência, o comércio não vai dar o pontapé inicial para a retomada da economia e buscar novos investidores .

“Nós ainda não tivemos um start real na economia. Nós empresários sempre julgamos que a reforma da previdência seria o start para recuperação. Quando você melhora os ambientes de negócios os investimentos acontecem e a retomada do emprego também. Já rompemos a barreira dos 100 dias e não tivemos ainda um sinal consistente que haverá uma retomada da economia, até porque estamos orbitando ainda sobre a reforma da previdência. Essa procrastinação acaba gerando um descompasso na economia refletindo no mercado de trabalho”, afirmou.

Aderson conta que as atividades do setor no Amazonas possuem dois fatores importantes a serem observados: a sazonalidade e a postura do consumidor frente a realidade econômica do país. “O primeiro semestre sempre é mais fraco que o segundo. Todo mundo sente no horizonte ameaça de perder o emprego e fica cauteloso. Muitas coisas podem ser deixada para depois. A única coisa que você não pode deixar para depois são coisas básicas, como alimentação, aluguel e as contas. Enquanto isso acontecer teremos números negativos”, disse.

Análise

Na visão do economista Nilson Pimentel, no atual cenário político - com atraso da reforma da previdência - não há perspectivas de melhoria na taxa de desemprego, tanto no Amazonas quanto no Brasil. Ele ressaltou, que os empregos gerados, ainda que ocorra, são residuais e escasso, e a melhor forma de distribuição da riqueza e minimizar desigualdades é a criação de novos postos de trabalho, principalmente no mercado formal.

“Sempre em início de ano ainda se tem resíduos dos temporários admitidos para as grandes festas, passou acabou. A partir do tempo para o meio do ano, a cena econômica se torna mais difícil e o primeiro fator que recebe a carga negativa é o emprego.  No geral o que se coloca como um stand by é a expectativa de aprovação da reforma previdenciária, na esperança de melhoria no custo Brasil, e aqui no Amazonas não é diferente”, disse.

 

Veja Também