Opinião

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Se fosse hoje o setor primário não teria o corte de 0,5%

Governador Wilson Lima pagou a subvenção atrasada de cinco anos

Por Thomaz Meirelles

22 Jul 2019, 19h42

Crédito: Divulgação

Se a decisão do corte de 0,5% do orçamento do setor primário tivesse que ter sido tomada hoje, pós-lançamento do Plano Safra, tenho certeza que o governador Wilson Lima, os 17 deputados estaduais, mais os cinco ausentes, jamais apoiariam a equivocada recomendação da equipe econômica do atual governo em cortar 0,5% do orçamento por dois anos. Mostramos força e potencial. O motivo pra não ter cortado é simples: É a atividade que está sustentando o Brasil na atual crise, e o único caminho para iniciar a retirada do Amazonas da atual crise que nos enfiaram.

Na sexta passada, o Jornal do Commercio, com dados do IBGE, mostrou que a previsão de crescimento desse setor no Amazonas é de 36%.  Não sou especialista em contas do tesouro, mas acredito que faltou boa vontade por parte da equipe econômica em conhecer aspectos importantes do setor agropecuário amazonense antes de recomendar essa equivocada sugestão ao governador. Seus assessores econômicos são inteligentes, conheço alguns, portanto, com conhecimento suficiente para encontrar outros meios de amenizar a crise que passa o Amazonas. Nosso produtor rural não pode pagar a conta da irresponsabilidade de alguns gestores do passado que levaram nosso estado ao caos e às páginas policiais.

Sei que essa crise na saúde não é culpa do atual governo,  é fruto de tantas "operações" já realizadas em nosso estado, entre elas a recente "Maus Caminhos" que desviou milhões. A baixa execução alegada pela equipe econômica não faz sentido. Estamos no meio do ano, sabendo que agora começa o verão e a expressiva maioria das ações ligadas ao setor agropecuário. Além disso, entraves em outras secretarias, que desconhecem como funcionam as atividades do Sistema SEPROR, do setor agropecuário, travaram o andamento do orçamento do setor nesses meses iniciais de governo. 

No dia 11 passado (quinta-feira), a FAEA, OCB, FETAGRI e o secretário Petrucio reuniram com o governador, fizeram as devidas e necessárias ponderações e, na sexta passada, ficamos sabendo que o governador alterou a redação inicial da mensagem fixando a redução de 0,5% para o corrente ano, e no próximo. A partir de 2021, os 3% estarão de volta. Portanto, enalteço todo o empenho da FAEA, FETRAGRI e OCB para que na redação final constasse os 3%  de volta em 2021. Também fiquei sabendo que o deputado Adjuto Afonso ajudou para esse final, que não foi o feliz, mas soube que foi o possível diante do jogo duro da equipe econômica, que eu não concordo. Sem esse grande esforço dessas entidades o final certamente seria outro, prevaleceria o equivocado pensamento da equipe econômica do governo. Aliás, a equipe econômica que idealizou esse corte esqueceu os compromissos do governador em dialogar com os setores antes de qualquer atitude. Quando as entidades souberam, o assunto já estava na ALEAM. 

Como já disse acima, não concordo com esse corte, mas tenho ouvido declarações de que o atual governador não apoia o setor primário. Isso é injusto, pois não ter prioridade com o setor primário foi deixar o juticultor ter ficado 5 anos sem receber R$ 0,40 centavos de subvenção. Não ter prioridade é comprar 80 milhões em implemento agrícola e dizer que não tinha R$ 0,40 centavos para pagar o juticultor, e ainda deixou contas dos pequenos produtores pendentes e grandes interrogações na execução no PREME. Wilson pagou em apenas meio ano de governo a subvenção atrasada de 5 anos. Não ter prioridade mesmo foi deixar o estado 6 anos sem EXPOAGRO. Não ter prioridade foi deixar o produtor sem semente durante anos, não ter Garantia Safra etc etc. Por falar em execução orçamentária, lembro a "ótima" execução orçamentária das gestões passadas como a Central de Abastecimento de Iranduba, a Indústria de bacalhau de Maraã, a fecularia do Manaquiri, a Usina de Borracha de Iranduba, e por aí vai. Tudo abandonado, sem uso. Isso é execução orçamentária? Isso é eficiência na execução orçamentária? 

Portanto, agora, cabe ao Sistema SEPROR executar bem os 2,5% nesses dois anos, jamais seguindo os exemplos do parágrafo acima, pois tem dado muita dor de cabeça aos gestores do passado, muitos deles meus amigos, pessoas sérias, comprometidas, mas a pressa extrema, coisas de política,  é inimiga da perfeição. O governador sabe que no atual comando da SEPROR tem um amigo, que aderiu sua caminhada nos primeiros momentos, sem oportunismo, é engenheiro agrônomo aberto ao diálogo, verdadeiro, trabalhador, técnico, que vai a campo, ouve os setores e querendo acertar. Reconheço a crise econômica interna e no Brasil, tanto que, na última sexta, dia 12, o Ministério da Economia revisou a projeção oficial para o crescimento da economia neste ano, de 1,6% para 0,81%. O dado consta no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia. O Plano Safra do Governo Federal lançado recentemente, assim como o Plano Safra do AM tem tudo para ajudar a reverter o delicado momento econômico no Brasil e no Amazonas. 

Sempre reconheci erros e acertos de gestões passadas, vou continuar assim, sempre propositivo. Reconheço o bom início do atual governo com o setor primário, diferente dos demais, mas essa decisão foi errada, felizmente será corrigido ainda na atual gestão. Se fosse deputado votaria contra a redução, por razões óbvias, ou seja, não posso reduzir orçamento do único setor que vai tirar o Amazonas do buraco que nos enfiaram.

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles é servidor público federal, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com

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