Agronegócios

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Safra amazonense tem estimativa de alta acima da média nacional

Números do IBGE permitem concluir que o desempenho positivo se deveu mais à evolução no tamanho da área plantada do que ao clima

Por Marco Dassori

13 Fev 2019, 11h06

Crédito: Divulgação

A maior parte dos itens da cesta de produtos agrícolas do Amazonas deve registrar altas percentuais acima da média nacional, na safra de 2019. Os destaques são mandioca (+58,1%), cereais, leguminosas e oleaginosas (25,6%), milho (47%), arroz (+19%), cana de açúcar (+3,9%) e feijão (+2,4%).

Os dados estão no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nesta terça-feira (12). A mesma sondagem prevê decréscimo nas safras de banana (-10,1%), laranja (-6,1%) e cacau (-1,3%). E as perspectivas para a produção de feijão e café (arábica e canéfora) são de empate com 2018.

Os números do IBGE permitem concluir que o desempenho positivo se deveu mais à evolução no tamanho da área plantada do que ao clima. Mandioca (de +41,4% a +44,4%), arroz (de +19,5% a +29,7%), cereais, leguminosas e oleaginosas (+19%) e cacau (+5,4% a +10,4%) aumentaram a extensão de cultivo em relação a 2018. Banana (-5,2% a -5,5%), feijão (de -2,5% a -3,9%) e cana de açúcar (de -0,6% a -0,7%), por outro lado, amargaram redução, e o café, estabilidade.

A mandioca é o produto agrícola amazonense com maior previsão de alta na safra de grãos deste ano: um salto de 842.180 (2018) para mais de 1,33 milhão de toneladas (2019). O índice percentual de crescimento do Estado (+58,1%) supera com folga a média nacional (+4,2%), que aponta para uma produção total de 20,2 milhões de toneladas.

O Amazonas lidera as estimativas de aumento de produção de mandioca na Região Norte (aumento de 902,5 mil toneladas) – que é responsável por 36,1% da safra nacional prevista para este ano. Acre (54,8%), Amapá (5,3%), Rondônia (3,2%) e Pará (2,7%) vêm em seguida.

Apoio público

No entendimento do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, os números do IBGE confirmam a viabilidade e a importância estratégica de ampliar o apoio público ao setor primário, em virtude de sua capacidade de gerar emprego e renda no interior do Estado.

“As altas registradas mostram a importante tendência de crescimento de determinadas culturas agrícolas em nosso Estado. E isso se deve a um conjunto de fatores, principalmente políticas públicas de fomento a culturas, como a da mandioca, que é a cadeia produtiva rural mais representativa do Amazonas, notadamente em termos de mão de obra ocupada”, comemorou.

No caso específico da mandioca, o presidente da Faea pondera que a projeção, “muito provavelmente” se deve ao desempenho positivo da cultura no ano passado. No período, o Amazonas não registrou problemas de “grande cheia” que afastasse as áreas de produção de várzea.

Muni Lourenço considera que as quedas de produção para itens como a banana são circunstanciais, em razão da decorrência de fatores climáticos ou de problemas de pragas na lavoura. Mas, o dirigente não descarta a possibilidade de substituição por alguma outra cultura de maior lucratividade para o produtor rural.

Migração e programas

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães, tem avaliação semelhante e vai mais além. “Acredito que os programas Pró-mecanização e Pró-calcário, que estão em operação desde 2015, salvo engano, tiveram grande influência nos números, principalmente na Região Metropolitana de Manaus [RMM]. Assim como a distribuição de sementes”, ressaltou.

Outro fator que pode ter contribuído, segundo Magalhães, seria um êxodo atípico da mão de obra, da capital para o interior, em virtude da crise. “O crescimento da desocupação em Manaus está levando ao retorno desses trabalhadores. Principalmente aos municípios da RMM, onde foi registrado aumento nas áreas de plantio, formando um cinturão verde em torno de Manaus”, destacou.

O secretário estadual lembra que o cultivo da mandioca tem abrangência territorial grande no Amazonas, a despeito da baixa produtividade. Acrescenta também que o produto agrícola tem papel fundamental na alimentação do Estado, que tem um dos maiores consumos per capta de seu derivado – a farinha – em todo o Brasil.

Petrúcio Magalhães concorda que a queda de produção e de área plantada da banana pode ter ocorrido em função de problemas sanitários, mas tem visão diferente em relação ao ocorrido com a laranja. “Visitamos os municípios e percebemos uma renovação no plantio, em virtude do fim do ciclo de vida útil de muitos pomares”, concluiu.

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