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Safra amazonense em alta com a expansão da área de plantio no Estado

A extensão a ser colhida neste ano é de 170.856 de hectares, 32,6% maior do que a de 2018 (128.844), ou o equivalente a 42 mil hectares a mais

Por Marco Dassori

11 Mai 2019, 07h20

Crédito: Divulgação

O IBGE manteve sua estimativa de incremento na safra da maior parte dos produtos agrícolas do Amazonas. A informação pode ser conferida de acordo com os dados do mais recente Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, referente a abril.

O mesmo pode ser dito da área de plantio, cuja expectativa se manteve em relação à sondagem de fevereiro. A extensão a ser colhida neste ano é de 170.856 de hectares, 32,6% maior do que a de 2018 (128.844), ou o equivalente a 42 mil hectares a mais.

Líder em estimativa de crescimento percentual, a mandioca deve render produção total de 1.331.531 toneladas neste ano, número 58,10% superior ao registrado 12 meses atrás (842.180). A mandioca também é a campeã em área de plantio e aumento na mesma (+44,35%), tendo subido 87.351 (2018) de para 126.096 (2019) hectares.

A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas foi estimada em 41.207 toneladas, quantidade 25,6% superior à safra de abril de 2018 (32.806) e sem alteração em relação a divulgação anterior. A área utilizada para a produção subiu 18,93%, de 19.280 (2018) para 22.930 (2019) hectares.

No Amazonas, essa categoria inclui arroz (14.206), milho (18.894) e duas safras de feijão (4.000 e 4.107). A quantidade obtida de arroz deve ser quase 19% superior à do ano passado (11.938), enquanto a de milho deve avançar 47% em relação a 2018 (12.853). No caso do feijão os cálculos apontam para uma elevação de 2,29% (4.015) e para um empate (4.000), respectivamente.

A cana de açúcar é categoria agrícola com menor previsão de alta e também sofreu revisão. O IBGE estima agora que a safra deve ser de 274.059, 3,87% maior do que a de abril do ano passado (263.854). No levantamento anterior, a projeção era positiva em 3,9%. A área de plantio também foi reduzida (-0,56%), de 4.610 (2018) para 4.584 (2019) hectares.

Café e fruticultura

A projeção para os cafés canéfora e arábica, por outro lado, segue estagnada. Calcula-se que a produção do primeiro não passe de 2.679 toneladas, a mesma marca do ano anterior. Já o segundo aponta para um virtual empate, ao totalizar 1.836 toneladas – contra 1.835 em 2018. As áreas de plantio também permaneceram inalteradas: 2.145 e 2.000 hectares, respectivamente.

Em contrapartida, a expectativa é que a fruticultura reduza sua produção. A banana deve ter uma colheita 12,08% inferior entre 2018 (126.120) e 2019 (112.522). A estimativa de queda anterior era de 10,10%. E a área de plantio foi reduzida em 5,84%, para 7.944 hectares neste ano – contra 8.408 em 2018.

Na mesma direção, a safra da laranja deve cair de 71.104 (2018) para 66.760 (2019), uma diferença de 6,11%. Em menor grau, o cacau deve baixar 1,34% e totalizar 1.321 toneladas (2019) contra 1.339 (2018). Em contrapartida, a extensão para o plantio subiu em ambos os casos, respectivamente para 3.241 e para 1.916 hectares.

“As previsões de produção e área colhida apresentam estimativas crescentes. Isso é normal para os meses iniciais do ano, pois as safras ainda estão sendo plantadas ou aguardando a baixa das águas nas áreas de várzea”, salientou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Ações do Estado

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães, atribui os resultados da alta da mandioca e do milho à volta da distribuição de sementes compradas pelo próprio Estado e em parceria com a Conab – por meio do programa do PAA (Programa de Aquisição Alimentos) Sementes. O secretário destaca ainda os resultados dos programas Pro Mecanização e Pro Calcário, com grande influência na produção de mandioca.

“Precisamos entender que é o setor primário que pode tirar o Amazonas da dependência econômica do PIM, pois tem potencial para gerar emprego e renda na capital e no interior. Para este ano, temos R$ 25 milhões para aplicar nos programas Pro Mecanização e Pro Calcário”, destacou.

Clima e doenças

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, concorda e diz que o aumento da área plantada é decorrente da expectativa dos produtores na expansão do consumo dos alimentos no mercado interno. Segundo o dirigente, a produção deve continuar crescendo nos próximos meses.

“Esses números confirmam a viabilidade e a importância estratégica de ampliar o apoio público ao setor primário, que tem capacidade de gerar emprego e renda no interior. As quedas são circunstanciais, muito provavelmente em decorrência de fatores climáticos ou de problemas de doenças, a exemplo da banana”, encerrou.

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