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Rotatividade no Amazonas é a menor do Brasil, diz Caged

Por Marco Dassori

05 Jul 2019, 11h54

Crédito: Acervo JC

A taxa de rotatividade média de empregos com carteira assinada no Amazonas acelerou entre abril e maio, passando de 3,75 para 3,88 pontos percentuais. Apesar da elevação, a taxa amazonense – que já era a menor da região Norte – agora é a mais baixa em todas as unidades federativas do Brasil. 

As informações foram extraídas da base de dados mais recente do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Quanto maior a pontuação, maior a incidência de substituição de mão de obra e menor o tempo de permanência na vaga.

A média da região Norte foi de 4,89 pontos percentuais, sendo que a segundo número mais baixo ficou no Amapá (4,03) e o mais alto, em Tocantins (6,44) – que também foi o maior em todo o país. A média do território nacional foi de 5,03 e a região Centro-Oeste (5,58) ficou com a maior taxa, enquanto a menor foi registrada no Nordeste (4,45).  

Entre as atividades econômicas do Amazonas, coube à administração pública a menor taxa (0,97). O setor foi o que menos gerou vagas entre abril e maio: apenas um emprego formal, conforme a mesma base de dados. No ano, a variação foi negativa em 0,28% (-33 postos). Em 12 meses, foram eliminados oito empregos (-0,07%).

A maior taxa foi registrada, novamente, na construção civil (6,42), que desacelerou em relação à sondagem anterior (6,70). As construtoras amazonenses criaram 231 postos de trabalho na passagem de abril para maio (+1,15%), 1.398 em 12 meses (+7,38%), e 1.178 no ano (+6,15%).

O segundo maior número veio da agropecuária (6,11), bem superior a abril (3,50). A atividade foi a única do Estado a amargar retração de empregos em todas as comparações. A diferença entre desligamentos e admissões foi de apenas duas vagas (-0,05%) no comparativo mensal. Em 12 meses, foram eliminados oito postos (-0,21%). O ano acumula a extinção de 481 vagas (-11,13%). 

O comércio teve a terceira maior taxa (5,09) – mais baixa que a de abril (5,19). O setor teve desempenho positivo na criação de empregos entre abril e maio (+0,25% e +243 vagas) e no acumulado de 12 meses (+2,42% e +2.259 empregos). Mas, ao longo do ano, (-1,56% e -1.513 postos de trabalho), não saiu do vermelho.  

Na sequência, o setor de serviços apresentou taxa de 3,94 pontos percentuais, acelerando na comparação com o mês anterior (3,55). Em termos de empregos, avançou 0,08% na comparação mensal (+163 vagas), 0,99% no saldo anual (+2.084) e 2,54% em 12 meses (+5.254). 

Responsável pela maior parte da geração de postos de trabalho em todas as comparações, e pela maior variação no ano, a indústria do Amazonas também esteve entre os setores com taxas mais baixas de rotatividade (2,75) – semelhante à de abril (2,73). Houve alta de 0,44% no saldo de empregos entre abril e maio (+436 vagas), de 2,12% no quadrimestre (2.052), e de 1,84% em 12 meses (1.788).

Acima do desejável

Para a diretora de Educação e Desenvolvimento Humano da ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seção Amazonas), Silvana Aquino, embora o Amazonas disponha da menor taxa de rotatividade, o número está muito acima do “desejável” –em torno dos 2 a 2,8 pontos percentuais.

“É claro que algum nível de oxigenação é necessário nas organizações, mas o número está em um patamar muito alto para o momento atual do país, que voltou a respirar, mas ainda não cresce e gera empregos da forma necessária”, ponderou.

Silvana Aquino diz que o vigor da indústria contribuiu para tirar trabalhadores de outros setores no mesmo período. Construção civil, comércio e serviços seriam os mais afetados por esse efeito migratório, com a consequente elevação de suas taxas de rotatividade. 

“Quando o PIM aquece, essas pessoas voltam para a indústria, pelas melhores condições de salários, benefícios e, acima de tudo, segurança no emprego. E as empresas conseguem fazer essas substituições, porque o mercado tem muito mais gente disponível do que oferta de vagas”, reafirmou. 

“Mais devagar”

O diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas),José Carlos Paiva, lembrou que a alta rotatividade é característica do setor, em função de a mão de obra não ser especializada e de os trabalhadores encerrarem os contratos quando as obras acabam. Mas, segundo o dirigente, nem mesmo a queda da taxa é uma notícia positiva, pois decorre do menor nível de atividade. 

“Estamos em um ritmo mais devagar ainda. Esperava que, em junho, chegássemos a pelo menos 20% do nível do mesmo período do ano anterior, mas nem isso. O governo estadual diz que vai cortar gastos e faz isso justamente nas obras públicas. Do jeito que está, não acredito em uma mudança para melhor até o terceiro trimestre do ano. Isso, se a Reforma da Previdência passar e não for desidratada”, concluiu. 

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