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Ressaca do Carnaval afeta resultado do varejo no Amazonas

Por Marco Dassori

10 Abr 2019, 09h21

Crédito: Divulgação

O comércio varejista do Amazonas amargou números negativos em fevereiro. Embora o volume de vendas tenha ficado praticamente estável em relação a janeiro (-0,1%) – em um resultado bem superior à queda de 1,1% no mês anterior – todos os cenários restantes apontaram para queda na atividade.

Em relação a fevereiro de 2018, o setor encolheu 1,5%, registrando sua terceira taxa negativa seguida. No bimestre, o recuo foi de 2,4% em relação ao mesmo período de 2018. Os números foram extraídos da pesquisa mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada na terça (9).

“A média móvel trimestral, após queda de 0,8% em janeiro, continuou recuando em fevereiro (-2,6%). (...) O acumulado nos últimos 12 meses registrou alta de 2,5%, mas vem perdendo força, em função dos desempenhos negativos dos últimos três meses”, pontuou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, no texto distribuído à imprensa.

O Amazonas foi uma dos cinco unidades federativas – entre as 27 pesquisadas pelo IBGE – a amargar queda no volume de vendas na comparação de fevereiro de 2019 com igual mês do ano anterior, embora Piauí (-6,8%), Roraima (-3,0%) e Paraná (-1,8%) tenham se saído pior nesse cenário. Os melhores resultados vieram de Espírito Santo (+12,6%), Acre (+9,0%) e Pará (+8,2%).

Na receita nominal, o desempenho também foi negativo. Houve quedas na passagem de janeiro para fevereiro (-0,2%), em relação a fevereiro de 2018 (-0,6%) e no comparativo do primeiro bimestre de 2019 (-1,6%), a despeito de a variação acumulada de 12 meses ter se mantido em terreno positivo (+3,5%).

Veículos e construção

Os números, até aqui, levam em conta os desempenhos dos segmentos de combustíveis, supermercados, vestuário, móveis e eletrodomésticos, artigos farmacêuticos, papelaria e revistaria, material de escritório, e artigos de uso pessoal e doméstico.

No comércio varejista ampliado – que inclui veículos, motos, partes e peças, além de material de construção –, o desempenho foi muito melhor. O volume de vendas avançou 0,5% frente a janeiro de 2019 – melhorando o desempenho negativo dos últimos três meses –, saltou 3,1% no bimestre de 2019, e escalou 5,9% diante de fevereiro de 2018 – na 26ª taxa positiva seguida.

“A média móvel trimestral de fevereiro (-1,6%) recuou acima da registrada em janeiro (-0,6%). (...) Já o acumulado nos últimos 12 meses passou de 8,5% em janeiro para 7,8% em fevereiro, apontando ligeira queda no ritmo de vendas”, ressaltou Adjalma Nogueira Jaques, no texto distribuído à imprensa.

Em relação a fevereiro de 2018, 26 das 27 unidades federativas sondadas pelo IBGE fecharam no azul, com destaque para Mato Grosso (+12,1%), Goiás (+11,3%) e Pará (+10,8%). A única queda foi registrada em Roraima (-0,8%).

A receita nominal também foi positiva em todos os cenários. O incremento foi de 1,6% na passagem de janeiro para fevereiro, de 7,6% em relação a fevereiro de 2018, de 4,7% no bimestre, e de 8,7% em 12 meses.

Reversão de expectativas

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, avalia que os números negativos do varejo se devem a uma reversão de expectativas do consumidor, diante do panorama econômico nacional.

“A melhora do consumo que esperávamos, infelizmente não chegou. Muitas empresas que davam desconto para lojistas, por exemplo, chegaram a suspender o benefício, acreditando que as coisas iriam melhorar. Mas, tiveram que voltar atrás”, lamentou.

Para do dirigente, o fato de produtos dependentes de crédito e endividamento terem se saído melhor nas vendas, indicaria demanda reprimida do consumidor ou retomada de obras governamentais, no caso dos materiais de construção. Azury atribui o desempenho positivo do segmento de veículos ao aumento de oportunidades para motoristas de aplicativos e serviços delivery.

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, concorda que o desempenho ficou aquém do esperado para um período de otimismo máximo, embora se diga surpreso diante do fato de o “consumo rápido” do dia a dia ter perdido para as compras de longo prazo, e de a retração não ter sido apenas sazonal.    

“Seria até normal que houvesse uma queda entre janeiro e fevereiro, porque esse é um período de férias e de festas, quando a atividade acaba sofrendo. Só estranhei os números negativos em relação ao ano passado, que lembro que foi bem pior para as vendas. É a segunda vez que isso acontece e isso nos preocupa. Esperamos que haja alguma recuperação em março”, encerrou.

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