Opinião

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Recursos naturais e o desenvolvimento endógeno

Ter abundancia de recursos não torna o Amazonas um estado rico

Por Nilson Pimentel

26 Ago 2019, 08h52

Crédito: Divulgação

Parcela de profissionais e consultores que atuam no âmbito econômico das atividades produtivas do Polo Industrial de Manaus (PIM) consideram a exigência do processo produtivo básico (PPB) para novos produtos a serem introduzidos no mix de produção do PIM como um entrave à atração de novas plantas fabris na Zona Franca de Manaus (ZFM), pois além de limitar a entrada de novos produtos, demanda tempo excessivo para sua aprovação em Brasilia por Grupo de Trabalho de Ministério da Economia, um burocracia a mais que retarda e faz com que se percam investimentos produtivos aqui no PIM.

Por outro lado, pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia (CEA) e demais economistas que atuam na área do Desenvolvimento Econômico Regional e, que defedem o modelo endógeno de desenvolvimento para o Amazonas, identificam que, através dessa forma econômica de produção não se tem alcançado por esse exigência burocrática. Como sustentam o pessoal do CEA, somente ter abundancia de Recursos Naturais não torna o Amazonas um estado rico economicamente, mas, contudo, traz possibilidades de aproveitamento produtivo desses Recursos Naturais, na racionalidade econômica, daqueles que sejam classificados como potencialidades econômicas.

E, como todos conhecem essas principais potencialidades não se precisa que terceiros venha para cá nos ensinar quais são, por diagnósticos de consultorioas milionárias!!! Nas discursões dos pesquisadores do CEA, o aproveitamento econômico dos Recursos Naturais possue, primeiramente abordagem liberal mais convencional que é a Teoria das Vantagens Compartivas, na qual sustentam que a especialização produtiva econômica com base nos Recursos Naturais em determinados países ricos nesses Recursos, traz possibilidades de tais países em posição de extrair o máximo de ganhos que o comércio internacional pode oferecer para essas espécies de commodities, transformando-se, desse modo, a abundância de Recursos Naturais em uma vantagem comparativa no comércio internacional que representaria uma “grande viés” para o desenvolvimento econômico.

A outra abordagem é a visão estruturalista, na qual se aponta que tal especialização econômica em Recursos Naturais deixaria os países em permanente subdesenvolvimento, pois em se manter como exportador de matérias primas e produtos primários não levaria ao desenvolvimento econômico tão desejado, deixando de ser o “grande viés” para se tornar um verdadeiro “erro de avaliação econômica”. Assim, que no século XX se criou o conceito de  “doença holandesa” para se identificar que economias com base de oferta de matérias-primas e outros produtos primários geram grandes saldos de curto prazo, afetando a industrialização negativamente e tornando sua competitividade quase nula.

Na visão dos economistas do CEA, nos resta abordar esse imenso manancial de Recursos Noaturais que o Amazonas possui não como uma “dádiva” da natureza, mas como possibilidades concretas de se transformar em potenciais econômicos para se efetivar como Riqueza, por intermédio do capital, da tecnologia inovativa e nos conhecimentos tecno-científicos, podendo abranger as fronteiras tecnológicas que leve a Economia Amazonense à libertação desse jugo do projeto ZFM/PIM, com bioprodutos (proteínas, alimentos, principalmente) fármacos, cosméticos, a química verde e os metálicos, como exemplos do aproveito eficiente economicamente, em intensivas atividades produtivas com Recursos Naturais.

Como todos sabem a revolução das tecnologias de comunicações e o intensivo processo de globalização nesse primeiro quartil do século XXI vem provocando maior segmentação de mercados, maior estabelecimento das cadeias produtivas globais e de valor, assim como, as cadeias tecnológicas de produtos. Também, se identificam especificados nichos de mercado com produtos customizados e diferenciados, quer por origem, ou por processos produtivos únicos, criando assim, novas oportunidades para oferta de produtos provenientes de Recursos Naturais específicos, não caracterizados como commodities no mercado internacional.

Visto essas oportunidades que os Recursos Naturais proporcionam à criação de Riquezas nos diversos “locus economicus” municipais que se diferenciam-se entre si, utilizando a racionalidade econômica, com o estabelecimento de arranjos produtivos locais, sistemas locais de inovação, ambientes inovadores, economia de atividades solidárias, desenvolvimento local integrado e sustentado, dentre outros, adotados como estratégias de desenvolvimento econômico regional local nos municípios que compõem as nove sub-regiões do Amazonas.

Por outro lado, em face do atual sistema econômico global que apresenta diversas oportunidades de mercado, a criação de estratégias de desenvolvimento econômico baseadas em Recursos Naturais que o Amazonas detém, possibilita que se construa o futuro econômico almejada por nossa sociedade, com a reestruturação produtiva que utilizem tecnologias adequadas aos processos de industrialização dos potenciais econômicos mais favoráveis para o sucesso de uma estratégia de diversificação e dinamização econômica para o desenvolvimento econômico regional do Amazonas.

*Nilson Pimentel é economista, engenheiro,administrador, mestre em economia,doutor em economia, pesquisador, consultor empresarial e professor universitário: nilsonpimentel@uol.com.br.

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