Cultura

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Reconhecimento da presença lusitana em Manaus

Por Marcelo Peres

07 Mai 2019, 06h25

Crédito: Divulgação

Animado por muitas atrações musicais, o Luso Sporting Club comemorou na noite de sábado (04) os seus 107 anos de existência regado a  um cardápio tipicamente português, acompanhado do bom vinho de Portugal, de bebidas regionais, pastel de Belém, além de outras iguarias amazônicas.

A entrada do gourmet variado foi com caldo verde, seguido pela célebre bacalhoada impecável. O repertório musical foi diversificado – de MPB, jazz, fado, rock, boleros,  lambadas, toadas até o frenesi do carimbó, apenas para enumerar alguns ritmos que contagiaram os presentes à festa. A comunidade  portuguesa e seus descendentes e outros públicos lotaram o clube, um dos mais tradicionais de Manaus, que fez fama por promover grandes eventos culturais no passado, mas que ainda estão vivos na memória dos manauaras.  

Por seu espaço, circularam celebridades nacionais e internacionais que arrastaram grandes multidões na capital. Carlinhos do Boi, Liê de Cezar, Fátima Silva e a dança do grupo Rancho Folclórico Luso Brasileiro do Amazonas animaram as comemorações do aniversário com o Jantar Show Dançante do  Luso em grande estilo. O historiador Abrahim Baze abriu a solenidade falando da importância do Luso para o desenvolvimento cultural de Manaus e também do Amazonas.

Ele lembrou a grande trajetória do clube que nasceu primeiramente da iniciativa de dois jovens portugueses nos meados dos anos 1900, mas que só foi fundado em 1º de maio de 1912 por um grupo de 12 portugueses.  “Essa semente é a base do que conhecemos hoje como um clube que foi palco de belas atrações por décadas. Por muito tempo, o Luso esteve em evidência por sua atuação impecável e de valor histórico. Contribuiu também com a educação promovendo um ensino de qualidade e ainda foi proprietário de um time de futebol, que não existe mais hoje mas que foi muito competitivo enquanto atuou”, disse ele.

A deputada  estadual Therezinha Ruiz (PSDB-AM) e Phelippe Daour Jr, CEO da Rede Amazônica, foram homenageados durante as solenidades com um livro que conta a história do Luso, de autoria do historiador Abrahim Baze. “Falar em Luso, é falar nas atividades de um clube que fez história em Manaus e será sempre um marco nos eventos culturais do Amazonas”, destacou a parlamentar.

Planos

Com pelo menos 500 associados, o Luso agora parte para uma meta mais ousada nos próximos anos. Segundo o presidente do clube, Flávio Vilhena, o objetivo é  resgatar os grandes eventos culturais que marcaram épocas em Manaus e ainda os serviços prestados à sociedade. “107 anos é muito tempo. Temos orgulho de falar que, dos clubes sociais de Manaus, o Luso é o único que está de pé com recursos próprios. A maioria fechou ou está alugada”, disse ele.

De acordo com Flávio Vilhena, o Luso já teve companhias de teatro que desenvolviam várias atividades artísticas e culturais, além de uma escola regular de ensino. “Temos uma belíssima história. Então, nosso principal objetivo é resgatar todas essas ações que marcaram a história da cidade”, acrescenta ele. Para isso, o clube pretende estender o número de associados para 5 mil nos próximos anos e ainda planeja parcerias com as comunidades portuguesas do Pará, Acre, Rondônia, Roraima,  Amapá e Rondônia.

“Em Belém, por exemplo, o grêmio (clube) tem 9 mil associados. Acho que podemos alcançar essa meta estreitando parcerias e compartilhando experiências. Vamos tentar replicar essas ações”, afirma. Como no passado de ouro, retomar as grandes atrações musicais e os belos bailes tradicionais também fazem parte das planos do Luso para 2019.

Segundo Vilhena, no ano passado a apresentação do cantor e pianista português Mário Moita, com seu show de fado e piano, foi um sucesso de público. “Recebemos pelo menos 250 pessoas durante o espetáculo. Então, o resultado nos motiva a trazer ainda mais grandes apresentações”, diz ele. Vilhena anunciou ainda que o Luso deve construir um balneário e ampliar o número de serviços prestados à população. “Sabemos que o segmento está decadente, mas através de grandes atrações pretendemos resgatar as atividades que marcaram a nossa história no passado”, explicou.

Com estilo belle époque, a sede do Luso na rua Monsenhor Coutinho, Centro de Manaus, faz parte do patrimônio histórico da cidade e espera hoje uma autorização do Ipham (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para a recuperação da fachada do prédio, segundo Flávio Vilhena. Hoje, a comunidade portuguesa em Manaus é formada por mais de 6 mil pessoas, a segunda maior da Região Norte. E agrega, além do Luso, o Hospital Beneficente Português, o Consulado de Portugal, os conselhos e as confrarias. “Compartilhamos nossas experiências para que um ajude o outro”, diz Vitor Vilhena, presidente da Beneficente.

Segundo o cônsul honorário de Portugal em Manaus,  Humberto Figueiredo, as atividades do Luso são uma boa oportunidade para mostrar a importância cultural e a bela gastronomia do país lusitano. “Reunimos toda as comunidades dos luso-brasileiros, de seus descendentes e também de simpatizantes. É um ambiente de muita alegria e confraternização”, avalia.

Para o diretor do Luso, Antônio Azevedo, os 107 anos do clube representam o ápice de uma atividade de sucesso que fez história em Manaus, promovendo serviços e eventos culturais. “O Luso é a segunda maior entidade portuguesa no Amazonas depois da Beneficente. Aqui temos espaço para preservar a memória de Portugal com sua boa bebida e gastronomia de qualidade”, destaca ele, que também é presidente do grupo  empresarial TV Lar.

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