Economia

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Queda no PIB do trimestre mostra urgência das reformas no país

Por Marco Dassori

06 Jun 2019, 11h42

Crédito: Divulgação

Puxada por uma retração mais forte na indústria e nos investimentos globais, a queda do PIB no primeiro trimestre de 2019 acendeu uma luz amarela para economistas e representantes das entidades classistas do Amazonas. Para eles, medidas de curto prazo para injetar liquidez na economia podem ajudar, mas serão inúteis se as reformas seguirem travadas no Congresso.

A soma dos bens e serviços produzidos no Brasil encolheu 0,2% entre janeiro e março, depois das altas do terceiro (+0,5%) e quarto (+0,1%) trimestres de 2018. A manufatura e o investimento (formação bruta de capital fixo) mergulharam 0,7% e 1,7%, respectivamente, conforme o IBGE.

Na análise do coordenador da Comissão de Logística do Cieam, professor da Ufam e empresário, Augusto Cesar Barreto Rocha, diante desse quadro, liberar contas de FGTS e baixar juros são ótimas medidas de curto prazo, assim como permitir contas em dólares no Brasil.

“É necessário aumentar a liquidez do mercado. Precisamos de circulação de dinheiro para estimular a economia. A saída da crise dos EUA se deu com imensas injeções de recursos na economia. Entendo que o Brasil precisa seguir este caminho. E contas em dólares seriam ótimas para empresas que trabalham com comércio exterior, pois reduziria custos cambiais e permitiria usar a receita da exportação para pagar importação”, explicou.

Rocha pondera que a Reforma Tributária será decisiva para a ZFM e diz que ainda não há como ter muito otimismo em relação ao PIM, em face de sua dependência do consumo. Mas, salienta que já há indicadores que apontam para uma melhora no futuro.

“O salário nominal cresce de alguma forma. O desemprego segue alto, mas o salário parou de baixar. Parece-me um cenário positivo que poderá ser potencializado com uma simplificação na forma de fazer negócios que vêm sendo trabalhada”, sintetizou.

Crise e supérfluos

Na mesma linha, o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus, Pedro Monteiro, avalia que não falta capital para aportes em novos projetos no Brasil, mas confiança dos investidores para deslanchar a economia, dada a insegurança e o momento político.

“Não se sabe se a Reforma da Previdência vai passar ou se vai ser desidratada no caminho. E, com isso, falta liquidez no mercado. Por isso, vejo com bons olhos medidas como a redução de juros e a liberação de recursos do FGTS, pois injetariam mais recursos na economia”, justificou.

Monteiro diz, no entanto, que a indústria alimentícia é a última a entrar na crise e a primeira a sair dela, com exceção das empresas que trabalham com produtos gourmetizados e supérfluos em um momento de aperto monetário. Mas, conforme o dirigente, o perfil do segmento em Manaus – onde despontam as linhas de trigo e temperos, entre outros – é o de produtos básicos

Transferência de renda

O economista, consultor empresarial e professor da Ufam, Francisco Assis Mourão concorda e ressalta que o governo federal deveria implementar outras medidas adicionais de transferência de renda para aumentar a liquidez da economia, como aumentar a dotação para o Bolsa Família, entre outras, além de obras de infraestrutura.

“As medidas anunciadas são desesperadas, mas há razão nisso. No caso do FGTS, é lógico liberar, pois o dinheiro é do trabalhador e tem que girar na economia. O governo não produz. Temos que estimular o consumo, pois a massa salarial está estagnada pelo desemprego e as empresas trabalham com capacidade ociosa e estoques elevados”, defendeu.

No caso do PIM, Mourão lembra que a indústria incentivada de Manaus é muito sensível às oscilações da economia nacional, dado que produz bens de consumo dependentes de crédito e voltados quase que exclusivamente para o mercado doméstico. “A produção só vai retornar com força quando o comércio aumentar as encomendas. Isso não acontece com baixo consumo”, asseverou.

Desemprego e investimentos

Já o assessor econômico da Fecomercio-AM, José Fernando Pereira da Silva, não vê muito sentido em medidas de curto prazo diante do abismo da economia brasileira e defende que não há outro caminho para salvar o país que não passe pelas reformas e medidas de desburocratização.

“Paliativos não funcionam. Não adianta reduzir juros, porque a população está endividada e isso não impacta no consumo. A massa de desempregados é muito grande, os Estados estão quebrados e muitas prefeituras estão mortas. Para crescer, o Brasil precisa de investimentos, mas não tem recursos porque sua receita vai para a Previdência”, concluiu.  

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