Opinião

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Proteína de peixe busca seu lugar ao sol dos grandes negócios

Por Cieam

22 Mar 2019, 11h35

Crédito: Divulgação

Tambaqui, tucunaré e pirarucu, as mais frequentadas iguarias na culinária local,  há cinco anos estão ganhando requinte nos restaurantes de Nova Iorque. O tambaqui, desde a década de 90, entretanto, é celebridade no requintado restaurante de Ed Brown. Mas com um detalhe: o peixe se origina da China, para onde foram 4 mil alevinos em 1992, quando o primeiro-ministro Li Peng veio a Manaus, antes de participar da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro. Encantou- se com a iguaria e, sem a menor cerimônia, pediu o precioso souvenir ao então governador Gilberto Mestrinho. Hoje, a China, se posiciona entre os produtores mundiais dessa espécie. Melhor pra eles. 

Novas matrizes 

Em comentário ao artigo do presidente do CIEAM, Wilson Périco, sobre os 40 anos da entidade, o Superintendente da Suframa, Alfredo Meneses, fez o seguinte comentário. 
“ A Zona Franca, além de estar garantida constitucionalmente, é um projeto estratégico do Brasil e modelo vencedor e exitoso sob todos os aspectos.Este fato, porém, não nos impede de encontrarmos novas matrizes econômicas, que somadas elevarão nosso estado a níveis de grande prosperidade, gerando mais empregos e renda para o nosso povo.Essa é a nossa grande missão!!! No ano passado, a China comprou mais de quatro vezes as importações de alimentos. Quem não disponibiliza alimentos para seu povo não se estabelece. E seus estoques de segurança alimentar estão sempre encontrando num limite temerário. Esta é a razão de tantas parcerias com o Brasil, que bem poderia trocar comida por tecnologia. Em seu livro sobre estratégia política, o alemão Gabor Stheinghart, The War of wealth, A guerra da prosperidade, ele é categórico, vai ser maior potência mundial quem for capaz de atender a demanda popular. Quem não alimenta não governa. 

Augusto César pergunta: Onde está o Tambaqui na caixa?

Num esmerado artigo sobre sabores, negócios e oportunidades, o professor Augusto César Barreto Rocha, mergulha numa das mais promissoras e deliciosas matrizes econômicas, a produção em escala das delícias piscosas da Amazônia. “Em meu sentimento, uma banda ou posta de tambaqui é mais que um símbolo de Manaus. Quando retorno de alguma viagem distante, depois de rever a família, uma das maiores alegrias é saborear esta iguaria preciosa de nossa culinária. Isso se tornou relativamente fácil por conta de iniciativas empresariais locais, com a escala na produção por meio de viveiros, somada com técnicas de preparo, levando a uma popularização do peixe”. O que falta para o Amazonas e o que sobra para Roraima e Rondônia na produção intensiva dessas três espécies. Sem fulanizar a conversa, parece que falta apenas o pudor. Em Rondônia, o governo se fez parceiro promovendo os tanques e os empresários da pecuária descobriram que a produtividade do peixe é 40 vezes maior, na mesma área, ou seja, um hectare de tanque escavado produz peixe 20 toneladas de proteína, enquanto a pecuária entrega apenas 500 quilos de proteínas. 

Atração turística 

Segue a análise do professor Augusto César: “Quem quiser verificar comentários no Trip Advisor, Google ou serviços semelhantes, perceberá que os turistas também adoram. Um deles disse que almoçou e jantou em um determinado restaurante no dia da despedida de Manaus de tão encantado que ficou com o sabor. Produtos que marcam regiões são assim: nascem pouco a pouco e a tecnologia associada para a sua produção é uma soma de esforços de toda a cadeia produtiva, desde a natureza até o mercado consumidor.Agora nos faltam os próximos passos: como colocar este peixe congelado em caixas e depois em contêineres refrigerados para ganhar o mundo? Quais as tecnologias necessárias? Quem vai encarar este projeto inovador? Como desenvolver mercados globais que queiram consumir nosso pescado? Este esforço não é trivial e somente com muita concentração e energia ele poderá ser superado.”

Abundância excessiva 

O que não pode é sapecar 22% de ICMS no milho produzido em Goiás, onde esse cereal é isento do imposto, para estimular toda a cadeia produtiva da ração. “Precisamos de um grupo de pesquisadores e empresários locais que encarem o desafio de fazer o passo seguinte ao Tambaqui de Banda, que é o Tambaqui Congelado na Caixa. É necessário juntar Engenheiros de Alimentos, Engenheiros de Pesca, Chefs Locais, Especialistas em Transporte, Companhias de Navegação, Produtores de Peixe, Economistas, Advogados e assim por diante. O que falta para fazermos isso?” No raciocínio pragmático do doutor em Engenharia, Augusto César, “ A dificuldade de desenvolver nossa região talvez não seja pela falta de oportunidades, mas pelo excesso delas. Temos tanto com o que acessar mercados globais que nos atrapalhamos com a abundância de opções. Será ótimo se o Governo do Amazonas em conjunto com a Suframa simplificarem todas as regras para que seja fácil produzir alimentos congelados em Manaus para mercados globais. Ou seja, SIMPLIFICAR o processo significará reduzir impostos, taxas, simplificar alvarás, licenças para cada minúcia, atendendo inicialmente mercados brasileiros e depois tentando alcançar mercado do exterior”. Fica a dica!!!
 

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