Economia

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Produtos regionais não sentem crise

Por Jefter Guerra jguerra@jcam.com.br

25 Nov 2016, 00h00

 

Pequenas empresas genuinamente amazonenses estão fazendo sucesso e empregando mais, mesmo em tempos de crise. Em contrapartida houve um crescimento de empresas fechando as portas em Manaus, segundo dados da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas), foram de 4.221 empresas extintas de janeiro a setembro deste ano.

Há 18 anos no mercado alimentício e de artesanato regional, a Bombons Finos se solidificou como empresa que ainda cresce atualmente, mesmo em tempos difíceis. Este ano por exemplo, abriu duas lojas na capital amazonense: uma no Shopping Ponta Negra e outra, no bairro Adrianópolis, próximo da antiga sede da empresa. Totalizando 12 lojas com 35 funcionários espalhados pela cidade.

De acordo com o gerente de Marketing da Bombons Finos, Jorge Júnior, a crise econômica nacional foi bem pouco sentida pela empresa. "Mesmo assim, ainda conseguimos abrir novas lojas. E em 2014, a fábrica foi para um galpão maior no Distrito Industrial. Hoje, chegamos a produzir 30 mil bombons, com 300 kg de chocolate por dia. Houve também a geração de empregos na região, pois 85% da nossa produção é vendida aqui, e outros 15% vão para alguns Estados", informou ele.

Entre os Estados brasileiros que revendem os bombons amazonenses, estão: Rio Grande do Sul, Belo Horizonte, São Paulo, Paraíba e Rio Grande do Norte. "E para a exportação, nós já levamos amostras dos nossos produtos para diversos países como: Estados Unidos, Rússia e Portugal que, por conta da burocracia da entrada de produto estrangeiros nesses países, ainda estamos gradativamente tentando consolidar as nossas vendas para eles. Mas, o paladar dos estrangeiros, isso nós já conquistamos. E com a alta do dólar, acredito que em 2017 os nossos produtos ficarão muito mais interessantes para eles.
A Bombons Finos apresenta uma variedade de 15 sabores de frutas regionais em 20 embalagens personalizadas com temas amazônicos. "As frutas usadas na confecção dos bombons são colhidas de árvores plantadas aqui mesmo no município de Presidente Figueiredo. Oferecemos ao nosso cliente sabores de cupuaçu, açaí, araçá-boi, maracujá, buriti e até de cubiu".

E para o final do ano, o gerente explica que a empresa aposta na produção de Panetones recheados com poupas de frutas regionais para conquistar o paladar da população manauara. "Este ano, por conta da crise, a empresa reduziu 20% o valor do Panetone, onde chegaremos a vender a unidade por R$ 39,95.
E os bombons pelo valor de R$ 2 a unidade. Mas se o cliente quiser comprar no varejo, na compra de 100 unidades, ele comprará por R$ 145 reais à vista, com um desconto de R$ 55 em seu bolso. Acredito que isso seja uma boa para quem deseja revender os nosso bombons", salienta Jorge.


Crescer é o alvo

Ao contrário de muitas pequenas empresas que fecharam suas portas em meio à crise, a Top Frozen Açaí, empresa alimentícia genuinamente manauara, vem expandindo há seis anos seu negócio, atualmente com 17 quiosques em shoppings, supermercados e escolas espalhados por toda a cidade.

A prova de que a crise não afetou o negócio da empresa é a contratação, ainda este ano, de seis colaboradores, totalizando 71 funcionários.

De acordo com um dos sócios da Top Frozen Açaí, Andréia Mattos, a empresa tem a pretensão de expandir o negócio como franquia para outros Estados do país. E o açaí que é utilizado pela empresa é da região amazônica e na entressafra a produção vem do Pará.

"Acredito que a crise no país abalou pouco o nosso negócio, com queda de apenas 10% na venda. Mas, mesmo assim, abrimos uma nova unidade própria, duas unidades de franquia e três pontos de venda em lojas de conveniência".



E por conta da crise, Andréia afirmou que em 2016, embora com aumento dos custos, a empresa manteve os preços, a qualidade e investimos em treinamento para melhorar o atendimento ao cliente.


Abertura de Empresas

De acordo com o presidente da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas), Carlos Souza, "Elencamos a crise econômica e a instabilidade política dos últimos meses, como fatores que causaram a queda na abertura de empresas e o fechamento de várias outras. Esses fatores têm inibido o empresário, que acaba recorrendo à informalidade", disse.

As extinções de empresas até setembro de 2016 atingiram 4.221, superando em muito as 2.998 de todo o ano passado. "O momento não é nada bom. A crise fez com que muitos tentassem empreender e a própria crise acabou com esses sonhos. Sugerimos sempre a capacitação, o acompanhamento e as consultorias para manter as empresas funcionando em tempo de crise", ressalta Souza.

A falta de capacitação, segundo Souza tem dificultado a manutenção desses negócios, principalmente micros e pequenas empresas no interior do Estado. "Aquelas que se encontram sob o 'guarda-chuva' do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas) e outras entidades, têm maior propensão ao sucesso, apesar das dificuldades", comenta o presidente da Jucea.

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