Polo Industrial de Manaus

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Produção industrial fecha semestre em queda no Amazonas, segundo o IBGE

Por Marco Dassori

08 Ago 2019, 10h23

Crédito: Divulgação

Depois de se recuperar em maio, a produção industrial do Amazonas consolidou o crescimento em junho, com alta de 1,8% sobre o mês anterior. Na comparação com junho de 2018, a expansão foi de 5,4%. Os números estão na pesquisa mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quarta (7).

Os resultados positivos, contudo, ainda não foram suficientes para tirar o desempenho acumulado do vermelho. A indústria amazonense encerrou o semestre com 0,7% de queda, número bem melhor do que o do começo do ano (-9,7%). Em 12 meses, a atividade encolheu 2,5% – bem aquém da marca de junho de 2018 (+10,3%).

A variação mensal em relação a maio de 2019 foi positiva pelo segundo mês seguido, colocando o Estado na terceira posição nesse tipo de comparação, acima da média nacional (-0,6%). O grupo foi liderado pelo Pará (+4,9%), impulsionado pela retomada do setor extrativo. O pior desempenho ficou no Rio de Janeiro (-5,9%).

No confronto com junho de 2018, o Amazonas ficou na primeira posição, seguido pelo Rio Grande do Sul (+3,5%) e pelo Pará (+2,7%). O Mato Grosso (-13,6%) ficou na última posição do ranking nacional das unidades federativas pesquisadas mensalmente pelo IBGE, nesse cenário.

O desempenho no acumulado colocou o Estado na sétima melhor posição do país e, ainda assim, bem acima da média nacional (-1,6%). O Rio Grande do Sul (+8%) ficou em primeiro lugar, seguido por Paraná (+7,8%) e Santa Catarina (+4,7%). O Espírito Santo (-12%) ficou na última posição.

Ar condicionado e moto

Seis atividades da indústria amazonense tiveram desempenho positivo na comparação de junho com igual mês do ano anterior: máquinas e equipamentos (+92,3%), outros equipamentos de transportes (+34,7%), equipamentos de informática e eletrônicos (+16,7%), borracha e plástico (+6,3%), bebidas (+3,6%) e produtos de metal (+0,5%). 

Os segmentos foram impulsionados pela produção de aparelhos de ar condicionado, terminais de autoatendimento, motocicletas, peças para motocicletas, televisores, rádios automotores, micro system, peças para a indústria eletrônica, garrafas e garrafões, xaropes, refrigerantes, aço estampado e estruturas de ferro.

No sentido contrário, derivados de petróleo e biocombustíveis (-11,9%), impressão e reprodução de gravações (-2,8%), indústria extrativa (-1,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-0,9%) foram as divisões industriais que amargaram quedas em seus níveis de produção na mesma comparação.

No acumulado, apenas cinco segmentos fecharam no azul e com números bem mais modestos: outros equipamentos de transporte (+8,9%), derivados de petróleo e biocombustíveis (+3,8%), indústrias extrativas (+3,7%), bebidas (+3,6%) e produtos de metal (+3,1%).

Tendência e reformas

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que o desempenho do Amazonas em relação a maio foi o melhor dos últimos quatro meses, colaborando para a melhora do acumulado que ainda está negativo. “Outra boa notícia foi o desempenho de atividades importantes do PIM: motocicletas, bebidas, informática e eletrônicos. Restam à indústria amazonense, mais seis meses para melhorar seu desempenho e fechar 2019 no azul”, comemorou.

“São dados positivos, sem dúvida. Ar condicionado está dentro da sazonalidade: se produz no terceiro e quarto trimestres para atender à demanda do verão. Duas rodas continua em uma linha de crescimento que dá bastante otimismo para o segmento. Plástico e metais seguem crescimento dos montadores finais e podem ter sido influenciados também pelos dois subsetores já citados”, emendou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.

Em sintonia, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, destacou que o setor reagiu em maio e junho, consolidando crescimento e ensejando apostas em uma recuperação no segundo semestre. 

“O cenário está mais favorável com a aprovação da Reforma da Previdência e o encaminhamento para uma Reforma Tributária de consenso. Talvez consigamos tirar do vermelho o saldo negativo acumulado nos últimos 12 meses”, asseverou.

Já o presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Mario Okubo, disse que alguma melhora já era esperada pelo setor e avalia que a tendência de curto prazo é essa. 

“O mercado de consumo vem se recuperando e a situação da indústria componentista se estabilizou. Mas, tudo ainda depende das decisões de Brasília, que vêm confirmando isso, até agora. O que mais me preocupa mesmo é se a Reforma Tributária não vai prejudicar a Zona Franca”, finalizou.

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