Polo Industrial de Manaus

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Produção industrial encolhe em março, mas fica acima da média

Desempenho em março aprofundou a queda acumulada no ano pela indústria amazonense para 5,1%, mais de três pontos percentuais acima da marca do mês anterior (-2%)

Por Marco Dassori

09 Mai 2019, 09h11

Crédito: Divulgação

Depois de crescer em praticamente todos os cenários no mês anterior, a indústria do Amazonas voltou a tropeçar em março, embora tenha ficado acima da média nacional. A produção encolheu 0,5% em relação a fevereiro e 10,8% na comparação com março de 2018. Os números foram divulgados nesta quarta (8), pelo IBGE.

O desempenho aprofundou a queda acumulada no ano pela indústria amazonense para 5,1%, mais de três pontos percentuais acima da marca do mês anterior (-2%). Em 12 meses, o resultado saiu do campo positivo (+0,7%) para uma queda de 2,1%, sendo a primeira vez, desde agosto de 2017, que isso acontece.

O recuo mensal ainda deixou o Estado acima da marca registrada pela indústria brasileira (-1,3%) e com a sétima melhor taxa entre as 14 unidades da federação pesquisadas pelo IBGE. Somente seis delas apresentaram desempenho positivo. A melhor posição ficou com o Espirito Santo (+3,6%) e a pior com o Pará (-11,3%).

Quando se leva em conta o comparativo com o mesmo mês do ano anterior, o Amazonas ocupa a 11ª posição no país, que pontuou 6,1% neste cenário. Onze locais amargaram retração. A maior queda foi sentida no Pará (-12,5%), enquanto a maior alta foi colhida no Rio Grande do Sul (+3,4%). O IBGE destaca que março teve dois dias úteis a menos neste ano.

Somente três atividades da indústria do Amazonas cresceram no confronto entre março de 2019 e igual mês do ano anterior: indústria extrativa (+7%), coque e produtos derivados de petróleo e de biocombustíveis (+12,3%) e máquinas e equipamentos (+1,9%). As quedas foram puxadas por impressão e reprodução de gravações (-75,0%), máquinas, aparelhos e material elétrico (-31,3%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-28,5%).

Os produtos de destaque foram gás natural, gasolina, óleo combustível, terminais de autoatendimento e condicionador de ar para uso central. Já os itens que amargaram maior retração foram discos fonográficos, DVDs, disjuntores, conversores, baterias, alarmes e condutores elétricos, televisão, computadores, relógios, telefones celulares e home theater.

Saldo trimestral

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que o saldo trimestral ainda é positivo para a produção industrial do Amazonas (+2,5%), que lidera essa lista. Na série com ajuste sazonal, a média móvel de janeiro a março apresentou resultados positivos também para Paraná (+1,5%), Pernambuco (+1,2%), Santa Catarina (+1,1%) e Rio Grande do Sul (+0,8%).

Esses cinco Estados ficaram acima da média nacional (-0,5%) – que manteve a trajetória “predominantemente descendente” iniciada em agosto de 2018. Nove dos 14 locais pesquisados pelo IBGE sofreram recuos de produção no comparativo do trimestre, com destaque para o Pará (-3,7%), Espírito Santo (-3,4%) e Mato Grosso (-2,9%).

“As atividades do PIM não estão conseguindo melhorar sua produtividade de um mês para o outro. Em março, somente três atividades tiveram desempenho positivo. Entre aquelas com desempenho negativo, várias sofreram quedas muito profundas. O único número otimista do mês ficou veio da média móvel trimestral (2,5%), muito em função do bom desempenho de janeiro”, lamentou.

Incertezas e desemprego

Na análise do presidente do Cieam, Wilson Périco, os números do IBGE refletem o atual panorama político e econômico do país, marcado pela aceleração do desemprego e pelas incertezas que inibem investimentos e consumo, travando a roda da economia brasileira.

“É uma situação que atinge toda a indústria. Principalmente o PIM, que fabrica predominantemente produtos duráveis e dependentes de crédito. Esperamos que o governo consiga aprovar as medidas necessárias para o Brasil. Isso acontecendo, teremos as condições necessárias para resgatar a confiança do investidor e do consumidor, gerando mais empregos e demanda”, declarou.   

Sem planos

O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia), Francisco Mourão Junior, lamentou que, no leque de produtos do PIM, apenas a linha de condicionadores de ar siga aumentou sua produção, “muito em função do clima”. No entendimento do dirigente, o Brasil vive uma continuação da crise, em decorrência de o governo federal não ter nenhum projeto para criar empregos e aquecer a economia.

“A produção do PIM reflete a economia do país. Em mais de 100 dias de governo, vimos basicamente brigas internas e o foco exclusivo na Reforma da Previdência. Ontem, foi promulgada a MP da ‘Liberdade Econômica’, mas ainda não foi feito nada de relevante para tirar o país da crise. Vemos os efeitos disso em nossa arrecadação. Espero que, tão logo se conclua a Reforma, o governo dê a devida atenção à agenda econômica”, encerrou.

 

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