Polo Industrial de Manaus

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Produção industrial do Amazonas avança em fevereiro, aponta IBGE

Desempenho do setor só foi negativo no comparativo do primeiro bimestre (-2,2%), em virtude da queda apresentada em janeiro (-9,9%)

Por Marco Dassori

10 Abr 2019, 09h15

Crédito: Divulgação

A produção industrial do Amazonas avançou em praticamente todos os cenários, em fevereiro. O crescimento de 1,5% em relação ao mês anterior foi acompanhado pela alta de 7,1% na comparação com fevereiro de 2018. E a variação percentual acumulada nos últimos 12 meses foi positiva em 0,7%.

O desempenho do setor só foi negativo no comparativo do primeiro bimestre (-2,2%), em virtude da queda apresentada em janeiro (-9,9%). Os dados foram extraídos da pesquisa mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta terça-feira (9).

Os resultados positivos das variações relativos a fevereiro colocaram a indústria amazonense na quinta posição do ranking, entre as 14 unidades da federação pesquisadas pelo IBGE, tanto na comparação com janeiro de 2019, quanto no confronto com fevereiro de 2018. O Estado também ficou acima da média nacional em ambos os casos (+0,7% e +2%, respectivamente).

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, apenas quatro Estados ficaram na frente do Amazonas: Pará (+12,7%), Paraná (+10,8%), Ceará (+8,2%) e Rio Grande do Sul (+7,2%). Apenas Minas Gerais (-0,8%) e Rio de Janeiro (-0,8%) sofreram retrações nesse cenário, enquanto a Região Nordeste pontuou estabilidade. Bahia (+6,5%), Pernambuco (+5,9%), São Paulo (+2,6%) e Mato Grosso (+1,7%), por outro lado, registram os melhores resultados na passagem de janeiro para fevereiro de 2019.

Quatro dos dez segmentos industriais amargaram quedas entre fevereiro de 2018 e o mesmo mês de 2019: impressão reprodução e gravações – discos fonográficos (-49,3%); aparelhos e materiais elétricos – disjuntores, alarmes, conversores e baterias (-16%); máquinas e equipamentos – condicionadores de ar (-7,9%) e produtos de informática, eletrônicos e ópticos (-5,8%).

Os destaques positivos vieram de equipamentos de transporte – motos e peças para veículos de duas rodas (+22,4%); bebidas (+19,5%); produtos de metal – aparelhos de barbear, tampas, estruturas de ferro (+17,1%); coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (+15,3%).

Dia das Mães

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, disse ao Jornal do Commercio que a liderança do polo de duas rodas entre os segmentos em alta é “muito positivo” para o PIM (Polo Industrial de Manaus), assim como o fato de a maior parte dos subsetores pesquisados no Amazonas terem crescido.

“Quanto aos desempenhos negativos dos segmentos do polo eletroeletrônico, cabe dizer que as vendas de condicionadores de ar tendem a melhorar quando os Estados do Sul estão no verão, o que não ocorre agora. Mas, avalio que os bens de consumo devem registrar melhora nos próximos meses, principalmente quando chegarmos mais perto do Dia das Mães”, analisou.

Consórcios em alta

O diretor executivo da Abraciclo (Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Bicicletas e Similares), José Eduardo Gonçalves, disse que o desempenho do polo de duas rodas se deve aos “bons negócios” no varejo, que registrou 4.000 vendas por dia útil, em média, durante o primeiro trimestre de 2019.

“É muita coisa. Trata-se de um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. A indústria está conseguindo, inclusive, suprir a demanda de modelos que não estavam disponíveis em seus estoques no segundo semestre do ano passado”, comemorou.

De acordo com o dirigente, os consórcios estão “bem ativos” também, tendo registrado em torno de 2,2 milhões de planos de financiamento para aquisição de motocicletas nos três meses iniciais de 2019. Por conta disso, segundo Gonçalves, a entidade está revendo para cima suas estimativas de crescimento deste ano e já deve divulgar o novo número nesta quarta (10).

Copa e insegurança

O presidente executivo da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), José Jorge do Nascimento Junior, atribui a queda das linhas de produção do segmento principalmente à base apreciada de 2018, quando a Copa do Mundo alavancou em 30% as vendas de TVs do PIM, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Mas, o dirigente aponta outros fatores que contribuíram para conturbar o ambiente de negócios brasileiro em 2019. “Há muita insegurança jurídica para a Zona Franca, em virtude da demora na aprovação da Reforma da Previdência e das mudanças que podem vir da Reforma Tributária. E ainda há uma grande quantidade desempregados, o que inibe o consumo. Mas, acreditamos que o quadrimestre pode apresentar resultados melhores”, arrematou.

 

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