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Produção de motos no PIM mantém curva de crescimento em abril

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano foram produzidas 368.055 motocicletas no Polo, correspondendo a uma alta de 5,8% ante igual período de 2018 (348.009)

Por Marco Dassori

10 Mai 2019, 06h51

Crédito: Acervo JC

As montadoras de motocicletas do PIM registraram novo crescimento em abril, embora em menor velocidade. O número de veículos saídos das linhas de produção chegou a 91.220 unidades, foi 3,2% maior ao do mesmo mês do ano passado (88.422), mas ficou 0,3% abaixo do quantitativo de março (91.537).

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano foram produzidas 368.055 motocicletas no Polo, correspondendo a uma alta de 5,8% ante igual período de 2018 (348.009). Os números foram divulgados pela Abraciclo, na quinta (9).

Os números de comercialização foram ainda mais acentuados. Em abril as vendas no atacado – repasse para as concessionárias – somaram 90.267 motocicletas, alta de 14,9% em relação ao mesmo mês de 2018 (78.536 unidades).

Na comparação com março (93.559 unidades), por outro lado, houve recuo de 3,5%. As vendas no atacado seguem em alta na comparação do quadrimestre com igual período do ano passado. Somaram 360.908 (2019) unidades contra 312.546 (2018), um aumento de 15,5%.

De acordo com levantamento do Registro Nacional de Veículos Automotores, foram emplacadas 93.370 motocicletas em abril, alta de 13,7% ante o mesmo mês de 2018 (82.118). Na comparação com março (83.798), o aumento foi de 11,4%. No acumulado, a expansão foi de  16,8%, de 301.422 unidades (2018) para 352.022 (2019) motocicletas.

Em abril a média diária de vendas foi de 4.446 unidades, crescimento de 13,7% ante abril do ano passado (3.910) e de 0,8% ante março (4.410). É o melhor resultado alcançado pelo setor no mês de abril desde 2015, que apresentou média diária de 5.408 unidades.

Demanda reprimida

Com isso, a Abraciclo manteve suas projeções de encerrar dezembro com 6,1% de acréscimo no volume de produção quando comparado ao montante registrado ao final do ano passado, saltando de 1.036.846 (2018) para 1.100.000 (2019) unidades.

“Houve uma ampliação da oferta de crédito pelas instituições financeiras, sobretudo bancos de montadoras. Além disso, cresce a contemplação de motocicletas pelo sistema de consórcio, contribuindo para o aquecimento da demanda. O Crédito Direto ao Consumidor e o Consórcio representam quase 70% das vendas”, comemorou o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, no texto distribuído por sua assessoria de imprensa.

O dirigente também destacou o fato de o mercado de motocicletas se mostrar aquecido em um contexto econômico adverso, com taxas de desemprego elevadas e repique inflacionário, e atribui esse movimento a uma demanda deprimida verificada desde o segundo semestre do ano passado.

“O desejo de compra de motos estava evidente, porém o consumidor tinha dificuldades para encontrar o modelo específico que pretendia adquirir. Como as fabricantes reviram seus planos e processos de produção nos últimos meses, foi possível atender esta demanda específica de maneira bem mais objetiva”, explicou Fermanian.

Emprego e substituição

O presidente do Cieam, Wilson Périco, considera que os números não surpreenderam, uma vez que o segmento de duas rodas vem ajudando a puxar os números do PIM para cima nos últimos meses, após ter amargado mais de três anos de quedas seguidas.

No entendimento do dirigente, os motivos para a primazia do subsetor em detrimento de outros tão tradicionais quanto – a exemplo da indústria de eletroeletrônicos e de bens de informática – é a dinâmica da crise brasileira.

“Isso está ocorrendo por dois motivos. O primeiro é que muitas pessoas ainda estão comprando motocicletas para ter uma ferramenta de trabalho em seu próprio negócio. Outro, é que há um número grande de consumidores que está trocando o carro pela moto para reduzir despesas. E há aqueles que estão fazendo o mesmo para fugir do trânsito mesmo”, avaliou.

Exportações em queda

Em abril foram exportadas 2.924 motocicletas, recuo de 56,2% ante o mesmo mês de 2018 (6.672) e queda de 17% na comparação com março passado (3.525). No acumulado foram embarcadas para os outros países 14.306 unidades, redução de 52,3% ante o mesmo período do ano passado (29.992).

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat analisados pela Abraciclo, a Argentina foi o principal comprador de motocicletas brasileiras em abril, com 1.818 unidades, 66,5% do total. Em segundo lugar ficaram os Estados Unidos, com 328 unidades e 12% de participação, e em terceiro a Colômbia, 200 unidades e 7,3% de participação.

“Outros países estão comprando mais, mas não é o suficiente. A Argentina, o nosso mercado preferencial, está em crise. Espero que as medidas econômicas do governo argentino contribuam para melhorar essa situação no segundo semestre”, arramtou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima.

 

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