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Produção de motocicletas avança e mantém recuperação do segmento

Por Marco Dassori

12 Ago 2019, 09h50

Crédito: Acervo JC

A indústria de motocicletas do PIM registrou novo incremento na produção entre junho e julho, mas o desempenho ficou aquém do registrado no mesmo mês do ano passado, reduzindo o percentual acumulado. Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) nesta sexta (9).  

As montadoras entregaram 91.713 motocicletas no mês passado, representando alta de 34,6% em relação a junho (68.121 unidades). Na comparação com julho de 2018, a produção caiu 4,8% (96.338 unidades). O desempenho não alterou a curva ascendente do polo de duas rodas, que acumulou alta de 6,3% até julho. No total, foram produzidas 628.818 unidades, volume superior ao registrado no mesmo período de 2018 (591.753). 

O desempenho da produção se espelhou nos números das vendas no atacado, que somaram 87.240 unidades, subindo 21% em relação a junho de 2019 (72.121) e descendo 1,7% no confronto com julho de 2018 (88.754). Em sete meses, as fábricas repassaram para as concessionárias 616.133 motocicletas, um acréscimo de 14,1% ante as 539.945 registradas no mesmo acumulado de 2018.

Melhor desempenho foi sentido no varejo. Levantamento do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) informa que houve emplacamento de 90.048 motocicletas em julho, o que correspondeu a um aumento de 18,1% na comparação com o mesmo mês de 2018 (76.226) e de 12,5% em relação a junho de 2019 (80.023). No acumulado, foram emplacadas 620.082 motos, 16,3% a mais do que no mesmo intervalo de 2018 (532.955).

Com 23 dias úteis, a média diária de vendas de julho foi de 3.915 unidades. Segundo dados analisados pela Abraciclo, é o melhor resultado para o mês desde 2015 (4.684 unidades/dia). Esse desempenho foi 13% superior ao registrado no mesmo mês de 2018 (3.465 unidades/dia, com 22 dias úteis) e 7,1% menor ao alcançado em junho deste ano (4.212 unidades/dia, com 19 dias úteis).

Crédito e custo

Na avaliação do presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, a recuperação do setor continua a ser impulsionada pela renovação da frota e, principalmente, pela maior oferta de crédito, impactando diretamente a cadeia produtiva do segmento. Segundo o dirigente, em torno de 70% das vendas de motocicletas são financiadas por CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e consórcio. 

“Aliado a isso, a motocicleta é uma alternativa viável de transporte para a maioria dos consumidores, graças ao menor custo de manutenção e ao baixo consumo de combustível”, declarou Marcos Fermanian, em texto divulgado pela assessoria de imprensa da Abraciclo.

Recuperação em curso

O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, minimizou a retração em relação a junho de 2018 e salientou que, a despeito da continuidade de números positivos nos últimos meses, o polo de duas rodas do PIM ainda atravessa um período de “estabilidade com viés de recuperação”, após passar longos anos de queda.

“O atual momento equivale a, em termos de produção, ao nível em que estávamos em 2006/2007. O segmento ainda trabalha com muita capacidade ociosa, apesar do saldo de empregos se mantiver no terreno positivo. Mas, há boas notícias, como a melhora do panorama político e um aumento de confiança do consumidor. Esperamos que essa pequena queda não signifique muito. Vamos aguardar os próximos meses”, ponderou.

Exportações em baixa

Em julho foram embarcadas 2.788 unidades para o exterior. De acordo com dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, a Argentina ainda é o maior parceiro comercial, com 1.318 e 45,2% de participação no total exportado. Na sequência, estão os Estados Unidos (880 e 30,2%) e a Colômbia (358 e 12,3%).

No acumulado do ano, as exportações somaram 23.180 unidades, o que representa queda de 49,9% em relação ao mesmo período de 2018 (46.258 motocicletas. De janeiro a julho foram embarcadas 11.632 motocicletas (48,6% de participação) para Argentina. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar (4.313 e 18%), seguidos pela Colômbia (2.953 e 12,3%).

Em depoimento anterior ao Jornal do Commercio, a respeito da balança comercial do Amazonas, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, disse que ainda é cedo para dizer se o ensaio de retomada experimentado pela Argentina em meses recentes pode se traduzir em recuperação.

“A Argentina pode ter sofrido um repique, que merece melhor estudo, mas sua situação política e econômica ainda é muito instável para se prever qualquer coisa nesse sentido. Mas, outros países vizinhos, como Colômbia e Bolívia, vem pontuando bem e ganhando posições. E o Equador deve aparecer com mais destaque entre os destinos de nossas exportações, nos próximos meses”, concluiu.

 

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