Agronegócios

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Produção de itens amazônicos mantém viés de alta

Mandioca é líder no ranking da produção, mas não da produtividade

Por Marco Dassori @marco.dassori @JCommercio

12 Ago 2019, 20h19

Crédito: Divulgação

Em nova revisão de julho, o IBGE manteve novamente a estimativa de safra para o Amazonas. A estimativa de produção para todo os Estado alcançou 1.873.122 toneladas, o equivalente a 36,3% de incremento em relação ao obtido pelos produtores rurais em 2018.  

Líder no índice de produção – mas não no de produtividade –, a mandioca segurou a estimativa de crescimento de 58,1% assinalada nos levantamentos anteriores do IBGE. A expectativa é que a safra passe das 842 mil toneladas (2018) e chegue às 1.332 mil toneladas (2019). 

Na segunda posição, o milho também tem boa expectativa de aumento da safra em 2019, passando de 12,8 mil para 18,8 mil toneladas, uma diferença de 47%. 

Em terceiro lugar, o arroz desponta com projeção de alta de 25,6%, passando de 32 mil para 41 mil toneladas. Já o grupo das oleaginosas deve aumentar produção em 25,6%, ao totalizar 41.207 (2019) toneladas contra 32.801 (2018).

No entanto, há também produtos que permanecem com tendência de queda. 

A banana lidera o grupo, com retração de 10,8%. Nos cálculos do IBGE, a produção não deve passar das 112 mil toneladas – contra as 126 mil do ano passado. 
Na sequência, vem a laranja (-6,1%), que perderá em torno de 4,3 mil toneladas, entre as safras de 2018 e de 2019. 

Ao lembrar que julho é o primeiro mês de seca no Amazonas, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, salienta que, após a enchente, será a hora de refazer as contas e consultar os produtores rurais do Estado. “Esse trabalho culminará com novas avaliações dos técnicos do IBGE e de instituições ligadas à produção, nos próximos meses. A tendência é que os números sejam mudados e que cada cultura seja avaliada individualmente. Só então, será possível mensurar crescimento ou queda na produção”, ressalvou.

Programas e parcerias
O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, disse que é gratificante receber indicadores positivos para a produção agrícola do Amazonas. 

“Já tínhamos um crescimento de mais de mais 36% em relação a junho de 2018, e agora essa tendência se mantém. Isso demonstra que o Plano Safra lançado pelo governo estadual já motiva uma expectativa positiva no setor produtivo”, comemorou 

O secretário estadual ressalta que a cultura da mandioca é uma atividade com mercado considerável e avalia que planos estruturantes geridos pelo governo estadual, como o Pro-Mecanização (linha de crédito para máquinas e equipamentos agrícolas) e Pro-Calcário (voltado para a correção do solo), contribuíram para o crescimento.

“Da mesma forma, é importante destacar o crescimento das culturas de milho e de feijão. Recentemente, uma parceria entre o governo do Amazonas e a Conab permitiu a distribuição gratuita de uma quantidade significativa de sementes a agricultores. Esses dados comprovam que foram bem plantadas e têm expectativa de boa safra”, destacou.

No caso da banana, Petrúcio Magalhães Júnior explica que as áreas de várzea foram bem atingidas e que é preciso fazer um programa para estimular novamente a produção, preferencialmente contando com mudas da Embrapa resistentes a doenças. 

Em relação à laranja, o titular da Sepror destaca que a renovação de áreas de pomares tem ainda dificultado a evolução do números, a despeito de a citricultura estar inovando e ampliando suas áreas, com novas mudas imunes a doenças e melhores índices de produtividade.  

“Quanto ao crescimento da soja, fica evidente a prosperidade da região Sul, sobretudo em Humaitá, onde os investimentos são crescentes e a produção de grãos deve continuar a aumentar de forma sustentável, em áreas já consolidadas. E, principalmente, com tecnologia de ponta, que ajuda a elevar os índices de produtividade”, salientou.

Confiança na demanda
No entendimento do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, os números mais recentes do IBGE são importantes, dado que mostram a tendência global de crescimento do setor primário no Estado.

Em sintonia com a Sepror, o dirigente também atribui a redução da safra de produtos importantes como a banana à cheia deste ano, cujos reflexos ainda estão sendo sentidos pelos produtores. 
De uma forma geral, Muni Lourenço avalia que a evolução de outras culturas, a exemplo da mandioca, tem relação também com a confiança dos produtores na “grande demanda” do mercado consumidor local. 

‘É muito importante que haja persistência desse crescimento, porque o Amazonas precisa diminuir a dependência de importação de alimentos de outros Estados e, com isso, aumentar a geração de emprego e renda no interior e no setor rural amazonense”, concluiu.
 

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